1 de 1 A atriz Bruna Aiiso e a mãe, Lia
- Foto: Instagram/Reprodução
A atriz Bruna Aiiso, conhecida por novelas como Bom Sucesso (2019), da Globo, relatou em suas redes sociais que perdeu uma campanha publicitária por racismo. Ela, que é ativista da causa amarela e da presença de asiáticos na dramaturgia, havia sido convidada para um anúncio de Dia das Mães ao lado de sua matriarca, mas perdeu o trabalho porque ela é negra.
“Minha agência entrou em contato comigo que tinha uma marca muito grande de dermocosméticos, de coisas para pele, uma multinacional mesmo, que entrou em contato querendo fazer uma publicidade comigo e com minha mãe para o Dia das Mães. Pediram para mandar uma foto minha e da minha mãe. E responderam: ‘Ai, a gente pensou que a mãe dela fosse asiática, então infelizmente não vai rolar'”, contou a atriz.
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No Brasil, os termos racismo e injúria racial são utilizados para explicar crimes relacionados à intolerância contra raças. Apenas o primeiro é considerado imprescritível
Ilya Sereda / EyeEm
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Crime imprescritível é aquele que não prescreve, ou seja, que será julgado independentemente do tempo em que ocorreu. No caso do racismo, a Constituição Federal de 1988 determina que, além de ser imprescritível, é inafiançável
Xavier Lorenzo
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O racismo está previsto na Lei 7.716/1989 e ocorre quando pessoas de um determinado grupo são discriminadas de uma forma geral. A pena prevista é de até 5 anos de reclusão
Vladimir Vladimirov
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Segundo o advogado Newton Valeriano, “quando uma pessoa dona de um estabelecimento coloca uma placa informando "aqui não entra negro, ou não entra judeu", essa pessoa está cometendo discriminação contra todo um grupo e, dessa forma, responderá pela Lei do Racismo”
Dimitri Otis
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Ainda segundo o especialista, “no caso da injúria racial, prevista no Código Penal, a pena é reclusão de 1 a 3 anos, mais multa. Nesses casos, estão ofensas direcionadas a uma pessoa devido à cor e raça. Chamar uma pessoa de macaco, por exemplo, se enquadra neste crime”
Aja Koska
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Em situações como intolerância racial e religiosa, a vítima deve procurar as autoridades e narrar a situação. “Se o caso tiver sido filmado, é importante levar as imagens. Se não, a presença de uma testemunha é importante”, afirmou Valeriano
FilippoBacci
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No caso do racismo, qualquer pessoa pode denunciar, independentemente de ter ou não sofrido a situação. Para isso, basta procurar uma delegacia e relatar o caso. Se for de injúria racial, no entanto, é necessário que a vítima procure pessoalmente as autoridades
LordHenriVoton
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Além disso, a vítima também pode pedir uma reparação de danos morais na Justiça
LumiNola
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Recentemente, o plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que o crime de injúria racial é uma espécie de racismo e, portanto, é imprescritível. Os ministros chegaram ao posicionamento após analisarem o caso de uma idosa que chamou uma frentista de “negrinha nojenta, ignorante e atrevida”
Decepcionada, Aiiso criticou a posição da marca por causa da cor de sua mãe: “Para vocês verem como esse mercado e como as pessoas, porque por trás desse mercado existem pessoas, são equivocadas, não entendem qual é a realidade do nosso país, que é plural, tem diversidade, eu só lamento, eles só têm a perder com isso”.
Bruna Aiiso desabafou em suas redes sociais, em um vídeo com fotos dela bebê, de seu pai, japonês, e da mãe, baiana. Ela se chama Lia e trabalhou durante 46 anos nos bastidores da Globo.
O vídeo de Bruna viralizou nas redes sociais, onde acumula quase 250 mil visualizações, e ela recebeu apoio de colegas como Ana Hikari, também ativista da causa amarela, que tem pai negro.