Após usar meme, empresa é condenada a pagar R$ 25 mil a Chico Buarque
Valor Tecnologia foi processada por danos morais ao utilizar capa do primeiro álbum do cantor em campanha publicitária

Rio de Janeiro – A empresa Valor Tecnologia acabou condenada a pagar R$ 25 mil ao cantor e compositor Chico Buarque por usar a capa do álbum Chico Buarque de Hollanda (1966) em uma campanha publicitária. A decisão foi assinada pela juíza Ingrid Charpinel Reis, do 6° Juizado Especial Cível do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ).
A postagem é de março deste ano, mas, quando a firma entrou na mira da Justiça, acabou apagada. No disco, o primeiro de Chico, há dois retratos do artista, que viraram meme nas redes sociais: em um, ele ri e no outro, está sério. A empresa “brincou” com os opostos “preso no consultório” e “podendo atender clientes em qualquer lugar”, em alusão aos aplicativos de saúde desenvolvidos para telemedicina.
A companhia chegou a argumentar que as imagens já eram amplamente difundidas na internet, o que permitiria a utilização. Porém, a juíza rejeitou esta tese e reforçou que Chico Buarque não autorizou que os cliques fossem usados na campanha.
“Carece de amparo a alegação defensiva de que não há violação da imagem do autor porque ‘de tão utilizada e não reprimida pelo requerente, não há qualquer ato ilícito’. O ordenamento jurídico ao vedar a utilização da imagem de uma pessoa, sem autorização, para fins comerciais, não dispõe sobre a mitigação do direito de imagem em caso de uso indevido reiterado. O fato de a imagem do autor ter sido utilizada indevidamente, em outras oportunidades, por pessoas diversas e para os mais variados fins, não descaracteriza a conduta ilícita da ré”, escreveu Ingrid na decisão.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles EntretenimentoA defesa de Chico Buarque, representado pelo advogado João Tancredo, havia entrado com um processo para que o conteúdo fosse apagado das redes sociais e o cantor fosse indenizado. O Facebook chegou a ser processado, mas não foi punido.
“A empresa não pediu autorização para publicar a imagem do artista e ainda a alterou, colocando sua marca e a recheando de propagandas. É um cinismo de fazer corar um monge de pedras”, disse Tancredo.
O Metrópoles tentou contato com a defesa da empresa Valor Tecnologia, mas não teve sucesso.















