Teresa Lampreia reflete sobre impacto social do entretenimento em novo livro
Teresa Lampreia lança seu novo livro, Somos Feitos de Histórias, na Livraria da Travessa, no CasaPark, dia 28 de agosto, a partir das 18h

Depois de quase três décadas no audiovisual, Teresa Lampreia leva para a literatura reflexões acumuladas ao longo da carreira. A diretora, roteirista e produtora lança Somos Feitos de Histórias, obra que parte de experiências na televisão para discutir o alcance das narrativas e as transformações da indústria.
O lançamento oficial acontece no dia 28 de agosto, das 18h às 22h, na Livraria da Travessa, no CasaPark, em Brasília. Teresa participa de uma conversa com leitores e de uma sessão de autógrafos. O encontro integra a primeira etapa da turnê nacional da obra, que terá outros compromissos na capital antes de seguir para diferentes cidades do país.
Em entrevista ao Metrópoles, Teresa explica que a decisão de escrever surgiu também de um momento de reflexão sobre a própria trajetória. “Acho que depois dos 50 a gente começa a entender com mais clareza o que vale a pena e o que não vale. E eu entendi uma coisa muito essencial sobre mim: eu nasci para contar histórias. Sou uma contadora de histórias. É o que sei fazer, é o que amo fazer e é também a maneira que encontrei de estar no mundo”, afirma.
Apesar de recorrer a episódios da carreira, Teresa ressalta que Somos Feitos de Histórias não é uma autobiografia. As experiências profissionais aparecem como ponto de partida para uma discussão sobre o que ela define como entretenimento de impacto social.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles Entretenimento“A minha trajetória aparece como uma segunda linha narrativa, que atravessa o livro para trazer exemplos concretos de experiências que vivi e presenciei ao longo de quase 30 anos trabalhando com audiovisual. O centro do livro é outro: o entretenimento de impacto social como indústria e o poder das histórias dentro dessa indústria”, explica.
Parte dessa percepção nasceu dentro da televisão. Teresa trabalhou por mais de duas décadas na Globo e participou da direção de novelas como O Clone, A Casa das Sete Mulheres, América, Páginas da Vida, Viver a Vida e Em Família. Na entrevista, ela cita O Clone como um dos exemplos de como uma produção voltada ao grande público também pode colocar temas sociais em debate.
“O Clone é, talvez, uma das experiências que mais tenha me mostrado a força que uma obra de entretenimento pode alcançar. A novela estreou em 1º de outubro de 2001, apenas algumas semanas depois dos atentados de 11 de setembro. Naquele momento, colocar uma família muçulmana no centro de uma das maiores produções da televisão brasileira e apresentar aquela cultura com pesquisa, cuidado e respeito tinha um significado enorme.”
Essa relação entre alcance e impacto atravessa o livro, mas a escritora também direciona o olhar para as mudanças recentes do setor. A obra aborda plataformas digitais, algoritmos, novas formas de distribuição e os hábitos das gerações que cresceram em contato com outras maneiras de consumir conteúdo.
Teresa também defende que o Brasil pode ampliar a presença das produções fora do país sem abandonar temas e características locais. Ela cita novamente O Clone, comercializada para mais de 100 países, além de filmes recentes, como Ainda Estou Aqui e O Agente Secreto, para sustentar a capacidade de histórias brasileiras alcançarem públicos de diferentes mercados.
“Uma história não precisa deixar de ser local para ser global. Ao contrário. Quando uma narrativa nasce de uma identidade verdadeira, mas toca questões profundamente humanas, ela pode atravessar línguas, culturas e fronteiras”, afirma.
Turnê com livro
Brasília será a primeira parada da turnê nacional do livro. A agenda começa dia 25 de agosto, às 17h, no Teatro Mapati, na Asa Norte. O encontro de abertura reunirá profissionais de diferentes áreas para uma conversa sobre o papel das histórias na preservação da memória, na construção da identidade brasileira e na transformação da sociedade.
No dia seguinte, a autora participa de um encontro no Centro Universitário IESB, no campus Edson Machado, às 19h. Com o tema O Entretenimento de Impacto Social como Indústria e o Poder das Histórias, a programação prevê a participação de cerca de 700 estudantes, professores, pesquisadores e convidados.
A passagem pela capital continua em 27 de agosto, às 10h, na Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília (UnB). Desta vez, a conversa será voltada aos estudantes e terá como temas criatividade, inovação, cidadania, cultura e o futuro das narrativas.
Depois de Brasília, a turnê passa por Goiânia, São Paulo, Recife, Olinda, Porto Alegre, Belo Horizonte e Vitória. A proposta é levar o debate para universidades, livrarias, feiras literárias, centros culturais e instituições de ensino de diferentes regiões do país.









