Ex-comandante da FAB lançará livro sobre recusa a golpe de Estado
Livro promete revelar "bastidores" da crise militar e da pressão sobre as Forças Armadas após as eleições de 2022

O tenente-brigadeiro do ar Carlos de Almeida Baptista Junior, ex-comandante da Força Aérea Brasileira (FAB), lançará, em setembro, um livro em que relata o episódio em que se recusou a aderir a um golpe de Estado.
Ex-comandante da Aeronáutica no governo Jair Bolsonaro (PL), Baptista Junior foi testemunha da Procuradoria-Geral da República (PGR) na ação penal que levou à condenação do ex-presidente e de outros integrantes do núcleo central da tentativa de golpe.
O livro se chama “EU DISSE NÃO! Uma trincheira antigolpista” e traz o relato de que Baptista Junior “resistiu às pressões para que os militares aderissem a uma ruptura institucional”.
“Esta é a primeira vez que um integrante da cúpula militar daquele período relata, em livro, os bastidores da crise que ameaçou a democracia brasileira”, diz a descrição da obra.
Entre no canal de WhatsApp da Coluna Manoela AlcântaraA publicação é do Grupo Autêntica e tem lançamento previsto para 15 de setembro.
“Neste livro, Baptista Junior narra em primeira pessoa um período que remonta ao início do governo Bolsonaro, em 2019, atravessa a gestão da pandemia de Covid-19 e desemboca na crise militar de 2021, quando Bolsonaro trocou o ministro da Defesa, assumido por Braga Netto, os três comandantes das Forças e o chefe do Estado-Maior Conjunto”, diz a apresentação do livro.
A descrição prossegue: “Já no período eleitoral de 2022, o relato passa pela pressão sobre o sistema eleitoral e pelas reuniões de alta tensão da disputa presidencial, até os meses decisivos entre os dois turnos e a posse de Luiz Inácio Lula da Silva.”

Testemunha
O tenente-brigadeiro prestou depoimento ao STF em maio do ano passado, no âmbito da ação penal que apurou a trama golpista, especificamente em relação aos integrantes do chamado núcleo 1, que incluía Bolsonaro.
Durante o depoimento, o ex-comandante afirmou que o então comandante do Exército, general Freire Gomes, chegou a dizer que prenderia Bolsonaro caso ele levasse adiante um plano de golpe de Estado.
“Confirmo, sim. O sr. general Freire Gomes é uma pessoa polida, educada. Não falou essa frase com agressividade, mas colocou exatamente isso: ‘Se o sr. fizer isso, terei que te prender'”, disse o ex-comandante da Aeronáutica.




