Youtuber diz que regras para apostas na internet são “pré-históricas”

Influenciador conhecido como Klebim é investigado pela PCDF, que apura esquema de lavagem de dinheiro por meio de sorteios na internet

atualizado 27/03/2022 20:40

Instagram/Reprodução

O influenciador digital Kleber Rodrigues de Moraes, conhecido como Klebim, justificou as próprias condutas, atualmente investigadas pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), como discrepâncias ocasionadas por uma legislação ultrapassada. O youtuber se pronunciou nas redes sociais este domingo (27/3), após deixar a prisão na sexta-feira (25/3).

“Uma lei pré-histórica, uma lei da década de 1940 não vale. Vivemos em um mundo digital, em uma era digital, e precisamos que essa lei seja atualizada”, afirmou Klebim. Mais cedo, o influenciador postou desabafo nas redes sociais em que negou ter cometido qualquer irregularidade.

Klebim foi preso na última segunda-feira (21/3) no âmbito da operação Huracán, da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), que apura um esquema de lavagem de dinheiro por meio de sorteios. No entanto, na sexta-feira, decisão do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) liberou Klebim e outros envolvidos.

Veja o posicionamento de Keblim: 

 

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Uma publicação compartilhada por Kleber Moraes (@klebim)

A operação

As apurações da Operação Huracán apontaram que o influenciador digital utiliza seus perfis nas redes sociais para promover e realizar sorteios de veículos de luxo, com sofisticados sistemas de som e customização. Klebim e outros três alvos foram presos temporariamente pelos crimes de lavagem de dinheiro e exploração de jogos de azar.

De acordo com as investigações, os sorteios não são autorizados pelos órgãos competentes, e o youtuber não recolhe impostos. Klebim, segundo a polícia, lava o dinheiro dos sorteios com a aquisição de veículos superesportivos, que são registrados em nome de laranjas – incluindo a mãe do influenciador – e empresas de fachada.

Youtuber do DF com 4 mi de seguidores é preso por lavagem de dinheiro

Além de Klebim, foram presos, acusados de integrar o esquema criminoso, Pedro Henrique Barroso Neiva, Vinícius Couto Farago e Alex Bruno da Silva Vale. Todos teriam ajudado a movimentar as rifas clandestinas e auxiliado na entrega dos veículos, por isso recebiam comissões em dinheiro pagas pelo influenciador digital.

A Divisão de Repressão a Roubos e Furtos (DRF) da PCDF identificou que o esquema era altamente lucrativo e apurou que os criminosos movimentaram R$ 20 milhões em apenas dois anos. Para se ter ideia do poder de compra de Klebim, a polícia apreendeu uma Lamborghini Huracán e uma Ferrari 458 Spider. Os superesportivos são avaliados em R$ 3 milhões cada.

Veja quem é o influencer Klebim Moraes:

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Rifa clandestina

A rifa clandestina é prática ilegal, de acordo com o Ministério da Economia, órgão responsável por regrar e fiscalizar loterias e jogos de azar no país. Segundo a pasta, ainda que o dinheiro da rifa sirva para bancar projetos de veículos – ou seja, total ou parcialmente direcionado para caridade –, a prática é considerada clandestina e irregular.

A legislação permite sorteios e rifas com venda de cotas apenas para instituições filantrópicas e mediante autorização especial; nesse caso, os sorteios devem ser realizados necessariamente via Loteria Federal. O órgão informa que “a exploração de bingos, loterias e sorteios é atividade ilegal e constitui contravenção penal”, além de consistir em um “serviço público exclusivo da União”.

Por meio de nota, o ministério informa que, se houver comprovação de prejuízos a qualquer participante, poderá ser configurado ilícito penal ou, “no mínimo”, lesão ao consumidor.

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