Voluntários denunciam surto de cinomose na zoonoses do DF
Segundo os voluntários, dez animais que passaram pela Zoonose morreram. Secretaria de Saúde confirma casos da doença. mas nega mortes

Ao menos 10 filhotes de cachorros do canil da Diretoria de Vigilância Ambiental (DIVAL) morreram após serem diagnosticados com cinomose, uma doença viral altamente contagiosa e frequentemente fatal em animais, segundo a advogada do Fórum Animal, Ana Paula de Vasconcelos. Os animais teriam contraído a doença enquanto estavam na zoonose, mas morreram em clínicas particulares depois que voluntários resgataram os cães.
A advogada contou ao Metrópoles que os animais foram levados ao canil da Zoonoses após serem resgatados pela polícia e encaminhados por determinação judicial. Além dos 10 filhotes mortos, outros cães, com idades entre um mês e 2 anos, testaram positivo para a doença e, segundo ela, também precisam de internação.
“Nós recebemos os exames de que vários animais estão infectados com a cinomose, que é uma doença infectocontagiosa viral. O contágio dela é muito rápido. É uma doença extremamente letal ou que deixa sequelas muito graves, como sequelas neurológicas, o animal para de andar, não consegue comer, fica com a boca travada, o que dificulta muito uma adoção”, afirmou.
Em nota ao Metrópoles, a Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) confirmou os casos de cinomose no canil da unidade e disse que a situação está sendo acompanhada pelas equipes responsáveis. A pasta também afirmou que não foram registradas mortes dentro do canil e há 5 animais com diagnóstico positivo e 6 sintomáticos.
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De acordo com Ana Paula, o Governo do Distrito Federal (GDF) não tem oferecido o suporte necessário para conter o surto. Ela afirma que, devido à gravidade dos casos, os animais precisam de internação e que, atualmente, o atendimento tem sido viabilizado por voluntárias, que conseguiram internar apenas dois cães.
“Mas a clínica onde elas têm parceria não tem nem capacidade física para comportar o tanto de animal que tem hoje diagnosticado lá. Já morreram 10 filhotes de cinomose. O GDF tem que fazer uma parceria urgente com a UNB ou com a UPIS ou com qualquer outro hospital escola grande que tenha capacidade para internar esses animais, porque todos eles vão se infectar e vão morrer”, disse.
A advogada também defende que os cães que ainda não apresentam sintomas sejam separados imediatamente dos animais infectados e permaneçam em observação, já que a doença pode levar entre 15 e 20 dias para se manifestar.
O que diz a SES-DF
“A SES já solicitou o encaminhamento dos animais sintomáticos que necessitam de suporte intensivo para o Hospital Veterinário Público (HVEP), bem como apoio institucional com equipe técnica, insumos, medicamentos e estrutura de internação para reforçar o atendimento aos animais do plantel. Os animais em estado mais grave foram encaminhados para acompanhamento em clínica veterinária parceira, com apoio voluntário”, disse a pasta.
Segundo a secretaria, entre as medidas emergenciais adotadas estão a restrição do manejo dos animais exclusivamente aos médicos veterinários da unidade, instalação de pedilúvios com solução desinfetante entre as baias, reforço dos protocolos de biossegurança, uso obrigatório de equipamentos de proteção individual (EPIs), isolamento dos cães positivos em áreas específicas do canil, suspensão temporária das visitas para adoção e monitoramento clínico diário dos animais expostos.
Apesar da afirmação da pasta, Ana Paula afirma que a situação real destoa do que foi informado. “Os exames que foram feitos até agora pelas voluntárias e as dívidas enormes nos laboratórios vão ficar no nome delas”, disse.
Nota técnica aponta superlotação
Uma nota técnica assinada pela coordenadora do Projeto Amigos da Zoonose e médica veterinária Eliana de Farias relata que os primeiros casos ocorreram em cadelas no pós-parto. Cerca de um mês depois, outros cães passaram a apresentar sinais respiratórios, oculares e gastrointestinais.
Segundo o documento, exames sorológicos foram realizados apenas em animais com suspeita da doença devido às limitações financeiras. A nota afirma ainda que a superlotação do canil impediu a separação adequada dos cães, favorecendo a disseminação do vírus entre os animais.
O documento destaca que, por falta de recursos para diagnóstico molecular em massa, não foi possível identificar quais cães já chegaram ao canil infectados antes do aparecimento dos sintomas.
Também informa que os animais mais graves precisaram ser internados em clínica particular porque a internação no Hospital Veterinário Público teria sido negada.
A médica veterinária alerta que, por se tratar de uma doença viral de fácil transmissão por secreções respiratórias, oculares, fezes e urina, outros cães podem estar infectados mesmo sem apresentar sintomas.
Por isso, a nota recomenda a realização de exames de detecção de DNA viral em todos os animais do canil, além da remoção urgente dos cães saudáveis para outro espaço, diante da impossibilidade de isolamento adequado no local.



