Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Distrito Federal

Vizinho nega ter matado casal e diz que arma foi plantada em sua casa.

Evandro Ferreira, de 60 anos, é suspeito de matar o casal Leonardo de Oliveira Campos e Rayane Lins, no DF. Ele foi preso nessa sexta (17/7)

18/07/2026 16:17, atualizado 18/07/2026 17:15
Material obtido pelo Metrópoles
Vizinho nega ter matado casal e diz que arma foi plantada em sua casa

O empresário Evandro Gabriel Ferreira (foto em destaque), de 60 anos, preso nessa sexta-feira (17/7) por suspeita de matar o casal Leonardo de Oliveira Campos e Rayane Lins Farias Campos em Ponte Alta, no Gama (DF), afirmou em depoimento à Polícia Civil que não sabe quem matou as vítimas e negou qualquer envolvimento no crime.

Veja vídeo:

Durante o interrogatório, Evandro disse que a arma de fogo e as munições encontradas escondidas dentro de um ar-condicionado portátil na casa dele foram colocadas por terceiros para incriminá-lo.

O armamento foi localizado por agentes da 14ª Delegacia de Polícia (Gama) e encaminhado para perícia no Instituto de Criminalística (IC). O exame vai apontar se a arma foi utilizada no duplo homicídio.

Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles DF

Ao delegado, Evandro afirmou que contratou sete pessoas para reformar a casa, mas decidiu demiti-las antes da conclusão do serviço por discordar da forma como trabalhavam. E, segundo ele, os trabalhadores podem ter ficado com raiva dele e implantado a arma.

“Eu acho que pode ser, de repente, como eu demiti eles, e não foi em sua totalidade, foi aos poucos, alguém pode ter, para se vingar ou por um outro motivo, colocado essa arma de fogo lá para depois usar ou me incriminar”, disse.

Questionado sobre qual seria a motivação para alguém plantar a arma em sua residência, Evandro voltou a dizer que estaria sendo alvo de perseguição por causa de seu posicionamento político nas redes sociais.

“Eu tenho agido politicamente muito forte dentro das redes sociais, especificamente para o PT, para os petistas, para o mundo. Então, o que acontece? Os políticos podem estar, de repente, utilizando isso ou aquilo para me prejudicar”, afirmou.

Receba no seu email as notícias de Metrópoles DF

Frequência de envio: Diário

Ver todas as newsletters

O empresário também negou ter comprado ou pago pela arma encontrada em sua casa. Ao ser lembrado pelo delegado sobre o histórico de ocorrências envolvendo armas de fogo, disse não se recordar dos episódios.

“Pode ter sido um desses funcionários que trabalharam 15 dias atrás, que colocou lá para me incriminar. E, quanto a essa questão, eu ainda posso comprovar para o senhor”, disse Evandro.

Briga por muro

Ainda durante o depoimento, Evandro confirmou que mantinha desentendimentos com Leonardo por causa de um muro que separava os imóveis, mas afirmou que o problema havia sido resolvido. Segundo ele, o último conflito entre os dois envolveu uma calçada no condomínio.


Entenda o caso

  • O casal foi encontrado morto na manhã dessa sexta-feira (17/7), no quintal de casa, na região da Ponte Alta (DF).
  • O empresário Evandro Gabriel Ferreira, 60 anos, foi preso suspeito de cometer o duplo homicídio.
  • Informações apontam que o crime pode ter sido motivado por uma briga entre os vizinhos. Um muro, mais especificamente, seria a principal causa da desavença entre Evandro e as vítimas.
  • Moradores relataram ter ouvido disparos de arma de fogo na tarde de quinta-feira (16/7), por volta das 15h.

“É porque ele [Leonardo] foi lá, quebrou a minha calçada toda, e eu tomei as atitudes corretíssimas. Eu liguei para a polícia, a polícia chegou, e em um determinado momento, quando a gente estava à par, só eu e ele tentando negociar, ele me pediu uma propina de R$ 50 mil e eu neguei”, disse.

Segundo Evandro, ele não conseguiu relatar a suposta cobrança aos policiais porque não havia gravado a conversa. “Mas eu não importei com essa propina de R$ 50 mil, eu só disse o seguinte: ‘infelizmente, eu não vou fazer isso, porque você está quebrando o que é meu'”, acrescentou.

O empresário também afirmou que não ouviu os disparos registrados por moradores na tarde de quinta-feira (16/7) porque tem perda auditiva no ouvido esquerdo.

“Eu tenho um zumbido muito grande e a minha otorrino falou que não tem cura”, explicou. E continuou: “Então, muitas vezes, eu não escuto muitos barulhos e só ouço muitos fogos lá na redondeza, fogos de artifício, assim, sabe? Então, se teve, deve ter tido outros no decorrer do dia também […]. Devido à Copa do Mundo e tudo, eu não levei em consideração”, disse.

Ao ser questionado pelo delegado se saberia quem matou Leonardo e Rayane, Evandro afirmou que não faz ideia de quem cometeu o crime e disse que dormiu durante a noite após tomar um medicamento.

“Não tenho a mínima, mínima ideia, porque quando eu terminei o sono no sofá, eu subi, tomei o meu Diazepam, que eu preciso tomar para dormir. Fiz até errado, porque tinha tomado uma cervejinha antes, né? E fui dormir. E quando eu tomo o Diazepam, eu durmo até mais tarde”, finalizou.

Ficha criminal

Evandro possui extensa ficha criminal, que inclui três registros por homicídio. Em um dos casos, foi condenado por matar a tiros o próprio sobrinho, Alex Johne Vieira, de 23 anos.

O crime ocorreu em 1º de novembro de 2008. Segundo o processo, tio e sobrinho passaram o dia anterior juntos, consumindo bebida alcoólica em Samambaia. Por volta das 2h30, Alex levou Evandro para casa, no Recanto das Emas, quando foi morto a tiros.

O empresário também foi condenado por perseguir a ex-companheira no contexto da Lei Maria da Penha. Em setembro de 2024, teve a prisão preventiva decretada pela Justiça do Distrito Federal a pedido do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT).

Na ocasião, foi condenado a 10 meses e 15 dias de prisão pelo crime de stalking. De acordo com o processo, ele não aceitava o fim do casamento, que durou 32 anos. A vítima relatou ter medo de sair de casa em razão das perseguições. Apesar da condenação e da prisão preventiva, Evandro acabou sendo colocado em liberdade.

O duplo homicídio é investigado pela 20ª Delegacia de Polícia (Gama), da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF).