Vítima de nutricionista fake comenta o caso: “Muito bom vê-la exposta”

Thaina Nunes usou as redes sociais para comemorar a decisão da Justiça de tornar ré Thainah Ohana, nutricionista fake que usava seu registro

atualizado

metropoles.com

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Nutricionista fake golpe
1 de 1 Nutricionista fake golpe - Foto: Arte / Metrópoles

Após o Metrópoles revelar em primeiro mão a denúncia aceita pela Justiça do DF contra a “nutricionista fake” Thainah Ohana dos Santos – também acusada por desviar mais de R$ 130 mil dos avós -, a profissional que teve o registro usado pela ré comemorou a repercussão do caso. Nas redes, a nutricionista formada Thaina Azevedo Nunes destacou o alívio ao ver o desdobramento judiciais dos fatos.

Muito bom vê-la sendo exposta“, disse Thaina ao comentar na publicação da notícia no perfil do Metrópoles.

Aos seguidores, a nutricionista chegou a compartilhar em seus stories a matéria e ressaltou que a “Justiça tarda, mas não falha”. Em seguida, ela contextualizou toda a história do caso.

“Essa pessoa [Thainah] estava usando o meu CRN por anos e eu só fiquei sabendo em março do ano passado, quando eu comecei a ser procurada por várias pessoas no meu perfil. Elas vinham me perguntar: ‘você é fulana de tal? você é nutricionista?’ […] E eu achei muito estranho, porque eu já não estava mais atuando como nutricionista há algum tempo”, contou.

Foi, então, que três mulheres alertaram a nutricionista sobre o ocorrido e ela decidiu ir atrás para entender o que estava acontecendo. Ao identificar a real situação, levou a denúncia ao Conselho Regional de Nutrição (CRN-1) que a aconselhou registrar a ocorrência. Segundo Thaina, a situação inteira foi muito “estressante”.

“Ela se aproveitou de que temos um nome igual. Só a grafia escrita que não é igual, e mesmo assim ela estava usando […] O que ela estava fazendo colocava em riscos as pessoas também. Não foi só um risco para mim, foi um risco para todo mundo e para quem estava sendo atendido […] Se rolasse alguma coisa [ruim com o paciente], eu ia sair muito prejudicada, porque no final das contas meu registro que estava lá. Ela podia muito bem se livrar de tudo isso”, concluiu.

Metrópoles tentou contato com a acusada para prestar esclarecimentos sobre as acusações, mas não conseguiu localizar a defesa.

O trabalho da “nutricionista”

Segundo a denúncia do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), a ré praticou a profissão ilegalmente por pelo menos dois anos, mesmo sem possuir um diploma de graduação na área.

Moradora do Gama (DF), Thainah compartilhava seu número pessoal em grupos de mensagens como nutricionista. O contato era amplamente divulgado pela acusada por meio de cartões personalizados e publicações nas redes sociais.

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As investigações da 14ª Delegacia de Polícia (Gama) ainda revelam que a acusada prestava atendimentos domiciliares e on-line, elaborava planos alimentares, realizava exames de bioimpedância e ainda prescrevia suplementos, além de prescrever fórmulas manipuladas a diversos clientes.

O CRN-1 se pronunciou dizendo que recebeu a denúncia do caso e fez o encaminhamento às autoridades. “O Conselho Regional de Nutrição já havia tomado providências formais diante de denúncias relacionadas ao possível exercício ilegal da profissão. Após a atuação da Gerência de Fiscalização e análise jurídica, o caso foi encaminhado às autoridades competentes, culminando na instauração de inquérito policial da PCDF”, diz a nota publicada nas redes sociais.

Veja:

Em depoimento à Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), um paciente da “nutricionista” contou que Thainah aproveitava a rede de clientes para promover rifas e pedir doações, alegando destinação a um tratamento de saúde da mãe.

Simultaneamente, a acusada ainda anunciava a venda de diversos itens luxuosos no grupo do condomínio onde mora. Segundo relato, a chave Pix informada, tanto para as doações quanto para as vendas, não constava o nome de Thainah ou de sua mãe.

Desvio de mais de R$ 130 mil dos avós

A denúncia do exercício ilegal da profissão de Thainah também consta nos autos apresentados pelo MPDFT contra ré, juntamente as acusações de desvio de dinheiro e bens dos próprios avós, ambos de 87 anos.

Segundo as diligências da polícia, a investigada é acusada de extorquir ao menos R$ 130 mil dos familiares.


Entenda o caso

  • Thainah Ohana dos Santos Maia, 34, aproveitou-se da idade avançada e da relação de confiança com os avós, para ocultar informações bancárias do casal e até utilizar documentos falsos para enganar as vítimas. Ela era a responsável pelas finanças dos progenitores;
  • As investigações tiveram início após a avó da autora registrar na delegacia uma ocorrência, em janeiro de 2025, sobre o desparecimento de aproximadamente R$ 87 mil em sua conta poupança;
  • A vítima passou a desconfiar da atuação da própria neta nas movimentações financeiras. Ela, inclusive, chegou a pedir para neta a comprovação do extrato. Na ocasião, Thainah chegou a imprimir um documento, mas o falsificou ao escrever sorrateiramente o valor de R$ 87 mil a caneta;
  • Após investigações da 14ª DP, foi descoberto que a neta ainda realizava transferências da conta de sua avó, via Pix, às suas contas pessoais;
  • Além de extorquir o dinheiro da avó, a réu manipulou documentos, gerou dívidas e fez falsas promessas ao seu avô por quase dois anos.

Denúncias do avô

  • A acusada manipulou os comprovantes de despesas obrigatórias do seu avô, como as contas de luz, água, IPTU e IPVA, gerando uma dívida acumulada de R$ 31 mil à vítima;
  • Em uma outra enganação ao idoso, a denunciada se disponibilizou a pagar um tratamento odontológico ao avô no valor de R$ 30 mil. A extração completa chegou a ser feita, no entanto, a neta não levou mais o idoso à clínica para dar continuidade ao tratamento e não efetuou o pagamento;
  • Thainah também falsificou o extrato do banco do avô ao apresentar um documento que constava o valor de R$ 346 mil na conta da vítima, quando, na realidade, possuía pouco mais de R$ 2,7 mil.

Diante de todos os fatos investigados, a suspeita está sendo indiciada por falsa identidade e estelionato, segundo o Tribunal da Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT).

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