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Ainda está preso na 15ª Delegacia de Polícia, em Ceilândia Sul, o fiscal da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) flagrado cobrando propina de um comerciante nessa quinta-feira (12/7). José Luiz Bonfim Braga, 53 anos, responderá por concussão e, se condenado, pode pegar até oito anos de prisão. Até a tarde desta sexta (13), ele não havia pago a fiança de R$ 10 mil instituída pela Justiça.

Segundo o delegado-chefe da 15ª DP, André Luís da Costa, o servidor foi flagrado no momento em que recebia vantagem indevida para não autuar uma distribuidora de gás de Ceilândia. O valor cobrado por ele seria de 10% sobre multa cobrada, de R$ 15 mil.

Em nova imagem a qual o Metrópoles teve acesso, é possível ver José Luiz negociando o valor da suposta propina com o proprietário da distribuidora instalada em Ceilândia. No vídeo, gravado pelo próprio comerciante no estabelecimento, ele aparece desconfiado e questiona o proprietário sobre possíveis câmeras de segurança no escritório, capazes de gravar a negociação ilícita.

 

 

Durante a negociação, o comerciante pede a ajuda do fiscal. Ele responde que “para evitar a dor de cabeça mais o gasto de R$ 20 mil com multas”, o preço seria de R$ 1,5 mil. Assustado com o alto valor, o comerciante então oferece R$ 1 mil em dinheiro ao servidor, que rebate: “Fiz tudo que podia. Te dei consultoria e ainda deixei de te autuar da outra vez. Vamos fechar em R$ 1.350 então. Vou te ajudar mais um pouquinho ainda. Não podia, mas vou”.

Foi o empresário quem denunciou a cobrança de propina à ANP. A Agência então acionou a Policia Civil, que fez o flagrante na quinta (12)O delegado não descarta existirem novas vítimas do servidor. “Não recebemos novas informações. A princípio, teria sido só esse caso, mas estamos investigando e não podemos desconsiderar a hipótese. Veremos se mais pessoas se encorajam e denunciam a prática”, explicou.

 

Em nota, a ANP diz que recebeu denúncia sobre a suposta conduta irregular do servidor no fim da tarde dessa quarta (11). Nessa quinta (12), no início da tarde, acionou a Polícia Civil do Distrito Federal, que acompanhou o trabalho do agente de fiscalização e acabou fazendo a prisão em flagrante.

“A ANP imediatamente suspendeu o servidor das suas funções e abrirá processo administrativo disciplinar para apuração dos fatos dentro do devido processo legal, observando os direitos da ampla defesa e do contraditório”, destacou a Agência.

O órgão ainda finaliza o documento reforçando “sua atuação firme frente a todo e qualquer desvio de conduta dos seus servidores, bem como o seu compromisso com a ética e os princípios administrativos”.