Vídeo. Homem diz que irmão foi preso no lugar dele: “O criminoso sou eu”

Vicente Wallace estava foragido por um furto que, quando cometeu, deu o nome do irmão Denis à polícia. Na sexta (8), Denis foi preso no DF

atualizado 15/10/2021 14:48

Reprodução/Vídeo

A família de um morador do Recanto das Emas, no Distrito Federal, denuncia que ele foi preso no lugar do irmão, na última sexta-feira (8/10). A esposa de Denis Goulart Lopes, de 38 anos, conta que ele é salgadeiro em uma padaria na região e estava no trabalho quando policiais chegaram com um mandado de prisão no nome dele, por um furto cometido em 2009, em Uberlândia (MG). Porém, quem cometeu o crime seria o irmão de Denis, Vicente Wallace Goulart Lopes, 33 anos, que, ao ser preso na época, deu o nome do familiar.

Ao Metrópoles, Vicente Wallace assumiu ter cometido o crime e disse estar arrependido de ter se passado por Denis. “Estou arrependidíssimo. O que eu quero é que meu irmão saia, porque ele nunca foi criminoso. Estou desesperado, muito preocupado com ele”, afirmou.

Wallace relata que quando foi preso em flagrante em Minas Gerais ficou detido por um mês. Ele havia cometido furto em uma unidade das Lojas Americanas de Uberlândia.

“Quando me abordaram, eu disse que não tinha documentos. Falei o nome do meu irmão, dei a data de nascimento dele também, o nome do pai e da mãe. Aí tiraram minhas digitais, deixaram na delegacia e, de um dia para o outro, me levaram para o presídio. Lá, tirei foto e dei as digitais de novo e fiquei preso por um mês, porque minha irmã pagou um advogado e me tirou de lá para eu responder em liberdade. Depois disso, eu me mudei para Goiânia”, narra.

Ele diz que, após mudar para o estado de Goiás, não voltou para o julgamento do caso. Desde então, o homem era tido como foragido, mas o nome procurado pela Justiça de Minas era o de Denis.

Já em Goiânia, Wallace cometeu outro crime, de roubo, e novamente apresentou-se como Denis Goulart Lopes. Ele começou a cumprir a pena em 13 de agosto de 2010. Após passar para o regime semiaberto, tornou-se foragido em junho de 2012.

Veja os dois mandados de prisão que foram abertos contra Denis:

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Após a prisão de Denis nesta sexta-feira, no DF, Wallace contratou uma advogada, na tentativa de comprovar a inocência do irmão. A defensora, Rayane Duarte Pereira, comenta que ainda tenta ter acesso ao processo de Uberlândia.

“O processo de Minas é de 2009 e, nessa época, não tinha processo eletrônico, então ele ainda é físico. Estou entrando em contato com colegas de Minas para poder pegar cópias”, disse.

De acordo com ela, a defesa pedirá indenização a Denis. “Nesse caso de Goiânia a gente vai ter que entrar com uma revisão criminal, porque teve uma sentença no nome dele [Denis] sendo que ele não cometeu crime. Já tem um processo na própria execução penal, no nome dele, sendo que ele nunca nem compareceu ao presídio”, pontuou.

“Então, essas provas de Goiânia também vão servir para comprovar que não era ele que estava preso. Documentos de lá que tem a foto dele, tudo isso será pedido para juntar nesse processo de Minas. E vamos pedir indenização do Estado, porque teve uma condenação injusta”, informou a advogada.

Preocupação

Esposa de Denis, a professora Bruna Rabelo, de 34 anos, diz que a família está “muito preocupada” com ele. “Meu marido nunca teve problema com a polícia”, desabafa. “Ele estava trabalhando e a polícia foi lá e o prendeu no lugar do irmão”, acrescentou.

Em vídeo, Wallace pede para que o irmão seja inocentado e assume os crimes que cometeu. “Estou correndo atrás agora para provar isso. Podem pegar a foto que tem no presídio e a digital e comparar com ele, que vão ver que é diferente”, assinalou.

Veja o que diz Vicente Wallace:

O que dizem os órgãos envolvidos

Procurada para se manifestar sobre a prisão de Denis, a PCDF informou que “deu cumprimento a dois mandados de prisão, sendo um condenatório do TJGO e outro preventivo do TJMG, ambos em desfavor do autor”. “A investigação dos crimes ocorreu em outro estado. A PCDF apenas deu cumprimento ao mandado”, afirma a corporação.

Já a Polícia Civil de Minas Gerais diz que “considerando que a referida prisão não foi realizada pela Polícia Civil de Minas Gerais, que o procedimento relativo ao fato ocorrido em Uberlândia foi remetido à Justiça e que se trata de mandado de prisão judicial, cabe ao Poder Judiciário o repasse das informações”.

O Metrópoles também procurou a Polícia Civil de Goiás, bem como as Justiças de Minas e de Goiás, mas não recebeu retorno até a publicação desta reportagem. O espaço permanece aberto para esclarecimentos.

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