Via-Sacra leva 100 mil fiéis ao Morro da Capelinha, em dia de fé e oração. Veja vídeo
Encenação, realizada a céu aberto, percorre diferentes cenários que representam os últimos momentos de Jesus Cristo, desde a prisão à morte
atualizado
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A tradicional Via-Sacra no Morro da Capelinha, em Planaltina (DF), reuniu mais de 100 mil fiéis nesta Sexta-feira Santa (3/4). A encenação, realizada a céu aberto, percorre diferentes cenários que representaram os últimos momentos de Jesus Cristo, desde a prisão — com a presença de soldados romanos —, passando pelo julgamento e pela libertação de Barrabás, até a crucificação, prevista para o início da noite.
Mesmo com previsão de chuva, o tempo colaborou. Durante a cena do açoite de Jesus, sob leves pingos, um arco-íris se formou no céu, emocionando os fiéis presentes. Por volta das 18h, o ator que interpreta Jesus ainda carregava a cruz e seguia o trajeto de cerca de quatro quilômetros até o topo do morro. A maior expectativa do público foi para os momentos finais da encenação, com a crucificação e a ressurreição de Cristo. O primeiro ato ocorreu às 19h30 e o segundo, estava previsto para ocorrer às 22h.
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O arcebispo de Brasília, cardeal Dom Paulo Cézar, exaltou o tamanho da celebração: “São 167 paróquias da Arquidiocese de Brasília. Claro que nem todas vêm, mas pelo menos um representante. É algo que eu indico a todos católicos participar. A apresentação nos ajuda a viver o acontecimento. É a melhor via sacra de Brasília”, afirma.
Logo no início da encenação, o espetáculo já chamava a atenção do pequeno José Henrique Figueiredo, que viveu um dia duplamente especial: além de acompanhar a Via Sacra pela primeira vez, comemorou o aniversário de 4 anos.
Os pais, Rodrigo Figueiredo, analista de crédito, e Lorena Marinho, professora de educação infantil, atenderam ao pedido do filho e reforçam a tradição familiar. Morador de Arapoanga, Rodrigo conta que cresceu participando da celebração.
“Minha mãe me trazia quando eu era pequeno. A fé sempre esteve presente na nossa vida. Agora é a vez dele viver isso também, dar continuidade à tradição cristã na nossa família”, diz.
A fé também move histórias de superação. Joaquim Fernandes de Queiroz, de 59 anos, participa da caminhada em busca de recomeço. Diagnosticado com epilepsia em 2003, ele sobe o morro para cumprir uma promessa.
“Desde o ocorrido, sou dependente da minha família. Minha mãe cuidava de mim, mas ela morreu no ano passado. Hoje moro com minha sobrinha e quero ser mais independente, não quero dar trabalho para ninguém”, relata.
Estrutura integrada
O planejamento da operação foi consolidado pela Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal (SSP-DF), após reuniões com diversos órgãos. O esquema prevê atuação integrada nas áreas de saúde, mobilidade, limpeza urbana e fiscalização, além das forças de segurança.
Como parte da estratégia, foi montada a Cidade da Segurança Pública, base que concentra equipes, viaturas e centros de comando. A Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) atua desde as 6h, com apoio de unidades especializadas, como trânsito, cavalaria, aviação, BPCães e choque.
Durante o evento, foram realizadas revistas pessoais em pontos estratégicos, e não foi permitido o acesso com objetos que possam comprometer a segurança. O uso de drones particulares também foi proibido.
O Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF) mobilizou 215 militares e 25 viaturas, com foco em atendimento pré-hospitalar, salvamento e combate a incêndios. Devido à topografia íngreme do Morro da Capelinha, equipes especializadas em salvamento em altura foram posicionadas.
A Secretaria de Saúde mantém postos de atendimento em pontos estratégicos, enquanto a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) reforçou o atendimento nas delegacias de Planaltina e Sobradinho para ampliar a capacidade de resposta durante a celebração.













































