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Venezuelanos que vivem no DF: “Ataque foi perto de nossas famílias”

Segundo a comunidade indígena Warai Coromoto, uma guerra vai agravar os problemas no país e colocará em risco suas famílias

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1 de 1 Indígena venezuelano - Metrópoles - Foto: BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto

Era madrugada quando o telefone tocou na comunidade venezuelana Warao Coromoto para informar sobre o ataque dos EUA na Venezuela, no último sábado (6/1). Localizada na região do Café sem Troco, no Paranoá (DF), a comunidade é composta por 124 indígenas venezuelanos, sendo 42 crianças. Eles chegaram à capital do país em 2018, para fugir da fome, doenças e do desemprego. Naquela época, a crise econômica do país fez com que milhares de venezuelanos deixassem o país em busca de oportunidades. Agora, à distância, a preocupação com os familiares que ficaram se agrava em função da instabilidade política na Venezuela.

Assim que começou o ataque das forças norte americanas em Caracas, o telefone tocou no DF: “Nossos familiares nos ligaram na mesma hora do ataque. Eles moram perto dos locais atacados e ficaram com medo de ser atingidos. Ficamos muito preocupados”, contou o cacique Costantino Zapata, de 39 anos.

A comunidade não deseja guerra. Para os Warao Coromoto, além das mortes, um conflito vai agravar os problemas sociais no país. “Queremos paz na Venezuela, como nos demais países”, afirmou Zapata.

O sentimento é compartihado por Wilfredo Zanbrano Borges, 32, monitor de educação comunitário da Escola Classe Café sem Troco. “Não queremos guerra”, completou. Wilfredo lembrou da conversa com a família após o ataque dos EUA. “Eles disseram que a situação da Venezuela está muito díficil. Espero que meus familiares venham para o Brasil”, reforçou.

Embora busquem se afastar do conflito armado, os indígenas também defendem uma democracia real na Venezuela. Wilfredo e Zapata não pretendem voltar ao país natal, mas desejam dias mais tranquilos para a Venezuela, com melhores condições de vida e chance de emprego para todo o povo venezuelano.

Para eles, o futuro da Venezuela é incerto. “Estamos em outro momento. Não sabemos se as coisas na Venezuela vão melhor ou não. Qual será o governo da Venezuela? Não pensamos mais em voltar. Saímos da Venezuela para o Brasil buscando uma base melhor para nossas vidas”, argumentou o cacique.


Veja:

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Segundo o cacique Zapata, a comunidade está preocupada com a segurança de parentes
Os Warao Coromoto fugiram para o Brasil para fugir da fome, desemprego e falta de saúde
De acordo Wilfredo, uma guerra pode piorar os problemas sociais da Venezuela
Os Warao não pretendem voltar para a Venezuela
A comunidade enfrenta desafios, como a falta de casas
A comunidade indígena venezuelana Warao Coromoto tem medo dos desbramentos da crise na Venezuela
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A comunidade indígena venezuelana Warao Coromoto tem medo dos desbramentos da crise na Venezuela

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Segundo o cacique Zapata, a comunidade está preocupada com a segurança de parentes
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Segundo o cacique Zapata, a comunidade está preocupada com a segurança de parentes

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Os Warao Coromoto fugiram para o Brasil para fugir da fome, desemprego e falta de saúde
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Os Warao Coromoto fugiram para o Brasil para fugir da fome, desemprego e falta de saúde

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De acordo Wilfredo, uma guerra pode piorar os problemas sociais da Venezuela
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De acordo Wilfredo, uma guerra pode piorar os problemas sociais da Venezuela

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Os Warao não pretendem voltar para a Venezuela
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Os Warao não pretendem voltar para a Venezuela

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A comunidade enfrenta desafios, como a falta de casas
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A comunidade enfrenta desafios, como a falta de casas

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Incerteza e fome

Segundo o cacique Zapata, as famílias que ficaram na Venezuela enfrentam um momento de incerteza e muitas estão sem alimentos para as crianças. Antes dos ataques, a comunidade nutria o sonho de também buscar refúgio no Brasil. Mas não havia dinheiro suficiente para a travessia da fronteira. “A vida na Venezuela está muito díficil. Fome, pouca saúde, desemprego. Acabou tudo”, lamentou. Por isso, Zapata, sonha com a vinda dos parentes para o DF.

De acordo com Zapata, no Brasil, a comunidade tem apoio dos programas Bolsa Família, Prato Cheio, acesso à saúde pública e as crianças estão na escola. Mas ainda há uma série de desafios. Os adultos precisam de aulas de português. As famílias vivem em barracas, funcionais para clima frio e de chuva, mas quentes e desconfortáveis nos dias de sol e calor. “Não são casas”, pontuou. Precisam de melhores banheiros e investimento para a cozinha e alimentos.

Segundo a Agência da Organização das Nações Unidas (ONU) para Refugiados (UNHCR/ACNUR), pelo programa de interiorização do Governo do Brasil, em que venezuelanos embarcam voluntariamente desde Boa Vista (RR) para outras cidades brasileiras, o DF tem atualmente 3.857 venezuelanos interiorizados. Deste total, 195 são indígenas.

 

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