Venezuelanos no DF vivem angústia por familiares após terremotos no país. Veja vídeo
Imigrantes que têm familiares na Venezuela acompanham com apreensão os desdobramentos dos terremotos que atingiram o país vizinho

Venezuelanos que vivem em Brasília e têm familiares na Venezuela acompanham com apreensão os desdobramentos dos terremotos que atingiram o país na noite de quarta-feira (24/6). A distância não ameniza a angústia de quem tenta obter notícias de parentes e amigos em meio aos impactos provocados pelos tremores.
Uma plataforma criada pelos próprios venezuelanos, de maneira voluntária, tem mais de 40 mil pessoas registradas por familiares e amigos como desaparecidas após terremotos. Segundo o governo venezuelano, 188 pessoas morreram em consequência dos terremotos, enquanto mais de 1,5 mil ficaram feridas.
O designer Marcos Salas-Botía é natural de Caracas, mas mora fora do país há mais de 10 anos. Ele conta que vive a angústia à distância, especialmente por ter familiares e amigos morando na Venezuela.
“A gente está acompanhando pelas redes sociais. É muito forte tudo. Lá mora a família da minha mãe, minha avó, tias, tios e alguns amigos que não emigraram”, relata.
Ele afirma que, apesar do medo inicial, a família próxima está segura, mas há preocupação com pessoas desaparecidas e com a dimensão da destruição em algumas áreas.
“Nossa família e amigos próximos que sabemos estão seguros. A gente presencia tudo com muita tristeza. Graças a Deus, não há relatos de mortes entre nossos conhecidos. Mesmo assim, é uma situação para a qual o país não estava preparado, de tanta destruição. Tem muita gente desaparecida”, diz.
O venezuelano também relata a situação em áreas como La Guaira, que teriam sido fortemente atingidas, além da mobilização de equipes de resgate na capital.
“Conversei com um amigo de infância que é bombeiro da Universidad Central de Venezuela, em Caracas. Ele está em La Guaira, um local muito afetado, ajudando. O perigoso é esse povo que ficou vivo dentro dos prédios que caíram. Esperamos que as equipes de resgate possam continuar as buscas por muitos dias”, menciona.
Ele mencionou, ainda, a movimentação de venezuelanos durante o tremor, que coincidiu com um feriado local, o que fez com que muitas pessoas estivessem fora de prédios no momento dos abalos.
“Uma amiga que mora lá me falou que muita gente saiu da cidade e foi para a praia. Caracas tem uma montanha que separa a cidade do litoral, então muita gente foi para La Guaira. Chegaram muitos vídeos de prédios destruídos, alguns muito frágeis”, afirma.
Segundo ele, seus familiares conseguiram se proteger durante os tremores e sofreram apenas danos materiais leves, mas relataram que viveram momentos de forte tensão.
“Graças a Deus, o apartamento deles não sofreu muitos danos, apenas marcas na fachada. Eles dormiram muito pouco, cerca de duas horas, e sentiram outro tremor leve de madrugada. Dormiram embaixo de uma coluna, muito assustados”, completa.
Desabrigados
O venezuelano Jesus Rumaldo Melendez vive há quatro anos em Brasília. O paratleta relatou dificuldade de comunicação com a família que mora na Venezuela. De acordo com ele, os parentes tiveram perdas materiais e estão desabrigados em Caracas.
A família da esposa dele foi diretamente afetada pelos terremotos. Eles tiveram o prédio em que moravam atingido pelos tremores, mas conseguiram sair rápido do imóvel.
“Eles perderam tudo. Ontem, tiveram que dormir na rua. Meu sogro precisou pegar um telefone emprestado para conseguir falar conosco. Só tiveram perdas materiais, mas está complicada a situação deles lá”, relata.
Ele afirma que a situação gerou forte abalo emocional na família, especialmente pela incerteza quanto ao paradeiro de alguns conhecidos.
“O sentimento é de tristeza, porque o nosso país está destruído e acabou dessa forma, está piorando. Eles perderam casa, amigos estão desaparecidos e não estão conseguindo contato”, lamenta.
Segundo ele, os familiares atingidos incluem idosos com problemas de saúde, o que aumenta a preocupação com o bem-estar deles na Venezuela.
Veja imagens da tragédia:
Dois terremotos em menos de um minuto
- Os tremores ocorreram no fim da tarde de quarta-feira. Inicialmente, o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) informou a ocorrência de apenas um terremoto, com magnitude 7,1.
- Horas depois, o órgão atualizou os dados e confirmou os dois grandes abalos sísmicos.
- O primeiro terremoto atingiu a região próxima à cidade de San Felipe, com magnitude 7,2 e profundidade de 21,9 quilômetros.
- Apenas 39 segundos depois, um segundo tremor, ainda mais forte, foi registrado nas proximidades de Yumare, alcançando magnitude 7,5.
- Por terem ocorrido em baixa profundidade, os terremotos foram sentidos em uma ampla área do norte da América do Sul e do Caribe.
Na tarde dessa quinta-feira (25/6), um novo terremoto voltou a atingir a Venezuela. Segundo informações da Fundação Venezuelana de Investigações Sismológicas (FUNVISIS), o abalo sísmico, de magnitude 4,0, atingiu o território.
A FUNVISIS afirmou que o evento foi registrado na cidade de Bachaquero, no estado de Zulia. O local está a aproximadamente 300 km de Yumare, onde aconteceu o epicentro dos terremotos de 7,2 e 7,5 na Venezuela.
Por conta da situação, a presidente interina Delcy Rodríguez decretou estado de emergência na Venezuela.

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