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Distrito Federal

UnB será palco de pedido de desculpas do Estado por vítima da ditadura

Cerimônia será às 16h, no Auditório da Faculdade de Direito da UnB, em homenagem ao ex-aluno Paulo de Tarso Celestino da Silva

01/07/2026 17:32
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Reprodução/UnB
UnB será palco de pedido de desculpas do Estado por vítima da ditadura

A Universidade de Brasília (UnB) será palco, nesta quinta-feira (2/7), de um ato público em que o Estado brasileiro fará um pedido oficial de desculpas à população em reconhecimento às violações de direitos humanos cometidas durante a ditadura militar. A cerimônia será dedicada à memória de Paulo de Tarso Celestino da Silva, ex-aluno da Faculdade de Direito da instituição que desapareceu após ser preso pelo regime em 1971.

O evento ocorrerá às 16h, no Auditório Esperança Garcia, da Faculdade de Direito da UnB, no Campus Darcy Ribeiro. A iniciativa é promovida pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), em parceria com a universidade, e integra as ações de memória, verdade e reparação conduzidas pela pasta.

O ato contará com a presença da ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Janine Mello; do chefe da Assessoria Especial de Defesa da Democracia, Memória e Verdade do MDHC, Hamilton Pereira; da reitora da UnB, Rozana Naves; de familiares e ex-colegas de Paulo de Tarso, além de representantes da comunidade acadêmica e autoridades.

Em nota, a reitora da UnB, Rozana Naves, afirmou que o pedido público de desculpas reconhece as violações de direitos humanos cometidas pelo Estado durante a ditadura militar. “O pedido público de desculpas reconhece uma das mais graves violações de direitos humanos da história brasileira: a perseguição, a prisão, a tortura, os assassinatos e o desaparecimento de pessoas durante a ditadura militar.”

Já a ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Janine Mello, disse que a cerimônia reafirma o compromisso do governo federal com as políticas de memória, verdade e reparação. “O ato reforça o compromisso do governo brasileiro com o direito à memória e à verdade como instrumento de não repetição de violações de direitos, da tortura e do desaparecimento forçado.”

Quem foi Paulo de Tarso Celestino

Paulo de Tarso Celestino da Silva graduou-se em direito pela UnB em 1969 e teve atuação destacada no movimento estudantil, presidindo a Federação dos Estudantes Universitários de Brasília. Em 12 de julho de 1971, aos 27 anos, foi preso no Rio de Janeiro por agentes do Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi) e nunca mais foi visto.

Relatos reunidos por comissões da verdade e pelo Memorial da Resistência apontam que ele foi levado para a chamada Casa da Morte, em Petrópolis (RJ), centro clandestino de tortura da repressão, onde teria sido submetido a sessões de tortura antes de desaparecer. Até hoje, seu paradeiro é desconhecido.

Paulo de Tarso foi reconhecido como morto pela Lei nº 9.140, de 1995, que reconhece a responsabilidade do Estado pelas mortes e desaparecimentos de pessoas perseguidas durante a ditadura militar. Em 2025, o Ministério Público Federal também ajuizou uma ação civil pública para responsabilizar ex-integrantes do Centro de Inteligência do Exército (CIE) por sua prisão ilegal, tortura e desaparecimento, além de solicitar medidas de reparação simbólica.