UnB prevê 2,6 mil mortes e pico do coronavírus no DF até dezembro

Pesquisadores traçam cenários sobre evolução da doença na capital. O mais provável, segundo eles, leva em conta flexibilização do isolamento

atualizado 27/04/2020 18:01

Pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB) projetam quando será o período de pico para os casos do novo coronavírus no Distrito Federal. Foram identificados quatro prováveis cenários para a evolução da doença no DF, sendo que o mais factível, segundo os estudiosos, prevê que, em função da flexibilização e do relaxamento das medidas de isolamento social, o ápice deverá ocorrer entre agosto e dezembro deste ano. Essa análise aponta, ainda, que a doença pode matar até 2.634 pessoas na capital do país.

De acordo com os especialistas que assinam a nota técnica divulgada pela universidade, o documento não tem o objetivo de gerar pânico na sociedade, mas sim informar ao Governo do DF (GDF) e à população, com dados científicos, para que tomem decisões a respeito da batalha contra a pandemia. Os pesquisadores analisaram as medidas e os fatos ocorridos até o momento e também fizeram propostas de novas ações.

O primeiro cenário parte do princípio de uma eventual omissão completa do GDF, dos órgãos de controle e da sociedade. Nele, a doença mataria 6.569 pessoas. No entanto os pesquisadores descartam essa possibilidade, justamente por que o governo e grande parte da sociedade estão engajados, até o momento, na luta contra o coronavírus.

O segundo cenário leva em consideração uma ligeira flexibilização das medidas de controle e do isolamento. Nele, o pico da doença seria entre agosto e dezembro. Nesse caso, a previsão de mortes é de 777 pessoas. Em linhas gerais, é uma situação mais equilibrada e requer medidas sustentáveis para ser concretizada. Nessa análise, é possível fazer o achatamento da curva de contaminação.

O cenário de número três tem como norte um eventual relaxamento moderado. Nele, o pico da Covid-19 no DF será entre agosto e outubro. O total de óbitos chegará a 2.634. Nessa situação, há risco de sobrecarga no sistema de saúde, justamente em função do grande número de infectados. Nesse caso, são necessários, pelo menos, 423 leitos de unidades de tratamento intensivo (UTIs) e 983 leitos convencionais para internação.

O último cenário seria aquele no qual as medidas de contenção fossem ainda mais rígidas do que as atuais. O pico da doença seria ainda em maio. Caso ocorresse, o número provável de mortes chegaria a 112. Do ponto de vista dos pesquisadores, essa projeção depende de medidas severas e, por isso, pode ser insustentável.

Isolamento social

Na leitura dos pesquisadores, os cenários mais prováveis para o DF são o dois e o três, com relaxamento ligeiro ou moderado das medidas de controle e isolamento social. O estudo também ratificou a eficácia dos resultados dos decretos do GDF para suspensão das atividades locais e implantação do isolamento social. Ambos resultaram na diminuição dos casos no DF.

Para melhorar o combate contra a pandemia, a nota técnica sugere ao governo que analise e proponha soluções estratificadas, por regiões. Isso reduz o impacto generalizado das medidas e otimiza os resultados. Afinal, por exemplo, a realidade de Brazlândia é diferente do contexto do Sudoeste.

A nota técnica também recomenda avaliações em ciclos curtos para calibrar melhor a leitura de cenários e as tomadas de decisão. Além da coleta de dados, é preciso definir protocolos por região. Atualmente, o foco tem sido o distanciamento social. Também pode ser efetivo segregar os contatos por grupos de pessoas. Os pesquisadores reforçaram a importância da divulgação constante de informação para a população.

Resiliência

Os pesquisadores sugerem, ainda, a adoção de medidas resilientes, com o menor impacto possível e com maior capacidade de duração. Nesse compasso, é importante a apresentação de contrapesos para cada ação. Se determinada atividade precisar ser suspensa novamente, na mesma hora, os gestores devem apresentar medidas para apoiar o setor. Esse cuidado evita a propagação da insegurança social.

O estudo destacou a importância da gestão da infraestrutura hospitalar com o fornecimento de insumos e equipamentos de proteção individual (EPIs), bem como a definição de protocolos para o tratamento da Covid-19. Também são necessárias a promoção do acompanhamento psicológico e a alteração da dinâmica da sociedade.

Por fim, a nota ressalta a importância da governança compartilhada com os estados vizinhos, especialmente no Entorno do DF. Afinal, grande parte dos moradores dessas cidades trabalha e usa os serviços públicos e privados do DF.

O estudo pode ser lido na íntegra pelo link.

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