“Um facínora, um assassino perigosíssimo”, diz governador de Goiás sobre Lázaro

Ronaldo Caiado disse que está preocupado com o caso. O governador afirmou que espera que o homem seja preso até o final desta semana

atualizado 16/06/2021 12:00

Ronaldo Caiado (DEM), governador de GoiásVinícius Schmidt/Metrópoles

Goiânia – O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM), comentou sobre a perseguição das polícias de Goiás, do Distrito Federal e federal a Lázaro Barbosa, de 32 anos, autor de uma chacina ocorrida no Incra 9, Ceilândia, na quarta-feira passada (9/6). O suspeito continua foragido, escondido na zona rural de Cocalzinho (GO), no Entorno do DF.

“O quadro é de um facínora, de um assassino perigosíssimo, que age com requintes de crueldade”, disse Caiado.

Há oito dias, a polícia tenta capturar Lázaro. O secretário de Segurança Pública goiano, Rodney Miranda, está comandando a operação in loco e passa informações diariamente ao governador. O chefe do Executivo goiano disse estar muito preocupado com a situação. “Estou acompanhando [os desdobramentos] diariamente. Estou com toda a minha área de inteligência da polícia deslocada para a região”, diz Caiado.

Cerca de 200 homens integram a operação que tenta capturar o homem, que já trocou tiros com a policia, invadiu propriedades rurais e segue escondido nas matas da região. “É algo que mostra que é, realmente, uma pessoal totalmente desequilibrada”, afirma Caiado.

O governador diz, ainda, que as atitudes de Lázaro mostram que, para ele, o ser humano não tem significado algum. “Ele é capaz de praticar as maiores barbáries”, complementa Caiado, reforçando que acredita no trabalho da polícia e espera que o homem seja capturado até o fim desta semana.

Nesta quarta-feira (16/6), o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, também comentou o caso e disse que Lázaro faz polícias do DF e GO “quase como de bobas”.

“Essa caçada nos impressiona muito. São quase 300 homens da polícia do Distrito Federal e de Goiás que estão atrás desse marginal e que não conseguiram ainda localizá-lo. Espero que isso aconteça o mais rápido possível, para que a gente possa tranquilizar as famílias daquela região e dar a punição devida a esse marginal que vem causando tanto mal e que vem fazendo a polícia do Distrito Federal e do Goiás quase como de bobas”, disse o governador.

Tiroteio

Em troca de tiros na tarde dessa terça, um policial goiano foi atingido por um tiro de raspão no rosto, disparado por Lázaro. Na fuga, ele passou por uma chácara e escondeu reféns sob folhas para que não fossem vistos pelas buscas aéreas da polícia. No fim da tarde dessa terça-feira (15/6), a polícia os encontrou com vida, e eles foram libertados. As vítimas eram pai, mãe e filha, de 48, 40 e 15 anos, respectivamente.

O homem é suspeito de matar Cláudio Vidal de Oliveira, 48 anos, Gustavo Marques Vidal, 21, e Carlos Eduardo Marques Vidal, 15. Ele ainda sequestrou e matou Cleonice Marques de Andrade, 43 anos, esposa de Cláudio e mãe das outras vítimas. O crime ocorreu no Incra 9, em Ceilândia.

Há uma semana, ele consegue escapar dos policiais. O corpo de Cleonice foi encontrado no sábado (12/6), em um matagal. O cadáver estava sem roupa e com um corte nas nádegas, em uma zona de mata perto da BR-070.

Ela foi torturada, mutilada e possivelmente estuprada. O maníaco arrancou uma das orelhas da mulher e a executou com um tiro na nuca.

Família Vidal:

0
Rastro de violência

Outra fazenda foi invadida por Lázaro Barbosa. A casa fica a cerca de 8km de Edilândia (GO) e estava vazia. Informações preliminares apontam que ele arrombou a porta, preparou comida e abandonou o local. O dono da propriedade informou aos vizinhos sobre a invasão na madrugada desta quarta-feira (16/6).

“Ele entrou lá para fazer comida. Ainda quebrou a porta, mas não tinha ninguém. Ele pegou o que quis, a casa estava abastecida de comida. Dá a entender que ele estava muito tranquilo. Agora, está cheio de polícia. Helicóptero pousando lá em casa”, afirmou uma das vítimas, que preferiu não se identificar.

Com medo, a família deixou a casa temporariamente.

O chacareiro Rosinaldo Pereira de Moraes, 55 anos, que trabalha na fazenda onde Lázaro foi flagrado por câmeras de segurança, contou ao Metrópoles que chegou à propriedade por volta das 6h e se deparou com o suspeito.

“Ele estava com uma jaqueta, bermuda, uma blusa e uma botina. Estava com uma mochila nas costas, mas não vi qualquer machucado. Não havia nada aparente. Ele dormiu na cama que eu descanso e não ficou marca de sangue. Só suja de terra. Se estava armado, a arma estava dentro da mochila”, disse o chacareiro.

Desde a noite de segunda (14/6), após Lázaro trocar tiros com um caseiro em Edilândia (GO), havia a suspeita de que o homicida poderia estar ferido.

Rosinaldo também confirmou que Lázaro disse estar com fome e pediu um prato de comida. “Pedi para ele aguardar eu prender os bezerros e trazer as vacas que iria arrumar um prato de comida para ele. Cheguei a falar que comida não se negava a ninguém. A minha intenção era dar a comida para despistar e segurar ele. Mas ele não esperou. Eu o vi saindo pela mata. É muito esperto”, acrescentou.

Na tarde dessa terça, a polícia faz um cerco ao suspeito próximo a um milharal na área de Edilândia, Entorno do DF. Lázaro tem sido visto com frequência na cidade e na área vizinha de Cocalzinho, também em Goiás.

Veja as imagens:

Também na manhã dessa terça, um caminhoneiro de frete da região de Edilândia (GO) relatou ter visto um homem atravessar a BR-070 e adentrar uma área de mata. Os policiais da base da operação montada na região e helicópteros das corporações seguiram para o possível local.

 

0

 

Desde que matou a família Vidal, Lázaro vem entrando e saindo de propriedades, fazendo novas vítimas. Ainda no Incra 9, em Ceilândia, ele invadiu outros dois locais. Obrigou os chacareiros a cozinharem para ele e a, até, fumarem maconha com ele. Sempre agressivo, chegou a roubar um carro e incendiá-lo, próximo a Cocalzinho.

No sábado (12), ele invadiu a fazenda da família de um soldado do 8⁰ BPM, próximo à Lagoa Samuel. Ele fez o caseiro refém, quebrou tudo, bebeu e fumou maconha. Também obrigou o funcionário a consumir a droga.

Segundo a corporação, o soldado chegou à propriedade no início da noite, foi até a cancela e, provavelmente, ao abri-la, o homem fugiu, levando o caseiro como refém.

O criminoso seguiu para a fazenda ao lado, a cerca de 700 m, e baleou três homens. Havia no local uma mulher e uma criança. Testemunhas informaram que o suspeito da chacina colocaria fogo na casa e não o fez por causa das vítimas.

Troca de tiros

Na noite de segunda (14), ele trocou tiros com um caseiro na área de Cocalzinho (GO). “Acho que acertei [o Lázaro], porque ele gemeu, [disse]. ‘Desgraçado, você me atirou, eu vou te matar’, ele falou”, narrou o caseiro.

O funcionário da propriedade rural teria atirado pelo menos oito vezes contra o suspeito, que conseguiu fugir. Apesar do testemunho do trabalhador, não há confirmação oficial se realmente ele saiu ferido do embate.

Veja imagens das buscas a Lázaro:

0

 

0

 

Últimas notícias