Uber, Cabify e 99 aumentam arrecadação do DF com impostos e taxas
Segundo o secretário de Mobilidade, empresas estão na lista das que mais pagam ISS. Somente com o preço público, são R$ 5 milhões ao ano

Nove meses depois da regulamentação do Serviço de Transporte Individual Privado de Passageiros Baseado em Tecnologia de Comunicação em Rede (STIP) no Distrito Federal, empresas como Uber, Cabify e 99 contribuem para o acréscimo da arrecadação de impostos e taxas da capital. De acordo com o secretário de Mobilidade, Fábio Ney Damasceno, juntas, elas estão entre “as maiores pagadoras de Imposto Sobre Serviços (ISS)”.
Embora o total não possa ser divulgado, dois meses depois da publicação do Decreto nº 38.258, em junho de 2017, o tributo aumentou 16,98%, se comparado ao mesmo período. Em agosto de 2016, a arrecadação com o ISS somou R$ 118,4 milhões. Após a norma, subiu para R$ 138,5 milhões. Os meses subsequentes seguiram a alta: 15,13%, em setembro; 16,21% em dezembro e 8,25% no acumulado do ano.
Segundo o chefe da pasta de Mobilidade, o pagamento do ISS é feito em cima de 5% do que as empresas ganham. No caso da Uber, por exemplo, o percentual incide sobre os 25% retidos pela plataforma das viagens dos 15 mil motoristas credenciados.Além do ISS, as plataformas de transporte individual devolvem para o governo 1% de todas as corridas realizadas, por meio do chamado preço público. Somente com essa taxa, são arrecadados R$ 5 milhões por ano.
“O dinheiro vai para o Fundo de Transporte e é revertido para a população. Na construção de abrigos, na manutenção do BRT, por exemplo”, garantiu Damasceno, durante participação no seminário internacional O Futuro do Consumo, realizado em São Paulo, no dia 22 de março.
Damasceno apresentou a experiência de normatização no DF para cerca de 700 participantes de diversos estados brasileiros, representantes da Itália e de Portugal. “Depois da regulamentação conseguimos organizar a convivência dos modais. A Uber surgiu em uma época de crise, gerou renda e complementou o sistema de transporte público”, afirmou o secretário.
Mudanças
O serviço de transporte individual privado por meio de aplicativos chegou a capital no início de 2015, tendo a Uber como precursora. Embora o decreto regulamentador seja de 2017, a Lei nº 5.691, que dispõe sobre os serviços, é de 2 de agosto de 2016. A legislação foi pioneira no Brasil. No entanto, deve passar por alterações na Câmara Legislativa do DF (CLDF).
A norma atual determina a idade máxima de cinco anos para os veículos a gasolina, álcool e outros combustíveis fósseis. Proposta do deputado professor Israel Batista (PV), que tramita na Casa, quer aumentar o tempo de uso dos carros para oito anos.
O governo ainda não se pronunciou sobre a alteração. No entanto, durante o evento, conforme adiantou o secretário, o Executivo está estudando a proposta. “Uma possibilidade que enxergamos para aumentar a idade dos automóveis é instituir duas inspeções veiculares para os carros com mais de cinco anos, em vez de uma só, como é feito hoje”, disse.
Com base em dados somente da Uber, a manutenção dos cinco anos, prevista na legislação, traria limitações possíveis de tornar o sistema mais caro e ineficiente.
“Essa imposição impactaria sobretudo quem mais precisa de oportunidades de trabalho. A restrição pode afetar mais de um terço dos motoristas parceiros de Brasília, o que representa quase 6 mil pessoas”, informou a empresa.
Ainda de acordo com a Uber, os usuários também seriam prejudicados, já que menos motoristas estariam disponíveis. “A redução da oferta de veículos causada por essa limitação pode aumentar o preço das viagens em média 32% e prolongar o tempo de espera médio em mais de 55%”, completou.

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