Tribunal questiona DF sobre máquinas de lavar encaixotadas em presídio
Cofres públicos gastaram R$ 558 mil para a compra de equipamentos para lavanderia de prisões que nunca foram utilizados

Em 2019, os cofres públicos investiram R$ 558 mil na compra de máquinas para a lavanderia do Sistema Penitenciário do Distrito Federal. Em julho de 2022, o Metrópoles noticiou que os equipamentos nunca foram utilizados. Nessa quarta-feira (26/10), o Tribunal de Contas do DF (TCDF) cobrou providências.
Os equipamentos foram comprados pela Secretaria de Segurança Pública do DF (SSP-DF) em 2019 e entregues em 2020, para serem instalados na Penitenciária do DF I (PDF I). Tratam-se de seis lavadoras extratoras industriais e seis secadoras rotativas industriais. Nunca instalados, os itens foram transferidos para a Secretaria de Administração Penitenciária do DF (Seape-DF).

Receba no seu email as notícias de Metrópoles DF
Frequência de envio: Diário
Ver todasA reportagem do Metrópoles publicada em setembro foi produzida a partir de uma auditoria da Controladoria-Geral do DF (CGDF). A Seape-DF foi criada em 2020, ou seja, após o contrato que comprou os equipamentos, mas herdou os processos administrativos da antiga Subsecretaria do Sistema Penitenciário, subordinada à SSP-DF.
Segundo a Corte de Contas, inicialmente, o governo fez a licitação apresentando duas justificativas. Em primeiro lugar, a aquisição seria necessária para evitar a proliferação de doenças infectocontagiosas. As enfermidades poderiam se alastrar nos presídios caso não houvesse uma eficiente higienização das roupas usadas pelos apenados.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles DFA segunda justificativa dizia respeito ao argumento de gestores públicos, sobre o cumprimento das regras da Lei de Execuções Penais. A legislação assegura aos reclusos o fornecimento de alimentação, vestuário e instalações higiênicas adequadas.
No entanto, o TCDF observou a inexistência de estudos de viabilidade e da adoção de medidas de adaptação para a instalação e operação de serviços de lavanderia nestes locais. Por isso a Corte de Contas, determinou que a Seape-DF adote providências e soluções alternativas para a destinação do maquinário, dentro de 90 dias, após a notificação.
Outro lado
Ao Metrópoles a Seape informou que a compra das lavadoras é anterior a criação da pasta. “Contudo, com a finalidade de viabilizar a instalação das máquinas, foi instituído grupo de trabalho para apreciar e deliberar sobre as pendências da instalação das 6 (seis) lavadoras extratoras industriais e 6 (seis) secadores rotativos frontais, em atenção à Instrução Normativa no 03/2021 do TCDF”, disse, em nota.



