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A Polícia Civil do Distrito Federal vai pedir na Justiça a prorrogação da prisão temporária dos alvos da Operação Check List, deflagada na sexta-feira (1ª/9). Com validade de cinco dias, a decisão da 3ª Vara Criminal de Brasília, que autorizou as detenções temporárias, vence nesta terça-feira (5/9). Para os investigadores, é preciso manter os suspeitos presos para que eles não atrapalhem as investigações que ainda estão em curso.

Segundo investigações da Coordenação de Repressão aos Crimes Contra o Consumidor, a Ordem Tributária e a Fraudes (Corf) e do Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT), o grupo faz parte de um esquema envolvendo servidores da Secretaria de Mobilidade que, mediante pagamento de propina, liberavam ônibus do transporte coletivo rural irregulares ou com defeito para circular, colocando em risco a vida dos passageiros.

De cada 54 vistorias realizadas por dia pela equipe da Subsecretaria de Fiscalização, Auditoria e Controle (Sufisa), vinculada à Secretaria de Mobilidade, cinco não seguiam os trâmites legais. A suspeita é de que o grupo agia no DF há pelo menos três anos. Dependendo do tipo de irregularidade detectada, o preço da propina variava entre R$ 400 e R$ 800, ainda de acordo com a polícia.

Dos 14 mandados de prisão temporária expedidos, 10 foram cumpridos, além de 16 de busca e apreensão e duas conduções coercitivas (quando as pessoas são levadas para depor). No sábado (2/9), o despachante da Cootarde José Almir se apresentou à polícia. Entretanto, três pessoas seguem foragidas.

Segundo as investigações, os servidores pediam propina para liberar o Selo de Vistoria, que autorizava os veículos rodarem. O documento indicava que o ônibus estava com pneus, óleo, freios, catracas e motor em boas condições. Durante a operação, foram apreendidas duas armas de fogo, um carro, R$ 10,7 mil em dinheiro e um cofre.

“Conforme se depreende dos relatórios acostados e das degravações feitas, não se tem mais dúvidas de que o caso é de uma articulada organização criminosa para a prática reiterada e habitual de delitos contra a Administração Pública”, explicou o promotor de Justiça Fábio Nascimento.

Um dos alvos da operação, foi o ex-policial militar de Goiás Valdir Luiz de França, conhecido como Valdizão (foto em destaque). De acordo com o delegado Robson Almeida, ele seria responsável por uma cooperativa e pagava propina para poder circular. Os servidores suspeitos são William Ney Rosa da Silva, Carlos Pereira Rosa, Edson Souza de Oliveira e Williams Fonseca da Cunha.

Outros alvos da operação foram o diretor da Coopertran, Marcus Vinicius Lobo, e o motorista Weber de Jesus. Da Cootransp, os acusados de participar do esquema são o encarregado de manutenção Marcos José Alves Pinto e os operadores Francisco Gomes e Marcos Teixeira.

Cooperativas
Segundo os últimos dados obtidos pelo Metrópoles, cinco cooperativas atuam no Distrito Federal. São elas: Cootransp, Cootarde, Coobrataete, Coopatag e Coopertran. Elas foram licitadas em 2007 e rodam com 450 micro-ônibus. Os veículos começaram a operar em 2008. A vigência dos contratos é de 10 anos, a contar da data de publicação da permissão.

A Secretaria de Mobilidade foi procurada, mas ainda não se manifestou sobre o caso. Na sexta, a pasta informou que vai abrir processo administrativo para investigar a conduta dos quatro servidores. Se comprovada a participação deles no esquema de pagamento de propina, eles podem ser até demitidos.

 

 

 

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