Os números do transporte ilegal de passageiros nas vias da capital do país impressionam. São mais de 10 mil veículos que movimentam R$ 3 milhões por dia. Após quatro meses de apuração, o Metrópoles reuniu depoimentos que comprovam a existência de um esquema que envolve fiscais, policiais militares e cooperativas em uma verdadeira organização criminosa
Michael Melo/Metrópoles
Acima de qualquer suspeita, policiais militares estão entre os principais "empresários" do transporte irregular. No comando dos "carros" que rodam pelo DF, eles colocam "funcionários" com extensa ficha criminal, dispostos a qualquer coisa para fugir da fiscalização
Eles tiram fotos da gente. Compartilham nas redes. Muita coisa pode ocorrer com a nossa vida Desabafo de um servidor da Sufisa, que gravou com o Metrópoles na condição de ser mantido no anonimato.Não é apenas o cara-crachá que é compartilhado. As rotas da fiscalização e a ordem de serviço da operações que saem diretamente da Subsecretaria de Fiscalização, Auditoria e Controle do Distrito Federal (Sufisa) chegam nos celulares dos pirateiros tão logo começam a ser distribuídas entre órgãos como Detran, a própria Sufisa e a PM. “Evitamos até nos comunicar via rádio, porque sabemos que existem policiais monitorando nossas ações”, alerta um militar que conversou por horas com a reportagem, desde que não tivesse a identidade revelada.
Eles tiram fotos da gente. Compartilham nas redes. Muita coisa pode ocorrer com a nossa vida Desabafo de um servidor da Sufisa, que gravou com o Metrópoles na condição de ser mantido no anonimato.Não é apenas o cara-crachá que é compartilhado. As rotas da fiscalização e a ordem de serviço da operações que saem diretamente da Subsecretaria de Fiscalização, Auditoria e Controle do Distrito Federal (Sufisa) chegam nos celulares dos pirateiros tão logo começam a ser distribuídas entre órgãos como Detran, a própria Sufisa e a PM. “Evitamos até nos comunicar via rádio, porque sabemos que existem policiais monitorando nossas ações”, alerta um militar que conversou por horas com a reportagem, desde que não tivesse a identidade revelada.
Disponível a partir de amanhã
Pagando uma taxa mensal, é possível circular clandestinamente em rotas definidas e contar com o apoio de advogados para evitar a apreensão dos veículos e as multas. Lei promulgada pela Câmara Legislativa pode legalizar situação dos piratas
Há dois anos foi feita uma licitação para incluir novas empresas de ônibus. No entanto, o número de linhas continua a mesma. OTÁVIO CUNHA Presidente executivo da NTU
Pastor Willy Gonzales Taco, especialista em transporte: "A situação é
preocupante"[/caption] Na visão do professor do Departamento de
Engenharia Civil e Ambiental e do programa de pós-graduação em
transporte da Universidade de Brasília (UnB), Pastor Willy Gonzales
Taco, o transporte pirata tem influenciado cada vez mais na base de
arrecadação do sistema regular. “Quando o pirata tira os passageiros do
transporte público, ele acaba tomando a base do orçamento deles. Muitas
vezes, os pirateiros se antecipam aos ônibus ou mesmo ficam parados nos
pontos para pegar os clientes”, explica o especialista. “O transporte
clandestino tem crescido, se fortalecido e tomado uma proporção muito
grande nos últimos anos. Onde, por algum motivo, a frequência dos ônibus
é menor, os piratas acabam aparecendo e se infiltram no mercado por
ali”, acrescenta Gonzales. De acordo com o especialista, a solução seria
introduzir mecanismos coercitivos por meio de uma fiscalização mais
presente. "A situação é preocupante, uma vez que prejudica a atuação
daquele que paga os impostos e coloca em risco a vida dos usuários. Não
se sabe as condições dos veículos que rodam e muitos dos que prestam
esse serviço têm problemas com a lei”, conclui o professor.
Disponível a partir de amanhã
No ano passado, 3,2 mil multas foram emitidas por transporte ilegal no DF. Mas divergências na interpretação da legislação tornam as autuações frágeis e fáceis de derrubar na Justiça
Michael Melo/Metrópoles
O risco é enorme para os usuários, já que eles não sabem quem é responsável por aquele transporte. No regular, por mais que haja problemas, você sabe que existe uma empresa que pode responder caso aconteça alguma coisa. SILVAIN FONSECA, diretor de Fiscalização do Detran
“Há registros até de gente que simula uma lotação para assaltar os
passageiros”, relata Fonseca. “São relatos de roubo, de pessoas que
foram deixadas no meio da estrada à noite… Os veículos cobram mais
barato e não têm manutenção ou seguro”, completa Susi Ane Suarez da
Silva, coordenadora regional de Fiscalização da Agência Nacional de
Transporte Terrestre (ANTT).
Michael Melo/Metrópoles