MPDFT: principal reclamação de passageiros é sobre ônibus lotados

Projeto Como Anda Meu Ônibus, do Ministério Público do Distrito Federal, mostra a avaliação dos usuários do sistema de transporte público

atualizado 21/11/2019 21:26

JP Rodrigues/Metrópoles

A lotação no transporte público rodoviário é a principal reclamação dos usuários do Distrito Federal e Entorno. A informação consta do primeiro relatório de auditoria cívica sobre o tema, um estudo desenvolvido pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) e pelo Instituto de Fiscalização e Controle (IFC). Quase 70% dos entrevistados avaliaram a quantidade de passageiros como péssima, e outros 17%, como ruim.

O projeto intitulado Como Anda Meu Ônibus começou a ser desenvolvido em agosto e avaliará a opinião dos cidadãos que usam o transporte durante um ano. O objetivo é fomentar o controle social e subsidiar as políticas públicas do setor. Nessa primeira análise, foram entrevistadas 2 mil pessoas de 45 regiões do DF e Entorno. De maneira geral, 70% delas consideraram péssimo o sistema local.

A apresentação dos resultados ocorreu na tarde desta quinta-feira (21/11/2019) com as presenças da procuradora-geral de Justiça do Distrito Federal, Fabiana Barreto, do procurador distrital dos Direitos dos Cidadãos, Eduardo Sabo, da promotora de Justiça de Defesa do Patrimônio, Lenna Daher, e da coordenadora-executiva do IFC, Marjorie Lynn.

O documento foi encaminhado à Secretaria de Transporte e Mobilidade (Semob) para servir como subsídio na elaboração de novas políticas públicas. Segundo o procurador Eduardo Sabo, o próximo passo é fazer uma reunião com o governo e as empresas prestadoras do serviço. “São dados importantíssimos vindos de quem tem autoridade para avaliar: os próprios usuários. Serão utilizados para aprimorar os procedimentos”, afirmou.

“Temos um primeiro resultado e vamos ter a continuidade do projeto para oferecer melhores soluções, uma vez que as respostas são dos usuários”, completou.

Avaliação negativa

De acordo com o relatório, a avaliação é negativa para aspectos como estrutura e qualidade do transporte, tempo gasto, segurança e sistema de bilhetagem. O estudo indica um aumento de gastos com transporte rodoviário no DF nos últimos anos, enquanto, na média brasileira, os números vêm diminuindo. Em 2018, por exemplo, as despesas pagas chegaram a R$ 1,3 bilhão. O valor médio dos demais estados foi de R$ 840 milhões.

“Se, por um lado, as pessoas avaliaram bem a quantidade de paradas, reclamaram da infraestrutura e segurança. Há muitos relatos de assaltos no caminho e nos pontos. Então, já começa a transitar por outra área, que é a de políticas de segurança pública”, disse Marjorie Lynn.

Segundo os promotores, as conclusões revelam um serviço caro e insatisfatório. Lenna Daher aponta fraudes no sistema de bilhetagem como uma das causas para essa equação. “O investimento se perde na ponta, e o usuário sente e confirma essa falha.”

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