Funcionários da Coopatag denunciam falta de salários desde janeiro

A cooperativa não conseguiu renovar a frota e perdeu o direito de circular. Enquanto isso, funcionários dizem estar passando necessidades

atualizado

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José Antônio Gama/Ônibus Brasil
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1 de 1 84e77ed6e0c94d5a16349183d05610ff - Foto: José Antônio Gama/Ônibus Brasil

Funcionários da Cooperativa dos Profissionais Autônomos do Transporte Alternativo do Gama e Distrito Federal (Coopatag) denunciaram ao Metrópoles estarem sem trabalho e sem salário desde janeiro. O maior problema, segundo eles, é a incerteza do que será feito, pois a cooperativa não conseguiu renovar a frota e deixou de operar.

Uma funcionária que pediu para não ser identificada disse estar devendo 15 parcelas da casa onde mora. Para ela, a circunstância só não é pior porque comprou o imóvel da irmã. A mulher conta que a situação dos trabalhadores da Coopatag começou a se complicar ainda em 2016. “A empresa passava por problemas, e os funcionários recebiam por diária. Os ônibus quebravam, e ficávamos até 20 dias sem trabalho. Eu recebia R$ 60 por dia, ia ao mercado para fazer compras e, quando chegava em casa, ainda tinhas as contas para pagar.”

A cobradora Marília Mesquita da Costa Sousa, de 35 anos, afirma que nem se recorda de quando recebeu o último salário. “Trabalhei oito anos na Coopatag e ainda estou fichada na empresa. Até agora são quatro férias e dois 13º salários que não caíram na minha conta”, reclama.

Outro cobrador, Douglas Silva dos Santos, 26, retrata a mesma situação. “Trabalhamos até 31 de dezembro e ainda estamos fichados na Coopatag. Outra empresa assumiu as linhas e disse que seríamos contratados, mas foram apenas promessas até o momento”, afirma.

À reportagem, o presidente do Sindicato dos Rodoviários do Distrito Federal, José Farias, afirmou que os funcionários da cooperativa serão realocados na Viação Pioneira. Ele explica que a entidade já havia denunciado a Coopatag diversas vezes.

Impasse
O diretor administrativo da Coopatag, Hertes Vianei de Souza, disse que a cooperativa não conseguiu renovar a frota devido à falta de verba. “Quando a Viação Pioneira começou a operar o BRT Expresso em Santa Maria, ficou sete meses oferecendo tarifa zero, a chamada ‘Operação Branca’. Depois disso, a empresa não conseguiu mais honrar seus compromissos”, argumenta.

Segundo ele, a cooperativa perdeu 90% da receita que arrecadava. Reis confirma que os funcionários passaram a receber por meio de diárias de R$ 60, e a verba para o pagamento dos trabalhadores está bloqueada pelo Transporte Urbano do Distrito Federal (DFTrans).

“Minha irmã, meu cunhado e vários amigos estão nessa situação. Sei que não é fácil, e, assim que o governo fizer o pagamento, os compromissos serão honrados. Lamentamos a situação ter chegado a esse ponto”, diz Souza.

O DFTrans informou, por meio de nota, que a Coopatag não cumpriu com as exigências definidas no Decreto nº 379.385, de 30 de dezembro de 2016, referente à renovação de sua frota. Segundo o órgão, todos os veículos foram descadastrados, pois estavam com idade superior ao limite imposto na regulamentação.

De acordo com o DFTrans, a Viação Pioneira assumiu as linhas para que a população não fosse prejudicada, mas, caso a Coopatag adquira veículos conforme a legislação vigente, poderá retomar a operação das rotas a ela delegadas. “A verba bloqueada é referente a gratuidades que não foram pagas, porque a cooperativa não apresentou a documentação necessária, exigida pela legislação”, disse o órgão.

Checklist
A Coopatag foi um dos alvos da Operação Checklist, deflagrada em 1º de setembro do ano passado contra irregularidades no transporte, principalmente rural, envolvendo servidores da Secretaria de Mobilidade e cooperativas. Segundo as investigações, os funcionários pediam propina para liberar o Selo de Vistoria, que autorizava os veículos a rodar.

O documento indicava que o ônibus estava com pneus, óleo, freios, catracas e motor em boas condições, mesmo não sendo verdade, colocando a vida dos passageiros em risco. Em troca, os servidores recebiam dinheiro e até carros.

À época, a Secretaria de Mobilidade afirmou que atua no sentido de moralizar e combater todo e qualquer tipo de ilegalidade no sistema de transporte. “Nesse sentido, tendo recebido denúncia sobre eventuais irregularidades no procedimento de vistoria, a pasta comunicou o fato à Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) para que estes fossem apurados”, destacou.

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