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Transporte

Catraca livre no metrô. Por falta de funcionários nas bilheterias, passageiros ganham viagens de graça

Problema causa prejuízo de R$ 120 mil mensais ao sistema e tem impacto no preço da passagem. Segundo a empresa, é preciso contratar 320 novos servidores

18/01/2016 13:39, atualizado 19/01/2016 06:03
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Rafaela Felicciano/Metrópoles
Catraca livre no metrô. Por falta de funcionários nas bilheterias, passageiros ganham viagens de graça

Muitos usuários do transporte público têm ganhado viagens gratuitas no metrô do DF. Mas não é promoção nem golpe. Em algumas estações simplesmente não há funcionários nas bilheterias para atender os passageiros que querem comprar a passagem. O jeito é liberar a catraca para todos. A empresa alega que precisa de pelo menos mais 300 servidores para resolver o problema. A utilização gratuita do sistema causa um prejuízo de R$ 120 mil por mês, o equivalente a R$ 1,4 milhão por ano.

O prejuízo tem impacto no valor da tarifa paga pelos usuários. Em outubro do ano passado, o Governo do DF reajustou as passagens de R$ 3 para R$ 4 alegando que precisava reduzir o subsídio do Executivo para o funcionamento do sistema em cerca de R$ 5 milhões mensais. Sem o reajuste, o Metrô complementava a operação dos trens com R$ 246 milhões anualmente.

Especialista em transporte público, o consultor e economista Antônio Lopes Almeida destaca que todos os prejuízos acumulados pelo sistema entram no cálculo do preço da passagem. “Muitos gestores pecam e preferem aumentar as tarifas do que resolver os problemas. Não conheço a situação do metrô, mas às vezes um simples remanejamento pode ajudar. É uma questão de gestão. É mais uma forma de escorrer o dinheiro de um sistema que já não se paga e precisa de subsídios”, lamenta.

A estudante Laura de Souza Silva, de 18 anos, conta que, frequentemente tem usado o metrô sem pagar a passagem. “Chego na estação e os seguranças dizem que está liberado. Já aconteceu várias vezes”, relata a jovem. A última vez foi neste domingo (17/1), na estação Feira do Guará. “Estava voltando para casa, em Águas Claras. Não tinha funcionário na bilheteria e a catraca estava liberada”, contou.

Segundo a assessoria do Metrô-DF, a companhia necessitaria de pelo menos mais 300 funcionários para que as atividades fossem realizadas de forma plena. Em nota, a empresa afirmou que a liberação das catracas ocorrem nos chamados horários de vale, quando o movimento é menor, e em estações de pouca circulação.

Limite de gastos
A companhia informa, ainda, que já pediu ao GDF a convocação de 320 servidores aprovados no último concurso. Porém, a nomeação não ocorre por causa do limite de gastos do governo, controlado pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Desde o ano passado o governo local ultrapassou os limites de gastos previstos com despesas de pessoal.

Segundo o Sindicato dos Metroviários do DF (Sindmetrô), além do déficit de pessoal está suspenso o pagamento de horas extras. “A situação é grave e precisa ser resolvida rapidamente”, defende Quintino dos Santos Sousa, diretor do Sindmetrô.

Em setembro do ano passado, o presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST) , ministro Barros Levenhagen, suspendeu decisão do Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região (TRT-10) que determinava a contratação dos candidatos em 60 dias. A decisão do TST referenda um pedido da Procuradoria-Geral do Distrito Federal (PGDF) e do Metrô-DF. A alegação é que a contratação dos aprovados no concurso causaria impactos negativos na economia do DF.