Mulher é presa por racismo em bar do DF no Dia da Consciência Negra
O episódio de racismo aconteceu na madrugada desta quinta-feira, após vítima pedir licença na fila do banheiro
atualizado
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Uma mulher de 46 anos foi presa após supostamente cometer ato de racismo na madrugada desta quinta-feira (20/11), em um bar localizado no Setor Bancário Sul. O caso ocorreu quando a mulher parou na fila do banheiro para cumprimentar um casal e a vítima, de 36 anos, pediu que ela lhe desse licença para passar.
Segundo o boletim de ocorrência, a autora reagiu fazendo referência à cor de pele de Francyslane Vitória da Silva: “Quem é você? Você é a empregada daqui? É a funcionária daqui?”.
Francyslane relatou que questionou a mulher do por que ela seria empregada no estabelecimento e a autora respondeu: “Não vem de palhaçada, não, eu também sou uma mulher negra”.
“De imediato eu respondi pra ela, se você é uma mulher negra, você jamais deveria estar falando comigo dessa forma porque eu não falaria assim com uma outra mulher negra”, afirmou Francyslane.
Funcionários do estabelecimento e frequentadores que testemunharam a cena prestaram apoio à vítima. O caso foi encaminhado para a 5ª Delegacia de Polícia equipe do 1ºBPM e, segundo o delegado de plantão, Sérgio Bautzer, a mulher foi indiciada pelo crime de injúria racial.
Mulher nega racismo
Durante o interrogatório, a autora afirmou que usou a palavra “empregada” no sentido de “funcionária”, negou motivação racial e disse que também era negra.
“Ela negou o ato de racismo, falou que foi uma expressão que interpretaram de maneira equivocada, que não era questão de ser empregada por conta da cor da pele ou coisa parecida”, disse o delegado.
A autora passou a noite na carceragem da Polícia Civil e foi solta após a audiência de custódia.
O que diz o bar
A reportagem demandou o Ordinário Bar sobre o ocorrido, que se manifestou por meio de nota. Leia abaixo, na íntegra:
“O Ordinário Bar e Música lamenta profundamente o episódio de racismo na noite de ontem. Racismo é crime e não há espaço para nenhum tipo de discriminação em nosso estabelecimento ou em qualquer outro lugar. Reafirmamos nosso compromisso em ser um ambiente seguro e acolhedor para todos os frequentadores e em não tolerar atitudes preconceituosas. Em situações como essa, seguimos procedimentos que incluem acolher a vítima, garantir sua segurança e auxiliar no acionamento das autoridades competentes. Conforme apurado por meio do relato da cliente e de nossa equipe, esses protocolos foram seguidos, o que não diminui a gravidade da situação e o impacto causado.
O relato da cliente foi encaminhado integralmente aos líderes e sócios da casa. Todas as recomendações recebidas serão incorporadas a um reforço de treinamento que será realizado com nossa equipe. Seguiremos aprimorando nossos processos e capacitações para garantir que situações como essa sejam tratadas com a seriedade necessária. Nos colocamos à disposição para oferecer apoio contínuo à cliente e para colaborar com quaisquer desdobramentos legais do caso”.
