Técnica alega ter ficado sem jeito de confrontar colega após mortes
Ela ainda acrescentou que poderia ter avisado a alguém do hospital sobre o uso incorreto da substância utilizada para matar pacientes
atualizado
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A técnica de enfermagem Marcela Camilly Alves da Silva (foto em destaque), de 22 anos, alegou ter ficado sem jeito de confrontar Marcos Vinícius Silva Barbosa de Andrade, de 24, após a morte de pacientes na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Anchieta, em Taguatinga (DF).
O Metrópoles apurou que a jovem temia que Marcos Vinícius não daria ouvidos a ela, por ser treinada pelo técnico. Esse era o primeiro emprego de Marcela Camilly.
Ela ainda acrescentou que poderia ter avisado a alguém do hospital sobre o que estava acontecendo, mas não o fez. E confirmou que sabia que a substância utilizada não podia ser aplicada daquela forma.
Apesar disso, o inquérito da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) sobre o caso relatou que Marcela Camilly Alves da Silva “parecia ter prazer” ao assistir aos crimes. Imagens obtidas pelo Metrópoles mostram que Marcela manuseou a substância em um dos casos.
Veja imagens:
Entenda o caso
- A primeira fase da Operação Anúbis foi deflagrada na manhã de 11 de janeiro, com o apoio do Departamento de Polícia Especializada (DPE).
- Na ocasião, dois investigados foram presos temporariamente por ordem judicial. Também foram cumpridos mandados de busca e apreensão em endereços localizados em Taguatinga, Brazlândia e Águas Lindas, no Entorno do Distrito Federal.
- Durante as diligências, os policiais recolheram materiais considerados relevantes para a apuração, que passaram a ser analisados pelos investigadores.
- A polícia busca esclarecer a dinâmica das mortes, o papel de cada suspeito e se houve participação de outras pessoas.
- As investigações tiveram um novo avanço na semana passada, com a deflagração da segunda fase da Operação Anúbis.
- Nesta etapa, a Polícia Civil cumpriu mais um mandado de prisão temporária contra uma investigada e realizou novas apreensões de dispositivos eletrônicos em Ceilândia e Samambaia.
- A investigação deverá indiciar os suspeitos pelos crimes de homicídios dolosos qualificados com impossibilidade de defesa da vítima.
Inicialmente, os presos tentaram negar os crimes, dizendo que apenas aplicavam os medicamentos que eram indicados pelos médicos. No entanto, ao serem confrontados com as provas, confessaram o crime.
Segundo o delegado Maurício Iacozzilli, os três expressaram frieza total. Ainda segundo o delegado, ao confessar o crime, o trio não explicou a motivação.
“Guardas da morte”
Marcela Camilly Alves da Silva e Amanda Amanda Rodrigues de Sousa participavam das ações como “guardas” do técnico Marcos Vinícius Silva Barbosa de Andrade, responsável pela aplicação intravenosa da substância nas vítimas, segundo o delegado Wisllei Salomão.
Para a realização da ação, Amanda e Camilly teriam feito a vigília dos corredores e, em algumas aplicações, ficariam na frente do braço do paciente, impedindo que qualquer um que chegasse ao leito pudesse identificar o técnico realizando a aplicação.
Durante interrogatório, elas negaram a participação no crime. Depois, Marcela acabou confessando a coautoria ao ser confrontada com filmagens das câmeras do hospital.
Como era feita as aplicações
- Segundo a investigação, o técnico Marcos acessava o sistema do hospital utilizando logins de pelo menos dois médicos;
- Ao entrar no sistema, ele prescreveria receita da medicação pura;
- O suspeito então pegava a receita falsa e seguia até a farmácia para retirar a substância;
- De lá, escondia a substância em seu jaleco e dirigia-se aos leitos;
- Nesse momento, ele se encontrava com as técnicas, e a ação era realizada, ainda de acordo com a PCDF.
Ela disse disse que não sabia o que estava aplicando. Já Amanda disse imaginar que Marcos aplicava medicamentos normais, mas confirmou que não perguntou ao colega qual fármaco ele estava ministrando.
Para a diretora do Instituto de Medicina Legal (IML), Márcia Reis, as técnicas tinham ciência da medicação utilizada, visto que, desde a formação do curso, os profissionais de saúde conhecem os protocolos estabelecidos para o uso de determinadas substâncias, principalmente a quem está habituado a trabalhar em UTI.
“Eles aplicaram de uma forma irregular e inadequada, não controlada. Então eles com certeza sabiam os efeitos potenciais dessa medicação”, explicou.
Os três técnicos estão presos temporariamente por 30 dias, mas podem ter a prisão temporária prorrogada ou transformada em preventiva conforme o andamento das investigações da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF).
O Metrópoles apurou que o trio teria matado João Clemente Pereira, 63 anos, servidor da Caesb; Marcos Moreira, 33, servidor dos Correios; Miranilde Pereira da Silva, professora aposentada, 75. A motivação do crime ainda é investigada.
Os três poderão ser indiciados por homicídio doloso qualificado por meio insidioso e por impossibilidade de defesa das vítimas, visto que os pacientes receberam a substância sem consentimento, enquanto estavam inconscientes e intubados na UTI do hospital.
A pena pode variar de 12 a 30 anos de prisão por cada morte de paciente.




















