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Daniel Cordeiro de Melo, de 19 anos, suspeito de matar com pelo menos quatro tiros o jovem Renan Barbosa, na Universidade de Brasília (UnB), na madrugada de sexta-feira (2/11), já havia sido preso em flagrante por tráfico de drogas e posse ilegal de arma de fogo. Após audiência de custódia, realizada no dia 16 de fevereiro deste ano, ele foi solto. 

A juíza substituta da 2ª Vara de Entorpecentes do DF, Lorena Alves Ocampos, decidiu pela liberdade condicional de Daniel considerando que ele era réu primário, com residência fixa e trabalho lícito.

Segundo a juíza, a quantidade de droga apreendida era pequena e não havia indícios de participação em organização criminosa. A audiência de instrução e julgamento está marcada para o dia 8 de novembro.

Os investigadores da 2ª Delegacia de Polícia (Asa Norte) prenderam, na noite de sexta-feira, em endereços do Guará e da Asa Sul, os quatro suspeitos de participação na morte do jovem de 19 anos na UnB. 

Daniel, identificado como autor dos disparos, chegou a fugir da viatura e correr pela Asa Sul, mas foi alcançado pelos policiais em seguida. Os outros suspeitos são Guilherme Fagundes dos Santos, 19, Willian Victor Coelho Araújo, 22, e Giovani Paiva, 20. Todos confessaram participação no crime e vão responder por homicídio doloso.

Divulgação / PCDF

Guilherme Fagundes dos Santos, Daniel Cordeiro de Melo, Willian Victor Coelho Araújo e Giovani Paiva são suspeitos de homicídio na UnB

Os suspeitos aparecem em imagens gravadas por testemunhas dando chutes na cabeça do jovem morto e também teriam dado apoio na fuga. Desde a manhã, a DP comandada pelo delegado-chefe, Laércio Rossetto, estava no encalço dos suspeitos.

“Eles tiveram uma discussão durante a festa e o autor foi em casa buscar a arma. Ele voltou e desferiu os disparos”, contou o delegado adjunto, Bruno Cordilho ao Metrópoles. A polícia ainda procura a arma do crime e investiga os motivos do assassinato.

Veja imagens que mostram a sequência do crime:

Na madrugada deste sábado (3/11), a polícia encontrou a suposta arma utilizada para matar Renan, um revólver 38. Uma pistola também foi apreendida no local.

“A arma foi a última coisa que os policiais conseguiram encontrar, numa casa que eles frequentavam. Vamos ter que esperar a balística, mas tudo indica que é. É uma arma típica de execução, com numeração raspada”, explicou o delegado-chefe. 

Divulgação / PCDF

Armas foram apreendidas em casa frequentada pelos suspeitos


Festa na Faculdade de Direito

De acordo com a UnB, a festa na Faculdade de Direito foi autorizada e ocorreu por conta do encerramento da XXII Semana Jurídica. No entanto, o evento teria sido encerrado, nas dependências físicas da instituição, à meia-noite, mas algumas pessoas continuaram no estacionamento, sem que houvesse autorização para isso.

Festa divulgada no Facebook comemorava o fim da semana acadêmica

A universidade afirmou que está acompanhando as investigações e fornecendo material das câmeras de segurança. De acordo com a instituição, foram instalados 350 equipamentos de monitoramento nos quatro campi e mudado o esquema de ronda a fim de aumentar a segurança na universidade. “Há, entretanto, desafios adicionais, uma vez que o campus Darcy Ribeiro é aberto, integrado à Asa Norte.”

Outro crime
Em 23 de junho, o corpo de universitário Jiwago Henrique de Jesus Miranda, 33, foi encontrado próximo a casas e apartamentos onde moram alunos e professores da UnB. Preso dois meses depois pelo assassinato, Mateus Rosa dos Santos, 19 anos, disse que matou a vítima com golpes de telha e concreto, perto da Colina, na Asa Norte, devido a uma dívida de R$ 300 referente à venda de drogas.

Horas antes do crime, uma das câmeras do campus filmou o estudante de filosofia ainda com vida. Na semana anterior, ele havia aparecido na universidade com um olho roxo e disse a professores e colegas ter se envolvido em uma briga, mas sem dar detalhes do atrito.

O acusado disse que, após levar Jiwago para o matagal, deu quatro golpes na cabeça do estudante. A vítima tentou escapar, mas Mateus e um adolescente puxaram o universitário pelas pernas e bateram nele com um pedaço de concreto.

Matriculado no curso de filosofia, Jiwago era membro da comunidade acadêmica havia nove anos, mas vivia em situação de rua há, pelo menos, dois anos. Durante o dia, frequentava as aulas. À noite, dormia em cantos escondidos da universidade. O rapaz despertava atenção dos colegas por ser gentil e educado. Mas, nos últimos meses, não parecia bem e se mostrava hostil com quem se aproximava.