SSP-DF intensifica monitoramento de grupos extremistas na Esplanada

Para evitar conflitos na região central de Brasília e no DF, núcleo de inteligência acompanha passos reais e virtuais de manifestantes

Manifestantes atiram balões de água contra autoridades em protesto pró-BolsonaroRafaela Felicciano/Metrópoles

atualizado 21/05/2020 21:24

A pandemia do novo coronavírus colocou a Esplanada dos Ministérios em ebulição. Para evitar conflitos e atos de violência, o núcleo de inteligência da Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal (SSP-DF) começou a monitorar grupos políticos simpatizantes e opositores ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Especialmente no caso dos extremistas, de ambos os lados.

Com o isolamento social imposto pela pandemia de Covid-19, apenas apoiadores do presidente Bolsonaro vinham fazendo manifestações presenciais. Mas, neste semana, militantes da oposição começaram a protestar (veja imagens abaixo).

“Estamos completamente atentos, monitorando isso diuturnamente. Semanalmente temos a previsão das manifestações”, assinalou o secretário de Segurança do DF, Anderson Torres.

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Cada ato é acompanhado e as forças de segurança registram com filmagens os manifestantes. “Aqui em Brasília não tem espaço para a baderna, principalmente na Esplanada dos Ministérios”, pontuou Torres. Segundo o secretário, manifestantes não podem acampar na região, por exemplo. Neste sentindo, a pasta pretende evitar a todo custo conflitos entre grupos políticos antagônicos.

“A manifestação pacífica é um direito de todos nós. Agora, se extrapolar (para a violência), realmente vamos agir”, reforçou. De acordo com Anderson Torres, ainda não sinalização de possíveis confrontos. Mas cada passo está sendo acompanhado com lupa.

Veja vídeos captados pela SSP-DF na Esplanada:

 

“Agora o tratamento é o mesmo para os dois lados. O que pode para um, pode para o outro. O que não pode, também não pode para os dois lados. A Polícia Militar está atenta. E a Polícia Civil tem trabalhado muito também. Qualquer coisa que fugir disso, nós vamos atuar com firmeza e rigor”, ressaltou o secretário do DF.

Lupa digital

Torres destacou que o núcleo de inteligência da SSP-DF segue em trabalho permanente há muito anos. “É uma cidade de manifestações. É uma cidade política”, justificou. Neste contexto, explicou Anderson Torres, são monitorados deslocamentos de pessoas por todo o território.

Os movimentos digitais nas redes sociais também são fiscalizados, a exemplo do caso recente de um grupo que disparou ameaças contra juízes no DF.

Policiais da Delegacia de Repressão a Crimes Cibernéticos (DRCC), em conjunto com promotores do Núcleo Especial de Combate aos Crimes Cibernéticos (Ncyber) do Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT), prenderam os responsáveis pelas ameaças, nesta quinta-feira (21/05).

Confira: 

 

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“Quero parabenizar os policias pela velocidade da investigação e pela velocidade com que chegaram aos autores”, destacou Torres. “A gente monitora de todos os lados. Pelas redes sociais, fisicamente. É um monitoramento geral para que crimes, violência, baderna e a desordem não ocorram na nossa cidade”, concluiu.

Histórico

Ao longo da crise do novo coronavírus ainda não há registro de confrontos no DF. Mas dois casos de violência foram registrados. O primeiro deles ocorreu durante ato pacífico de enfermeiros e técnicos de enfermagem em frente ao Palácio do Planalto em 1 de maio. Segundo os profissionais de saúde, simpatizantes de Bolsonaro começaram a disparar ameaças e agressões.

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Por outro lado, apoiadores do presidente alegaram ter sido provocados. O segundo episódio ocorreu em 3 de maio, no mesmo local. Jornalistas foram agredidos e hostilizados por simpatizantes de Bolsonaro, enquanto cobriam manifestação a favor do presidente. Durante o ato, parte dos manifestantes defendeu bandeiras anti-democráticas.

 

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Desrespeito! Apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) agrediram com chutes, murros e empurrões a equipe de profissionais do Estado de S.Paulo que acompanha uma manifestação pró-governo realizada neste domingo (03/05), em Brasília. O fotógrafo Dida Sampaio registrava imagens do presidente em frente à rampa do Palácio do Planalto, na Esplanada dos Ministérios, numa área restrita para a imprensa quando foi agredido. . Sampaio usava uma pequena escada para fazer o registro das imagens quando foi empurrado duas vezes por manifestantes, que desferiram chutes e murros nele. O motorista do jornal, Marcos Pereira, que apoiava a equipe de reportagem também foi agredido fisicamente com uma rasteira. Os manifestantes gritavam palavra de ordem como “fora, Estadão”. . Os dois profissionais precisaram deixar o local rapidamente para uma área segura e procuraram o apoio da Polícia Militar. Eles deixaram o local escoltados pela PM. Os profissionais passam bem. Os repórteres Júlia Lindner e André Borges, que também acompanham a manifestação para o Estadão, foram insultados, mas sem agressões. . Vídeo: Reprodução Foto: Hugo Barreto/Metrópoles . #JairBolsonaro #Manifestação #Governo #ForçasArmadas #Brasil #Pandemia #Coronavírus #Máscara #Constituição #Imprensa #violência

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Os dois casos ainda estão em investigação.

 

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