*
 

Há três meses, a vida do cientista e estudante de doutorado Lucas Bernardes Naves, 30 anos, sofreu uma reviravolta. Ele estava viajando para uma conferência no México, quando notou algo estranho em pleno voo: a perna direita doía muito, estava inchada e vermelha. Lucas havia sofrido uma trombose severa e, ao chegar no país estrangeiro, precisou amputar o membro.

Natural de Varginha, no sul de Minas Gerais, Lucas vive em Portugal há seis anos. Na Europa, concluiu o mestrado e faz doutorado em engenharia têxtil, com foco em nanotecnologia e biomateriais. Atualmente, ele estuda uma alternativa menos invasiva para tratar pacientes diagnosticados com melanoma – a forma mais agressiva do câncer de pele –, por meio de tecidos que reduzam os efeitos colaterais causados por sessões de químio e radioterapia.

“Por causa do doutorado, participo de diversas conferências em vários países”, contou o especialista ao Metrópoles. “Um desses eventos foi no México. A conferência estava marcada para 13 de novembro de 2017, e eu cheguei no dia 7. Já estava passando mal no voo, com muita dor na perna direita. Fui para o setor de emergência do hospital mexicano de Tuscla. Lá, descobri que tinha artérias e veias entupidas. A perna começou a ficar vermelha e inchou. Os médicos tentaram um tratamento, mas não deu certo”, relembra.

Após dois dias, ele precisou ser transferido para outra cidade. “Tive uma hemorragia, e os médicos temiam outra. Fiz duas transfusões de sangue, e eles disseram que havia uma trombose severa e, se eu continuasse com a minha perna, teria 75% de chance de morrer de embolia. Naquele momento, decidimos lutar pela minha vida e optamos por amputar.”

 

Recuperação
Amputar a perna não foi nada fácil. “Fiquei um pouco depressivo depois da cirurgia, passei por tudo sozinho. Não queria preocupar minha mãe nem que ela sofresse com o que estava acontecendo comigo”, conta.

Para fugir da tristeza, Lucas criou uma página no Instagram e passou a compartilhar cenas do dia a dia sem a perna direita – há fotos dele no transporte público, em casa, no hospital e jogando basquete em cadeira de rodas. “Comecei a entrar em contato com os seguidores, e um deles, que é atleta profissional, me aconselhou a prática do esporte para aliviar a tensão”, afirma. Lucas, então, procurou a Associação Portuguesa de Deficientes (APD), onde conheceu o basquetebol.

Há dois meses, eu achava que estava morrendo. Hoje estou jogando basquete. Com o esporte, eu consegui ter um pouco mais de autoestima. Encaro isso como uma segunda chance que Deus me deu"
Lucas Bernardes Naves, cientista

Prótese
Hoje, o cientista, que pesquisa formas de amenizar o tratamento de pacientes com câncer, precisa de ajuda. O jovem criou campanhas na internet com o propósito de angariar fundos destinados a uma prótese transfemural. O equipamento custa 5 mil euros (cerca de R$ 20 mil).

Para arrecadar o montante, o estudante criou, em 20 de dezembro de 2017, uma vaquinha on-line. Até a manhã desta sexta-feira (2/2), R$ 8,8 mil tinham sido doados – 44,35% do total. A campanha virtual deve ser encerrada em 20 de julho deste ano.

Conheça mais sobre Lucas nas redes sociais: Facebook e Instagram

Caso recente
Os casos de trombose após voos de avião não são incomuns. A atriz Susana Vieira, 75 anos, foi internada às pressas, após sentir dores nas pernas, durante um voo de Miami para o Rio de Janeiro, em 18 de dezembro de 2017. Ela estava com o filho Rodrigo e foi encaminhada para o Centro de Terapia Intensiva (CTI) do hospital Vitória, após receber o diagnóstico de trombose. Hoje, está recuperada.

Confira dicas de como evitar a trombose

 

 

COMENTE

PortugalsolidariedadeDoutorando
comunicar erro à redação

Leia mais: SOLIDARIEDADE