Site da Kriptacoin está no ar e golpe da moeda virtual continua
Na manhã desta quarta-feira (4/10), a Polícia Civil apreendeu outro carro importado que pertence ao grupo

Doze dias após a Operação Patrick, que colocou atrás das grades uma organização criminosa que comercializava a moeda digital Kriptacoin, o site da empresa continua no ar e aceita novos investidores. O Metrópoles conseguiu fazer cadastro nesta quarta-feira (4/10) e foi emitido boleto para pagamento (veja abaixo). O investimento varia de R$ 1 mil a R$ 21 mil. O valor da moeda, de acordo com o site, está em R$ 40,51, mesmo valor de cotação no dia em que a polícia “estourou” o negócio.
A continuidade do site surpreendeu o promotor Paulo Roberto Binicheski, responsável pela denúncia dos envolvidos no Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT). “Vamos tomar todas as providências para tirá-lo (o site) do ar. O que transparece é que a organização criminosa não foi completamente desarticulada, pois se a página está funcionando, alguém, certamente, mantém. A nossa intenção é evitar que novas pessoas caiam no golpe”, destaca.
De acordo com o promotor, é preciso ter cuidado ao investir em moedas virtuais. “Acho que ninguém deveria arriscar em um negócio que promete lucros exorbitantes”, alerta. Apesar da ampla divulgação sobre a investigação do alto escalão da Wall Street Corporate, empresa que comercializa a Kriptacoin, em alguns grupos de WhatsApp ainda é possível encontrar quem acredita na legalidade da moeda.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles DFA Polícia Civil também segue com as investigações. O trabalho técnico dos policiais ainda resulta em grandes apreensões. Na manhã desta terça (4), foi apreendido um carro em Goiânia. O veículo, um Porsche Boxter, era usado por um dos executivos presos, Hildegarde Melo, e pelo próprio presidente da empresa Weverton Marinho. O automóvel é avaliado em R$ 350 mil.

Nesta terça (3), outros dois carros de luxo, avaliados em R$ 250 mil foram recolhidos. No total, os policiais localizaram 14 carros, um avião e cerca de R$ 400 mil em espécie. A estimativa é que a soma dos valores dos bens apreendidos ultrapasse os R$ 5 milhões.
A expectativa é que eles sejam vendidos e o dinheiro utilizado para ressarcir os investidores prejudicados. O golpe atingiu mais de 40 mil pessoas, num total de R$ 250 milhões.

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Ver todasNa quinta (28), o Metrópoles antecipou a denúncia, pelo MPDFT, dos envolvidos. A lista enviada à Justiça tem 16 nomes. Além dos 13 indiciados pela Polícia Civil por organização criminosa, falsificação de documentos e criação de pirâmide financeira; a relação inclui dois advogados, denunciados por obstrução da Justiça, e um primo dos irmãos Marinho, acusado de lavagem de dinheiro.
Como funcionava
Os suspeitos criaram a moeda virtual no fim de 2016 e, a partir de janeiro deste ano, passaram a convencer investidores a aplicar dinheiro na Kriptacoin. De acordo com as investigações, a organização criminosa atuava por meio de laranjas, com nomes e documentos falsos.
O negócio, que funciona em esquema de pirâmide, visava apenas a encher o bolso dos investigados, conforme o MPDFT, alguns com diversas passagens pela polícia por uma série de crimes. Entre eles, estelionato.
Dois dos principais alvos da operação são os irmãos Welbert Richard Viana Marinho, 37 anos, e Weverton Viana Marinho, 34. Eles não têm os nomes publicados no site da empresa e não constam como sócios nos dados da Receita Federal, mas se apresentam como presidentes do grupo.
Durante um mês, o Metrópoles acompanhou as atividades da Kriptacoin e também apurou denúncias contra os presidentes e outros integrantes do esquema. Na apresentação do plano de compensação, eles ofereciam aos potenciais clientes participação nos valores de R$ 1 mil, R$ 3 mil e R$ 21 mil, com 1% de ganho por dia, independentemente do crescimento da moeda.
O maior foco era dado à indicação de novos “investidores”, que podiam gerar ganhos de 10% do valor investido e um bônus de 30% da equipe menor. A atividade mostrava que, apesar da Wall Street Corporate alegar, em algumas ocasiões, que não era empresa de marketing multinível, ela dependia de indicação de novos afiliados e pagava em níveis, num sistema chamado de “binário’.
































