O Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Purificação e Distribuição de Água e em Serviços de Esgotos do Distrito Federal (Sindágua) aprovou, na tarde desta quinta-feira (09/05/2019), paralisação dos funcionários da Companhia de Saneamento Ambiental (Caesb) a partir do dia 16. A empresa pública apresentou proposta aos servidores, mas eles rejeitaram, por unanimidade, o documento.

Na semana passada, os trabalhadores já haviam aprovado indicativo de paralisação como forma de protesto contra a postura da companhia, segundo alegam. A Caesb teria encaminhado uma proposta trabalhista na época da data-base dos servidores, mas voltado atrás depois de o Sindágua ter aceitado o documento.

A nova proposta foi lida pelos representantes do sindicato na assembleia, mas nenhum trabalhador votou para que fosse aceita. Os representantes dos funcionários ainda vão se reunir com alguns deputados distritais na Câmara Legislativa, na tarde desta quinta, para debater o assunto.

Na primeira proposta, pleiteada pelos trabalhadores, não havia previsão de reajuste salarial, mas nela constava a renovação da cláusula de direitos e deveres que prevê a manutenção dos empregos dos celetistas pelos próximos dois anos. Ela também limitava o número de cargos em comissão, na estrutura da empresa, para dois funcionários de livre provimento a cada 100 concursados.

Por meio de nota, a Caesb informou que continuará com as negociações a fim de evitar a paralisação dos serviços à população. “A diretoria da Caesb apresentou proposta que contempla a manutenção dos direitos adquiridos e a correção inflacionária de benefícios que compõem a remuneração dos empregados. A proposta está de acordo com as diretrizes estabelecidas pelo governador Ibaneis Rocha e é condizente com a difícil situação econômico-financeira da Empresa”, afirmou.

“Não vai dar em nada”
O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), falou nessa quarta-feira (08/05/2019) sobre a greve dos metroviários e, ainda, a respeito da possibilidade de paralisação dos trabalhadores da Caesb. O movimento dos servidores, de acordo com o emedebista, é inócuo, em razão da dificuldade financeira que o DF enfrenta.

“É uma falta de compreensão muito grande do serviço público, sabendo que todos os estados estão quebrados, tentar enfrentar greves por melhorias salariais. Todos nós sabemos que não vai dar em nada, porque não existe possibilidade de se negociar nada no âmbito de salários”, disse Ibaneis.

Os metroviários estão de braços cruzados desde 2 de maio. “E aqui, no DF, é de forma mais absurda ainda. Quando você pega, por exemplo, o condutor de um trem de metrô, que ganha em torno de R$ 12 mil. Enquanto, em São Paulo, quem faz o mesmo serviço recebe R$ 4 mil”, comparou.

Segundo o emedebista, a sequência de governos de esquerda e socialistas em Brasília gerou uma apropriação dos órgãos pelo serviço público. “Agora nós vamos ter que dar uma enquadrada nessa situação, sob pena de quebrar todas as empresas. Elas já estão quebradas. E aí a situação desses servidores vai se agravar ainda mais”, afirmou.

De acordo com o governador, caso o Executivo não faça o ajuste das contas, corre o risco de chegar à situação de estados como Rio de Janeiro, Rio Grande Sul e Rio Grande Norte, que estão atrasando pagamento de salários. Ibaneis condicionou a retomada dos reajustes ao reequilíbrio do orçamento.

Certamente nós vamos valorizar os servidores. Esse é o meu intuito. Lembrando a todos que advoguei para servidores públicos durante 25 anos. Agora, eu tenho a responsabilidade de administrar um estado onde houve aumentos salariais fora da proporção nacional e que colocou esse servidores em um condição salarial bem elevada em relação aos demais estados da Federação"
Ibaneis Rocha, governador do DF