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Servidores do GDF esperam até 6 horas para validar atestado médico

Funcionários do próprio governo local reclamam que a equipe responsável por avaliar os casos é insuficiente para atender à demanda. Condições insalubres também são alvo de críticas

Facebook/ Reprodução
João Gabriel Amador
 

Nem os servidores do Governo do Distrito Federal escapam da burocracia disseminada pelos mais variados órgãos do aparato estatal. Centenas deles enfrentam, diariamente, até seis horas de espera para conseguir a homologação de atestados médicos. Segundo os trabalhadores, o tempo perdido não é o único problema: não há lugares suficientes para sentar e a falta de vagas para veículos no local faz com que seja preciso apelar a um estacionamento privado que cobra por minuto.

No início do governo Rollemberg, uma das medidas tomadas para conter gastos e diminuir o alto número de afastamentos de servidores foi a centralização do serviço de homologação de atestados na Subsecretaria de Segurança e Saúde no Trabalho (SubSaúde), no Edifício Parque Cidade Corporate, ao lado do Venâncio 2000, no Setor Comercial Sul.

O intuito era concentrar os processos em um único órgão para evitar fraudes e licenças desnecessárias. “Essa medida é fundamental para conhecimento das razões de adoecimento e elaboração de políticas voltadas para a saúde do servidor que mitiguem estes problemas”, afirmou, em nota, a Secretaria de Planejamento, Orçamento e Gestão (Seplag), pasta à qual a SubSaúde é vinculada.

Porém, o que era para ajudar tem trazido dores de cabeça. Segundo servidores do GDF, a equipe é insuficiente para atender à demanda. “O DF tem cerca de 80 mil servidores públicos, e todos têm de ir ao mesmo lugar para conseguir os atestados. Não há infraestrutura para atender todos”, reclama Marlon Moisés, presidente da Associação dos Servidores da Carreira e Políticas Públicas do DF (Ascap).

Cirurgia
O tempo de espera é mais dramático para quem passou por procedimentos médicos mais complexos, como a servidora Cinthia Freitas, que ficou cinco horas na fila após ter sido submetida a uma cirurgia.

Três dias após uma histerectomia, tive de esperar por cinco horas naquelas cadeiras desconfortáveis, morrendo de dor. A médica ainda foi muito grossa comigo. Tenho 20 anos de Secretaria de Educação, acho que não merecia passar por isso"
Cinthia Freitas, servidora

Segundo a Seplag, a Subsaúde tem um quadro de 90 médicos para atender todos os servidores. São realizados cerca de 600 atendimentos ao dia, nas diversas áreas que compõem a prestação de serviços, como homologação de atestados, avaliação de capacidade laborativa, realização de exames admissionais para candidatos a cargo público, atendimento de demandas judiciais diversas, apreciação de processos administrativos para aposentadoria por invalidez e isenção do Imposto de Renda, entre outros.

Condições precárias
Além da longa espera, muitos servidores reclamam das condições dos locais onde são feitos os atendimentos. “Eles alugaram uma sala no subsolo de um prédio no Setor Comercial, sem as condições ideais. Na fila, ficam pessoas com doenças diversas, inclusive contagiosas. Quando estive lá, havia uma mulher com caxumba, que é altamente transmissível”, conta Marlon Moisés.

Os visitantes que vão de carro ainda têm de arcar com os preços do estacionamento. “Em média, gastam R$ 18”, completa o presidente da Ascap. Na página da associação, diversos casos semelhantes são relatados, confirmando a situação.

Em resposta, a Seplag alega que tem conhecimento do caso e tomará medidas para solucionar o problema. “Desde a unificação das pastas de planejamento e gestão administrativa — ocorrida em 23 de outubro de 2015 —, a nova gestão tem buscado conhecer o quadro das perícias médicas e melhorar os processos. Um diagnóstico dessa situação está em construção neste momento, o qual deverá conter o levantamento dos problemas e as possíveis soluções de modernização dessa área. Vale destacar que a Seplag também enviou ofício à Secretaria de Saúde solicitando cessão ou redistribuição de médicos da pasta para reforçar o atendimento na Subsaúde”, informou em nota.