Sem receber pagamento, categorias de servidores terceirizados planejam entrar em greve

Depois dos policiais civis, agora é a vez dos servidores terceirizados em escolas públicas cruzarem os braços por atraso de salário

atualizado 14/09/2015 19:02

O Distrito Federal pode parar nos próximos dias. As principais categorias do serviço público, como educação e saúde, ameaçam se unir aos policiais civis e iniciar movimentos grevistas. O temor pela falta de pagamento é real, mas a principal queixa das categorias é a dificuldade de diálogo com o governo. A reportagem do Metrópoles ouviu entidades representativas de cinco segmentos. Todas as lideranças disseram que há semanas tentam marcar reuniões para negociar com o Executivo, sem sucesso.

Em greve há 14 dias, os policiais civis não têm data para retomar os serviços. Nesta segunda (14/9), os funcionários terceirizados de escolas públicas do DF também ensaiam cruzar os braços já no início da manhã. O sindicato da categoria (Sindiserviços) fará uma ronda nas escolas para saber quem ainda não recebeu salário. O representante dos trabalhadores foi informado de que somente duas das cinco empresas terceirizadas teriam o pagamento depositado até domingo (13/9).

Um total de 1,5 mil merendeiras e 4 mil auxiliares de serviços gerais ainda não receberam o salário do mês de agosto, que deveria ser pago no quinto dia útil. O prazo para que as empresas depositassem os pagamentos e evitassem a greve venceu neste domingo (13/9), quando os trabalhadores contabilizaram o quinto dia de atraso. Os médicos têm paralisação aprovada em assembleia do 5º ao 7º dia útil de outubro, caso não sejam pagas as parcelas do reajuste previsto, as horas extras acertadas, licença-prêmio e outros benefícios.

Na folha de setembro, o GDF terá de pagar o reajuste salarial, aprovado no governo de Agnelo Queiroz, para 32 categorias. “Queremos ser recebidos pelo próprio governador. Ele deve encerrar a conversa com, pelo menos, uma garantia de pagamento. Não tem dinheiro agora, mas quando vai ter?”, cobra o presidente do Sindicato dos Médicos do DF, Gutemberg Fialho.

O presidente do Sindicato dos Servidores do DF (Sindiser), André Luiz da Conceição, confirma o debate sobre mobilizações. “Representamos 35 mil servidores. Hoje temos uma realidade de trabalhadores, que fizeram aniversário em agosto, sem o 13º salário”, relata André Luiz. Ele reclama da dificuldade de comunicação com o GDF: “O problema é que não existe diálogo. Não sabemos a real situação. O governo tem feito economia desde janeiro, queremos uma resposta”.

Para o Sindicato dos Professores (Sinpro), o atraso no pagamento não se justifica. “O Fundo Constitucional está sendo passado no valor previsto, sem redução. Como assim o governo não tem recursos?”, questiona o diretor do Sinpro, Washington Dourado.

Desde a transição, o governo enfrenta problemas financeiros. Logo na primeira quinzena de janeiro, Rollemberg precisou parcelar salários. A medida atingiu quem ganhava mais de R$ 9 mil. Na estreia de sua gestão, ele enfrentou paralisações diárias em frente ao Palácio do Buriti e teve uma derrota no Conselho Especial do Tribunal de Justiça do DF, em maio. Por decisão unânime, o conselho negou o pedido de Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) proposta pelo Ministério Público do DF (MPDFT) e confirmou o reajuste aprovado por 32 leis a servidores públicos de diversas carreiras da capital.

A medida gerou outro problema para o governo. No último balanço das contas, o gasto com folha de

pagamento ultrapassou o limite prudencial da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Subiu de 46,93% para 48,01%. Na divulgação das contas do 2º quadrimestre, que ocorrerá ainda neste mês, a situação deve piorar. Com os reajustes concedidos aos servidores, o índice pode ultrapassar 50%, percentual, desta vez, acima do limite máximo permitido, de 49%. Na terça (15), Rollemberg deve anunciar um pacote de medidas na tentativa de retomar o controle das contas públicas.

Foto: Paulo Cabral/Sindpol

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