Estudantes encaram suspensão de novos concursos como mais tempo para estudo
Concurseiros tentam se animar após a determinação do GDF. Coordenadores de cursinhos contam que matrículas não caíram
atualizado
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O decreto que suspende a realização de novos concursos públicos, publicado no Diário Oficial do DF nesta quarta-feira (30/9), não desanimou concurseiros brasilienses. Como a determinação não vale para os concursos já homologados e com editais publicados (veja a lista), há esperança. O “tempo extra” de estudos e preparo para futuras provas mantém o ânimo de quem passa o dia entre apostilas e cadernos.

“Quando fiquei sabendo da decisão do governador, bateu uma tristeza. Mas, no dia seguinte, já estava em sala de aula. Percebi que não podia desanimar”, comenta Caio de Lima, 24 anos. Ele se formou em jornalismo, mas decidiu se tornar servidor público. Para o administrador Bruno Almeida (foto no alto), 34, apenas a rotina de estudos mudou. “Antes, me dedicava umas dez horas aos estudos. Agora diminuí para seis. Não fiquei desencorajado a ponto de largar o cursinho”, comenta.
Na opinião do diretor pedagógico dos cursos on-line do IMP Concursos, Deodato Neto, 33, o decreto afeta apenas os alunos aventureiros. O consultor Diogo Pereira da Silva, 35, está matriculado em cursinho somente há dois meses. Para ele, a notícia veio como um balde de água fria. “Fico desmotivado, porque terei pouco tempo para me preparar para as provas que já estavam autorizadas”, lamenta.

Segundo Neto, este é o melhor momento para aqueles que estão estudando há mais tempo. “Tivemos tantas provas em 2015 que era difícil manter o foco em um concurso específico. Quando os exames voltam, voltam de uma vez. E só garante uma vaga quem realmente se preparou”, defende. O coordenador pedagógico do Gran Cursos, André Lopes, concorda. “Vale a pena continuar estudando. Aqueles que insistem estarão nos primeiros lugares da fila para o concurso público”, diz.

Coordenadores de cursinhos entrevistados pelo Metrópoles informaram que, até o momento, não houve queda no número de matrículas. Neto acredita que os cursos de breve duração devem reduzir o número de inscritos em 2016, mas os preparatórios mais longos não.
Não só as escolas para concursos estão confiantes. A Associação Nacional de Proteção e Apoio aos Concursos (Anpac) também acredita que o mercado não sentirá muito impacto. “O índice de desemprego está de tal ordem que todo mundo está procurando um lugar ao sol. Todos querem estabilidade”, aponta Maria Thereza Sombra, diretora executiva da Anpac.
Para Maria Thereza, suspender os concursos é, na verdade, um tiro pela culatra. A medida pode gerar colapso na administração pública, especialmente em órgãos “essenciais para a arrecadação”. A diretora diz que a decisão de suspender os processos seletivos vai dificultar o trabalho dessas instituições.
Embora o número de concurseiros não tenha mudado, as escolas passaram por mudanças. O desafio agora, explicam os donos das empresas, é manter o funcionamento em tempos de crise econômica e de fortalecimento das vídeo-aulas.O Gran Cursos pulverizou suas unidades. O prédio de quase 10 mil m² no Setor de Indústrias Gráficas (SIG) já não pertence mais ao grupo. “Diminuímos o tamanho de nossa unidades, mas criamos novos polos em regiões administrativas que não possuíam bons preparatórios”, explica Lopes. A migração para outras cidades, conforme informou o diretor, também permitiu a redução dos preços das mensalidades. “Assim, conseguimos aumentar o número de alunos”, finaliza.
