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Insatisfeitos com o tratamento oferecido pela atual gestão à frente do Governo do DF, servidores de diversas categorias locais decidiram partir para o ataque. O resultado? Paralisações e greves que modificam a rotina do brasiliense. Na última semana, pelo menos duas categorias interromperam as atividades por um dia e, agora, terão início greves anunciadas pelos metroviários e funcionários da Companhia Energética de Brasília (CEB). Em meio às paralisações, o morador da capital acaba prejudicado.

Em greve desde segunda-feira (6/11), os servidores da CEB reivindicam reajuste de R$ 1,2 mil; recomposição salarial no valor da inflação; aumento de 36% no auxílio-alimentação; além do pagamento de auxílio-transporte, abono e tíquete natalino. A paralisação foi aprovada pela categoria após assembleia em 31 de outubro e, nesta terça (7), os funcionários avaliaram a mais recente proposta apresentada pela CEB.

No entanto, as partes não entraram em acordo. O documento apresentado pela companhia previa a recomposição salarial e, segundo a estatal, a manutenção de todas as cláusulas sociais e econômicas. Já a categoria afirma que benefícios como abono e tíquete natalino foram ignorados. Uma nova assembleia dos servidores está marcada para esta quarta (8). Enquanto o impasse não tem fim, o trabalho se acumula.

De acordo com a CEB, “devido à greve promovida pelos empregados da empresa desde a última segunda-feira (6), o atendimento aos seus clientes está prejudicado. As demandas para atendimento de emergência (falta de energia), infelizmente, aumentam a cada hora, sem previsão de tempo para que sejam atendidas”.

A empresa aconselha ainda os usuários a abrirem chamados por meio do aplicativo CEB Distribuição, já que, por conta do alto número de chamados, as linhas telefônicas podem ficar ocupadas. Por fim, a estatal afirma que “não mediu esforços para impedir que o movimento paredista ocorresse, pois sabe os transtornos que ações como essa trazem à população”.

Metroviários
Outra greve que deve ter grande efeito na vida dos brasilienses nos próximos dias é a dos metroviários, marcada para começar na quinta (9). Aprovada em assembleia no último dia 5, a paralisação vai reduzir a 30% o número de trens que circularão pela cidade e deve causar transtornos aos cerca de 150 mil moradores que utilizam o meio de transporte por dia útil no DF.

A categoria reivindica a recomposição salarial no valor da inflação e nomeação de mais de 600 servidores aprovados em concurso. O GDF já havia se comprometido a cumprir as medidas após a última greve dos metroviários, em 2015. Mas, segundo os servidores, isso não aconteceu. Em carta ao público, o Sindicato dos Metroviários do DF (Sindmetro-DF) pede tolerância.

Pedimos a compreensão e o apoio da população nesta luta que tem o intuito, antes de mais nada, de melhorar o atendimento prestado aos usuários desse sistema de transporte que vem sendo cada dia mais sucateado e esquecido por este governo que insiste em priorizar comissionados e contratos terceirizados"
Sindicato dos Metroviários do DF

Após o anúncio da greve, o Metrô-DF informou que vai analisar a decisão da categoria e tomar as providências necessárias.

Policiais e agentes
As insatisfação com o GDF também provocou paralisações de policiais civis e agentes do sistema socioeducativo. A primeira categoria interrompeu as atividades no último dia 1º de novembro, por 24 horas. Durante o período, só foram registrados flagrantes e ocorrências graves, como latrocínios, homicídios e estupros.

Os policiais reivindicam equiparação salarial com a Polícia Federal. O GDF, no entanto, alega não ter caixa para conceder os aumentos. “Enquanto a Polícia Civil tem apresentado resultados positivos, o governo nos vira as costas. Há dois anos, nós temos batido nessa porta, mas não conseguimos avançar porque ele nos escolheu como bodes expiatórios para barrar a valorização de todo o funcionalismo público do DF”, afirma Rodrigo Franco, presidente do Sindicato dos Policiais Civis do DF (Sinpol-DF).

Reprodução/Sindsse-DF

Servidores do serviço socioeducativo fazem ato em frente ao Palácio do Buriti

 

Já os servidores do sistema socioeducativo reivindicam, principalmente, mais segurança na execução das atividades e nomeação de agentes. No dia 29 de outubro, um membro da categoria sofreu uma tentativa de homicídio em uma unidade de internação. Quatro dias depois, um menor fugiu enquanto era transferido por agentes.

Na segunda (6), a categoria realizou uma assembleia e paralisou as atividades para realizar um ato em protesto em frente ao Palácio do Buriti.

O que diz o GDF
Acionado pelo Metrópoles para comentar as paralisações, o GDF disse que “reitera o esforço para ajustar as contas públicas e não tem condições financeiras para conceder reajustes aos servidores, situação esta que levaria à condição encontrada no início da atual gestão, de absoluto descontrole de gastos”.

Ainda segundo o órgão, “a concessão de reajuste implicará em dificuldade para honrar salários e pagamentos de fornecedores e prestadores de serviços essenciais. Neste sentido, o governo adotará as medidas judiciais cabíveis para enfrentar as greves”.​

 

 

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