Sem-teto fazem protesto em frente ao Torre Palace Hotel
Manifestantes que ocupam o prédio queimaram pneus e bloquearam o trânsito em ação contra a decisão judicial que determina a retirada das famílias da estrutura abandonada

Manifestantes que ocupam o prédio abandonado do Torre Palace Hotel, no Setor Hoteleiro Norte, fecharam a N1 — o Eixo Monumental, na altura da Torre de TV — e queimaram pneus em protesto contra a determinação judicial de retirar as famílias que ocupam a estrutura. O trânsito ficou caótico na região no fim da tarde desta sexta-feira (1°/4). O grupo portava faixas e bandeiras do Movimento de Resistência Popular.

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Ver todasJosé Pereira, 64, está desde o início da ocupação do hotel, há cinco meses. Ele disse que o protesto de hoje foi para chamar a atenção do governo para a causa deles, que é o pedido de moradia. São 220 famílias que foram retiradas do Clube Primavera, na QSC 19, Taguatinga Sul.
Retirada
A ação desta tarde é promovida no momento em que corre o prazo para a retirada dos invasores. Em 22 de março, a juíza Mara Silda Nunes de Almeida, da 8ª Vara de Fazenda Pública, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), deferiu, em caráter liminar, ação protocolada pela Procuradoria-Geral do Distrito Federal (PGDF) contra a Torre Incorporações e Empreendimento Imobiliário Ltda., proprietária do hotel.
Segundo a decisão, a empresa tem 20 dias para promover a remoção das pessoas que estão no antigo hotel, o cercamento do perímetro da edificação, a retirada das telhas quebradas ou soltas e a correção do telhado para evitar infiltrações, entre outras providências necessárias em caráter de urgência.
Entre os argumentos e provas apresentadas pelo governo ao tribunal, foi apontado o estado crítico da estrutura física que coloca em perigo não apenas os integrantes do Movimento de Resistência Popular e os moradores de rua que ocuparam o local, mas a sociedade brasiliense, pois oferece riscos de saúde, segurança e ordem pública.
Se o responsável não cumprir a determinação judicial no prazo estipulado — a contar do recebimento da intimação —, o Estado poderá agir. Nesse caso, as custas serão cobradas da Torre Incorporações e Empreendimento Imobiliário Ltda.
Leilão
Em fevereiro, o Tribunal Regional do Trabalho da a 10ª Região (Distrito Federal e Tocantins) determinou que o prédio fosse leiloado no dia 28 de março, devido a uma dívida trabalhista de R$ 120 mil. No entanto, no início de março, o mesmo tribunal decidiu pela suspensão do leilão. A juíza Ana Beatriz do Amaral alegou controvérsias com relação ao valor da dívida do imóvel.
Quando o leilão foi anunciado, o vice-governador do DF, Renato Santana, afirmou ao Metrópoles que a medida “não era garantia de que o problema vai ser resolvido. Quem arrematar aquele prédio vai comprar um problema”.
Disputa entre herdeiros
Fundado em 1973, o Torre Palace Hotel foi o primeiro prédio do Setor Hoteleiro Norte. Hoje, é parte de uma disputa entre herdeiros do libanês Jibran El-Hadj, dono do prédio, morto em 2000. Abandonado desde 2013, quando teve as atividades encerradas, o hotel é abrigo de moradores de rua e usuários de drogas.
Desde outubro do ano passado, também é o lar de integrantes do Movimento Resistência Popular, que invadiram o local após serem expulsos do Clube Primavera, em Taguatinga.
Ao todo, cerca de 200 pessoas ocupam o local, que fica em área privilegiada do Setor Hoteleiro Norte, em frente ao Eixo Monumental. Palco de diversas tentativas mal-sucedidas de reintegração de posse, o hotel já foi condenado pela Defesa Civil, que apontou diversas falhas graves na estrutura da construção.

















