Sem eventos confirmados, Mané Garrincha será entregue à gestão privada

Sem arrecadação, o estádio volta a operar no vermelho. Por mês, a arena brasiliense custa aos cofres do governo cerca de R$ 700 mil. São despesas com energia, limpeza, reposição de peças, pequenos reparos e segurança, entre outros serviços

atualizado

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1 de 1 mané garrincha - Foto: Daniel Ferreira/Metrópoles

Depois de uma uma agenda movimentada nos primeiros oito meses deste ano, o Mané Garrincha “entrou de férias”. Não há eventos confirmados para a arena até 2017. Segundo a Secretaria Adjunta de Turismo, embora alguns shows anunciados informarem que ocorrerão no local — inclusive com venda de ingressos já iniciada —, não está 100% confirmado que terão o estádio como palco. É o caso do Festival Porão do Rock e dos shows da dupla sertaneja Jorge e Mateus, marcados para outubro, e da banda norte-americana Guns N’ Roses, em novembro. A documentação necessária para a realização dos eventos ainda não foi entregue à secretaria.

O estádio, com capacidade para 70 mil pessoas, foi o mais caro construído para a Copa do Mundo de 2014 e, agora, com o fim dos eventos esportivos mundiais no Brasil, está com os portões fechados. O custo estimado para a construção da arena foi de aproximadamente R$ 1,7 bilhão. O Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) apontou que esse valor pode chegar a R$ 2 bilhões, em razão dos últimos aditivos.

Este ano, o Mané Garrincha sediou eventos importantes. Durante a realização da Rio-2016, a arena esportiva recebeu 10 partidas de futebol dos Jogos Olímpicos e foi palco da despedida do líbero Serginho, da seleção brasileira de vôlei. Com o principal estádio carioca — o Maracanã — fechado para duelos do Campeonato  Brasileiro, times como Flamengo e Fluminense escolheram Brasília para alguns confrontos. Entretanto, não foram suficientes para garantir sequer a manutenção do espaço durante o ano.

Sem eventos e, consequentemente, arrecadação, o estádio volta a operar no vermelho. Por mês, o Mané Garrincha custa aos cofres do Governo do Distrito Federal cerca de R$ 700 mil. São despesas com energia, limpeza, reposição de peças, pequenos reparos e segurança, entre outros serviços. A manutenção cara, diante de uma agenda vazia, acelerou os plano do Palácio do Buriti de entregar o local para a gestão privada.

Procurada pela reportagem para informar como anda o processo de concessão, a Agência de Desenvolvimento do Distrito Federal (Terracap), dona do estádio, informou que a RNGD Consultoria de Negócios Ltda, empresa habilitada pela Proposta de Manifestação de Interesse (Edital 07/2016) para o Centro Esportivo de Brasília — ArenaPlex, tem até a primeira quinzena de outubro para entregar os projetos.

“Os estudos vão propor um novo modelo de negócio para o ArenaPlex. Após a entrega dos projetos, será realizada a análise e a escolha da melhor solução proposta para a exploração dos equipamentos públicos, que incluem o Estádio Nacional de Brasília Mané Garrincha, o Ginásio Nilson Nelson, o Complexo Aquático Cláudio Coutinho e as quadras poliesportivas. A partir da proposta escolhida, será elaborado o edital de licitação para escolher a empresa responsável em executar o projeto”, afirma a nota.

Aluguel
Atualmente, o valor de locação do Estádio Mané Garrincha é determinado pelo Decreto 34.798, de 5 de novembro de 2013. De acordo com o documento, a área externa do estádio é alugada pelo valor de R$ 3,39 o m². O Festival Porão do Rock, por exemplo, espera no máximo 30 mil pessoas no evento. Segundo o Metrópoles apurou junto à Secretaria de Turismo, para essa quantidade de pessoas, 9 mil m² seriam suficientes. Sendo assim, o valor do aluguel seria de apenas R$ 30 mil.

Dentro da arena o valor do m² passa a ser de R$ 6,17. O show da dupla Jorge e Mateus prevê um público de 50 mil pessoas dentro do estádio. Dessa forma, o aluguel ficaria em torno de R$ 100 mil. Mesmo se esse evento e o Porão do Rock forem confirmados, o valor arrecadado será de cerca de R$ 130 mil, muito pouco diante das despesas mensais que a arena exige.

O decreto permite que o governador conceda descontos e até isente o pagamento de taxas, caso considere o vento de relevância social. Para tornar as regras de concessão de abatimento mais claras, a Secretaria de Esporte, Turismo e Lazer pretende regulamentar a locação de equipamentos públicos. As especificações estarão em decreto, que deverá ser publicado nos próximos meses. A ideia é limitar os descontos em no máximo 70%.

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