Sem decisão judicial, Educação mantém transferência de lote de escola
Terreno com serviços públicos, galpões e escola é objeto de uma batalha judicial entre o governo e os servidores públicos da Educação
atualizado
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Mesmo sem a palavra final da Justiça sobre o futuro do terreno ocupado pela Unidade 3 da Secretaria de Educação e da Escola Classe SRIA, o Governo do Distrito Federal (GDF) começou o processo de mudança de servidores e serviços.
A área é objeto de uma batalha judicial. De um lado, o governo planeja a desocupação para abrigar um bilionário complexo particular de Saúde. Do outro, servidores defendem a manutenção da escola e dos serviços públicos.
No âmbito do Tribunal de Justiça do DF e Territórios (TJDFT), o GDF ganhou o processo em 1ª instância. No entanto, os servidores recorreram e o segundo julgamento ainda está em curso.
Mas, mesmo sem o trânsito em julgado, a Secretaria de Educação enviou um ofício nesta quarta-feira (12/6) solicitando o levantamento do patrimônio de uma seção da Unidade 3, a Gerência de Frota.
“Para embasar o cronograma de mudança, solicita-se uma lista detalhada de todos os bens patrimoniais vinculados à Gerência de Frota (GFROT)”, afirmou o documento.
A pasta solicitou a lista de veículos, com respectivas placas, equipamentos de manutenção, mobiliário e equipamentos eletrônicos. A princípio, servidores e serviços serão remanejados para o Shopping ID.
Carteiras, merenda e material
A Unidade 3 era responsável por diversos serviços administrativos e logísticos da rede pública, a exemplo do armazenamento de carteiras, merenda e material escolar.
Não houve movimentação direta sobre a escola até o momento. Para servidores, a mudança vai contra o interesse público e o complexo poderia ser usado para alavancar a rede pública de ensino do DF.
Segundo servidores ouvidos pelo Metrópoles, o GDF só poderia avançar com o processo de mudança após a sentença final da Justiça.
Outro lado
O Metrópoles entrou em contato com a Secretaria de Educação. Por nota, a pasta confirmou que a questão da titularidade do imóvel está judicializada, mas ressaltou que o GDF ganhou a causa em 1ª instância. Também destacou que o Tribunal de Contas do DF (TCDF) revogou as medidas cautelares sobre a operação.
Sobre o futuro da escola, a pasta se limitou a afirmar que “viabilizou a regularidade das matrículas e o regular funcionamento na Unidade Escolar para o presente exercício”.
Leia a nota completa:
A Secretaria de Estado de Educação informa que quanto à titularidade do imóvel e, consequentemente, destinação da área, a questão está a cargo do Poder Judiciário. Destacamos, ainda, que a decisão judicial de 1ª grau foi expressa em consignar que “inexistem ilegalidade, abuso de poder ou desvio de finalidade no procedimento administrativo adotado pelos Órgãos do Distrito Federal.”Registramos, ainda, que a Decisão nº 1551/2024 do TCDF revogou a medida cautelar que suspendia quaisquer atos com vistas à mudança de local e ao funcionamento por esta Pasta, em virtude da legalidade em que se funda a reversão da doação.
Ressaltamos que a Diretoria de Planejamento e Acompanhamento da Oferta Educacional desta Secretaria viabilizou a regularidade das matrículas e o regular funcionamento na Unidade Escolar para o presente exercício, garantindo o perfeito atendimento ao corpo discente e docente, em consonância com as diretrizes pedagógicas e com as Decisões exaradas pelo Tribunal de Contas do Distrito Federal.
