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Segurança

Violência em Ceilândia: suspeito de matar Maria Eduarda é um menor

A menina é mais uma vítima da disputa de territórios por gangues que atuam na cidade. Adolescentes buscam espaço no comando dos grupos

Mirelle Pinheiro23/05/2018 12:03, atualizado 23/05/2018 13:09
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Rafaela Felicciano/Metrópoles
Violência em Ceilândia: suspeito de matar Maria Eduarda é um menor

O autor dos disparos que mataram a pequena Maria Eduarda Rodrigues de Amorim, cinco anos, em Ceilândia, é um adolescente. Segundo apurou o Metrópoles, entre os suspeitos do crime também está um foragido do sistema socioeducativo. A menina é mais uma vítima da disputa de territórios por gangues de Ceilândia. Neste caso, entre as quadras QNO 17 e 18. Com a prisão dos líderes adultos, os menores estão em guerra para dominar o espaço.

Ações coordenadas pela 24ª Delegacia de Polícia (Setor O) ajudaram a desarticular as gangues. Em abril, por exemplo, uma operação levou grande parte dos criminosos, considerados violentos, para a prisão. Agora, os adolescentes querem ocupar os postos de liderança. Para isso, transformaram a região em um verdadeiro campo de guerra e não se incomodam em cometer barbáries para conquistar seus objetivos..

Um desses menores teria fugido de um centro de internação e, na última quinta-feira (17/5), praticado o chamado “atentado”, que consiste em espancar e torturar um integrante da organização rival. No domingo (20), o grupo ao qual a vítima do espancamento pertence se reuniu e executou, com um tiro na cabeça, um jovem de 17 anos. Ele estava com a irmã de 12 anos em uma parada de ônibus na QNO 17.

A resposta veio rápida. Na segunda (21), a casa de Maria Eduarda foi alvo de um ataque a tiros. A menina morreu com uma bala na cabeça. Ela tinha saído no quintal para pegar pipoca e perdeu a vida. As balas ainda acertaram o irmão dela, Marcos Rodrigues de Amorim, 19, no joelho.

Marcos Rodrigues de Amorim tem diversas passagens pela polícia. Quando ainda era adolescente, o rapaz foi apreendido por atos análogos a furto e roubo a comércio, receptação de carro roubado e porte ilegal de arma de fogo. Em 2018, já adulto, chegou a ser preso e estava em liberdade provisória.

O auxiliar administrativo Alan Jones Ferreira de Carvalho, 36, tio das vítimas, acredita que o alvo não era Marcos e, sim, o irmão dele de 15 anos. Ele teria envolvimento com drogas. “Tentaram matá-lo há cerca de dois meses, aqui mesmo no quintal. Deram vários tiros, mas felizmente ninguém saiu ferido. Depois disso, ele foi embora e não sabemos onde está”, afirmou. As marcas de balas estão nas janelas e no portão da casa.

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Marcas de bala na janela da casa da avó de Maria Eduarda
QNO 18, em Ceilândia
Rua onde ocorreu o crime
Maria Eduarda
Trabalho de Maria Eduarda em homenagem à mãe, Cláudia
Marca de bala no portão da casa da família de Maria Eduarda
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Marca de bala no portão da casa da família de Maria Eduarda

Rafaela Felicciano/Metrópoles
Marcas de bala na janela da casa da avó de Maria Eduarda
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Marcas de bala na janela da casa da avó de Maria Eduarda

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QNO 18, em Ceilândia
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QNO 18, em Ceilândia

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Rua onde ocorreu o crime
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Rua onde ocorreu o crime

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Maria Eduarda
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Maria Eduarda

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Trabalho de Maria Eduarda em homenagem à mãe, Cláudia
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Trabalho de Maria Eduarda em homenagem à mãe, Cláudia

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Muro do colégio onde Maria Eduarda estudava mostra sinais da violência na região
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Muro do colégio onde Maria Eduarda estudava mostra sinais da violência na região

Rafaela Felicciano/Metrópoles

O veículo usado por um grupo de adolescentes no crime havia sido roubado minutos antes do homicídio de Maria Eduarda. O carro foi localizado em frente a um mercado da QNO 17 e apreendido. Um suspeito, maior de idade, chegou a ser preso pela Polícia Militar, mas acabou liberado já que não foi feita ligação direta com o crime.

Ataque
A menina, que ia completar seis anos em agosto, morava com a família nos fundos da casa da avó, na QNO 18, Conjunto 36, em Ceilândia. O irmão dela entrava no quintal quando dois homens chegaram em um Voyage preto e fizeram vários disparos. O rapaz está internado no Hospital Regional de Ceilândia (HRC), mas não corre risco.

Maria Eduarda levou três tiros – na cabeça, no tórax e na nádega. Ao ser atingida, caiu no corredor da casa. Foi levada por parentes ao HRC, mas chegou à unidade de saúde sem os sinais vitais.