DF: travestis presas gastaram dinheiro de extorsão no Chile e em Paris

Segundo a Polícia Civil, as vítimas têm alto poder aquisitivo

Michael Melo/MetrópolesMichael Melo/Metrópoles

atualizado 25/06/2019 11:28

Investigações da Polícia Civil do DF (PCDF) revelam que parte do dinheiro obtido pela quadrilha de travestis, presa por chantagear e roubar clientes, foi gasta em viagens internacionais. O grupo se especializou em marcar encontros sexuais e programas por meio do aplicativo Grindr, voltado ao público homossexual.

Segundo a polícia, os integrantes registravam as cenas de sexo com câmeras de celular e, depois, extorquiam as vítimas para que as imagens não fossem divulgadas. O líder da organização teria faturado ao menos R$ 400 mil. De acordo com os investigadores, ele passou uma temporada no Chile com a quantia arrecadada. Outro suspeito viajou para Paris.

Após cinco meses de investigação, inquérito instaurado na 5ª Delegacia de Polícia (Área Central) concluiu que as vítimas têm alto poder aquisitivo. Alguns, inclusive, são médicos que atuam no Distrito Federal. Além das viagens internacionais, os criminosos compravam veículos e revendiam. Na avaliação da polícia, essa seria uma das formas de lavar parte do montante adquirido com os crimes.

Operação Cilada

Oito suspeitos tiveram mandados de prisão expedidos pela Justiça no âmbito da Operação Cilada, deflagrada pela 5ª Delegacia de Polícia (Área Central). Três travestis e dois homens foram presos nos últimos três dias no Distrito Federal, em Goiás e em São Paulo. Outros três integrantes do bando ainda são procurados.

De acordo com as apurações, travestis marcavam os encontros sempre no Setor Hoteleiro Sul. Em quartos alugados, enquanto um dos autores se relacionava com a vítima, os demais criminosos ficavam escondidos na sacada ou no banheiro. Os clientes eram surpreendidos quando ainda estavam na cama, logo após a relação sexual.

Os homens eram obrigados a entregar o dinheiro que tinham nas carteiras, senhas de cartões de crédito e débito e ainda a fazer empréstimos consignados em aplicativos dos bancos em que eram clientes. A vítima ficava em poder da quadrilha enquanto os comparsas sacavam os valores. De acordo com a PCDF, durante o tempo em que permaneciam no quarto, os clientes costumavam ser espancados pelo grupo criminoso.

O delegado-chefe da 5ª DP, Gleyson Gomes Mascarenhas, disse que as travestis escolhiam as vítimas que aparentavam ter alto poder aquisitivo. “A quadrilha conseguia lucrar muito dinheiro com os crimes, sempre algo em torno de R$ 10 mil a R$ 15 mil. Um dos criminosos teria conseguido juntar cerca de R$ 400 mil”, afirmou. O grupo tinha até uma máquina de passar cartões.

Entre os três foragidos, está o líder do grupo, que teria movimentado a maior parte do dinheiro extorquido das vítimas. As investigações tiveram início após três homens procurarem a Polícia Civil. Depois da primeira extorsão, as vítimas voltaram a ser alvo dos criminosos nas semanas seguintes. As ameaças eram as mesmas: se não pagassem, teriam os vídeos íntimos divulgados nas redes sociais.

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