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O surto dessa sexta-feira (2/3) pode não ter sido o primeiro ato de descontrole e violência do policial militar Sílvio Costa Pereira, 32 anos. Ele é suspeito de matar o vizinho após uma discussão em 2012, em Taguatinga. O motivo do desentendimento teria sido uma vaga de estacionamento.

O sargento do Corpo de Bombeiros Heglisson William Landa, 42 anos, foi morto dentro de casa com um tiro no peito. “Eles moravam no mesmo lote. Meu irmão voltou de uma festa e, como ele tinha bebido, uma amiga voltou dirigindo. Sem saber, ela estacionou na vaga do Sílvio”, conta a irmã da vítima, Danielle Veloso, 30 anos. Pereira ainda não era soldado da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) na data do crime.

Após a discussão com o vizinho, ele teria voltado ao local, então armado e com um amigo. Naquele momento, Sílvio supostamente atirou em Heglisson, que morreu na hora. “Ainda sentimos a dor pela morte dele. Fiquei muito nervosa quando soube que ele estava atirando, sei como ele é descontrolado e violento”, contou Danielle. 

De acordo com o delegado Yuri Fernandes, da 12ª Delegacia de Polícia (Taguatinga), Sílvio Costa Pereira foi indiciado por homicídio qualificado, mas o policial não soube informar se o registro é referente à morte do sargento do Corpo de Bombeiros.

Nessa sexta-feira (2), o policial militar disparou pelo menos 30 vezes em um prédio na Rua 12, em Vicente Pires. Depois de três horas de negociação, ele se rendeu, foi levado a um hospital, medicado e, ainda, no interior da ambulância, informou ao delegado que só falaria em juízo. Pagou fiança de R$ 2 mil e acabou liberado no início da noite.

Veja o vídeo do momento em que o PM é colocado em uma viatura do Corpo de Bombeiros:

 

De acordo com Yuri Fernandes, o militar esvaziou três pentes da arma, uma pistola .40. Testemunhas contaram em depoimento que o PM tinha depressão e já vinha demonstrando sinais de isolamento. Os disparos foram feitos dentro e fora do apartamento. Por pouco não houve uma tragédia, já que os tiros acertaram paredes e até carros estacionados.

Pereira foi autuado em flagrante por disparo de arma de fogo em local habitado e pode ser condenado a pena de 2 a 4 anos de prisão. Agora, segundo o advogado Aldênio de Souza, fará tratamento em uma clínica conveniada com a Polícia Militar.

Veja as imagens da confusão:

 

De acordo com os vizinhos, o policial já teria apresentado comportamento agressivo na quinta-feira (1º/3). Nas rede sociais, PMs contaram que o homem também estava criando problemas no ambiente de trabalho, já há algum tempo.

O caso será investigado pela 12ª Delegacia de Polícia (Taguatinga). A unidade é a mesma na qual, no início desta semana, o delegado Yuri Fernandes deu voz de prisão a policiais militares que teriam se recusado a levar um motorista embriagado ao hospital após ele ter sido preso.