Plano Piloto tem a maior taxa de crimes por habitante no DF

Dados da SSP referentes a 2019 apontam que as regiões mais violentas, com os maiores índices de homicídios, são Fercal, Estrutural e Itapoã

atualizado 10/02/2020 20:23

Igo Estrela/Metrópoles

Centro da capital da República, o Plano Piloto é a região administrativa do Distrito Federal com o maior número de crimes cometidos a cada 100 mil habitantes. É isso que aponta levantamento do (M)Dados, núcleo de jornalismo de dados do Metrópoles, a partir das estatísticas divulgadas no site da Secretaria de Segurança Pública (SSP-DF). Em seguida, aparecem Taguatinga, Estrutural e Samambaia.

Por outro lado, as áreas mais tranquilas são Jardim Botânico, Sudoeste/Octogonal, Park Way e Lago Sul. O ranqueamento leva em conta os registros de todas as naturezas criminais feitos em 2019. No total, houve redução de 10,9% nos índices em relação a 2018.

No mapa abaixo, quanto mais escura a região maior é a taxa criminal. A principal incidência no Distrito Federal é de roubo a pedestres, com 29.165 ocorrências no ano passado. A segunda é de furtos em veículos, com 9.252.

Ao considerar apenas a taxa de homicídios por 100 mil habitantes – utilizada internacionalmente para verificar o nível de violência em cada localidade –, aparecem como sendo as regiões mais perigosas do DF: Fercal, Estrutural, Itapoã e Sobradinho.

O número de assassinatos também sofreu redução. De acordo com a SSP-DF, no ano passado, o Distrito Federal apresentou o menor índice dos últimos 35 anos. Foram registrados 415 homicídios, com uma taxa de 13 casos por 100 mil habitantes, o mais baixo desde 1985, quando o resultado foi 13,9/100 mil.

“Fechamos o ano com uma redução em números absolutos de 11,4%. Empregamos inteligência, que nos trouxe uma melhora contínua na qualidade das investigações, com ações pontuais, que passaram pela desarticulação de facções criminosas e muito treinamento”, afirma o secretário de Segurança, Anderson Gustavo Torres.

Apesar de a média estar dentro da meta, as regiões mais violentas têm taxas alarmantes. A Fercal, por exemplo, teve 58,25 homicídios por 100 mil pessoas. Por outro lado, Candangolândia, Jardim Botânico, Lago Sul, Núcleo Bandeirante e Park Way não tiveram nenhuma morte violenta registrada durante o ano.

Mercado do crime

A comparação entre os índices por RA mostra que os delitos contra o patrimônio ocorrem mais na região central de Brasília, enquanto os crimes contra a vida, nas áreas mais pobres da cidade. Segundo Welliton Caixeta Maciel, professor de antropologia da Faculdade de Direito e pesquisador do Grupo Candango de Criminologia da Universidade de Brasília (UnB), isso acontece devido às características econômicas de cada setor.

“Nas áreas com maior veiculação de mercadorias legais e ilegais, há uma criminalidade focada no patrimônio. A gente acaba tendo uma distribuição geográfica de acordo com a economia, o que não significa que os outros tipos de crimes não aconteçam por ali”, explica o professor.

Por outro lado, os homicídios acontecem com maior frequência onde há menor distribuição de renda. “Nesses lugares, as forças de segurança e o Estado não têm chegado. Carecem de atenção e de equipamentos públicos de saúde, educação, mobilidade.”

Maciel também chama a atenção para a instalação de grandes facções criminosas no DF após a criação da penitenciária federal. “Isso tem contribuído para a formação de uma economia em torno do presídio, com a prática de pequenos delitos. Os grupos têm gerado um mercado ilegal nessa região, o que aumenta a sensação de insegurança.”

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