PCDF investiga coronel da PM por estelionato e venda de armas

O militar Paulo José Barbosa de Abreu já foi investigado por ter ligação com o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira

Hugo Barreto/Metrópoles

atualizado 06/12/2019 21:49

Um coronel reformado da Polícia Militar do Distrito Federal foi alvo de operação contra associação criminosa e estelionato na manhã desta sexta-feira (06/12/2019). De acordo com as investigações da Coordenação de Repressão aos Crimes Contra o Consumidor, a Ordem Tributária e a Fraudes (Corf), Paulo José Barbosa de Abreu, 58 anos, e seus sócios, da empresa Spartacus, deixaram mais de 38 vítimas.

Quatro mandados de busca e apreensão foram cumpridos no âmbito da ação batizada de Operação Crassus. Três nas casas dos investigados e um na empresa. Os policiais civis da Divisão de Proteção ao Consumidor (DPCon), unidade pertencente à Corf, também apuram uma possível revenda de armas de fogo no mercado clandestino pelo grupo do coronel.

Os investigadores apreenderam algumas armas comercializadas pela Spartacus, que ficava na QNA 42 de Taguatinga Norte, em poder de terceiros de forma irregular. A empresa do PM é especializada na capacitação de vigilantes e também possui uma escola de tiro.

Foram encontrados documentos da empresa, caixas vazias das armas de fogo, celulares, pendrive. Os acusados alegam que estavam passando dificuldade financeira. O coronel chegou a falar que a loja foi furtada para justificar as armas nas mãos de terceiros, de forma irregular.

Essa não é a primeira vez que o militar entra na mira da polícia. Paulo José Barbosa de Abreu já foi investigado por ter ligação com o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.

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Vítimas

O delegado Rodrigo Carbone, diretor adjunto da Corf afirmou que diversas vítimas procuravam a Polícia Civil diante de problemas com a Spartacus. “Foram cerca de 38 vítimas em, aproximadamente, um ano e meio. Elas pagavam, muitas vezes à vista, faziam o trâmite certo e de maneira legalizada, mas não recebiam as armas”, contou.

Ao todo, essas pessoas tiveram prejuízo de R$ 200 mil. O delegado explica que as vítimas se sentiam coagidas. De acordo com elas, o coronel usava o cargo e a influência para intimidar os compradores. A polícia tem troca de mensagens, nas quais Paulo José ameaçava funcionários da loja e clientes a respeito da atividade criminosa.

“Pelo status que ele ostentava, o coronel tinha mais facilidade de contatos para ter acesso a essas armas”, afirmou o delegado. Além do militar, dois filhos e sócios dele são investigados: Paulo José de Abreu Júnior, 31, e Guilherme Disioli Ferreira de Abreu, de idade ainda não confirmada.

Eles devem ser indiciados pelos estelionatos e por sucessão criminosa. Além disso, há a hipótese de que vendiam as armas no mercado ilegal — cada uma sairia por um preço entre R$ 5 mil a R$ 6 mil.

De acordo com o delegado, as questões disciplinares cabem à PM apurar.

Por telefone o advogado do coronel, Wellington de Queiroz, negou qualquer envolvimento de seu cliente no episódio. Conforme alegou, a Polícia Civil não chamou seu cliente para depor sobre os fatos investigados. Também disse que a empresa não pertence ao militar, mas a seus filhos, e que a Delegacia do Consumidor não investiga crimes de estelionato e contrabando.

“Essas pessoas que compraram essas armas são agentes de segurança e fizeram da delegacia um balcão de cobrança. Alguns fizeram acordos judiciais ou extrajudiciais e outros não quiseram esse acordo. O prazo é de até 180 dias para a entrega, mas alguns grupos queriam a arma mais rápido e fizeram complô contra a empresa”, sustentou.

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