Papuda: preso é flagrado com R$ 1,6 mil em espécie dentro da barriga

Agentes penitenciários abordaram o detento após alerta da inteligência. Ele havia ingerido cápsulas com drogas e pacotes com o dinheiro

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atualizado 20/07/2019 9:25

Agentes do sistema penitenciário do DF flagraram, na tarde dessa quinta-feira (18/07/2019), um detento do Presídio do Distrito Federal I (PDF I) com R$ 1,6 mil em espécie, além de 40 comprimidos do anestésico Rohypnol, dentro do estômago. Segundo o núcleo de inteligência, o presidiário tinha como objetivo movimentar o esquema de tráfico de drogas dentro do complexo da Papuda.

De acordo com a ocorrência, registrada na 30ª Delegacia de Polícia (São Sebastião), Carlos Henrique Miranda foi identificado como um dos traficantes que repassavam drogas no pátio da prisão durante o banho de sol. Abordado por agentes de atividades penitenciárias após o alerta da inteligência prisional, ele confessou que havia ingerido o dinheiro e a droga.

Miranda passou pelo scanner corporal, que mostrou as dezenas de cápsulas no sistema digestivo. Ele foi levado ao Instituto Médico Legal (IML), onde expeliu todos os itens. Os servidores ficaram impressionados com a forma como cada nota era dobrada meticulosamente e embalada de forma que facilitava a ingestão. Os R$ 1,6 mil e os comprimidos foram recolhidos e o detento, autuado por tráfico de drogas.

De acordo com o responsável pela Subsecretaria do Sistema Penitenciário (Sesipe), delegado Adval Cardoso de Matos, a política interna é de tolerância zero. “Desenvolvemos uma série de ações para apertar o cerco contra a entrada de drogas e dinheiro de forma clandestina dentro das unidades. Vamos identificar, apreender e punir cada um dos suspeitos que forem flagrados”, afirmou ao Metrópoles.

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Prisões

Apenas nos primeiros três meses deste ano, 48 pessoas foram presas enquanto tentavam passar com drogas escondidas nas cadeias do DF. Em 2018, 201 visitantes foram levados para a delegacia após serem pegos com porções dentro dos objetos mais inusitados. Vale tudo para tentar enganar a revista, como embalar e acondicionar as trouxinhas dentro de bananas, sem que as frutas aparentem terem sido abertas, ou mesmo cortar e colar meticulosamente solados de chinelos de borracha para esconder os produtos ilícitos.

Objetos de uso pessoal e de higiene, como pastas de dente, também são usados. Em alguns casos identificados pela polícia, os tubos são abertos e a cocaína, inserida. Depois, os recipientes são cuidadosamente fechados e lacrados. Os flagrantes são realizados por agentes de atividades penitenciárias durante os procedimentos de revista. Os entorpecentes são localizados com a ajuda de scanners corporais.

 

Além das drogas, os visitantes tentam entrar com grandes quantidades de dinheiro. Somente é permitido ingressar no presídio com valores predeterminados e a serem entregues aos detentos para consumo no interior da cadeia, mas é proibido sair com qualquer valor monetário do local.

Após a realização de um flagrante, o visitante é conduzido ao IML. Nos casos em que há droga escondida dentro do corpo, ele pode ser levado à rede hospitalar, com escolta policial. Há situações de pessoas que ficam dois ou três dias internadas para a retirada dos entorpecentes. Em seguida, o suspeito é levado à 30ª DP para o registro da ocorrência policial e a realização do auto de prisão em flagrante.

De acordo com Adval Cardoso, as apreensões são constantes nos dias de visita. “Nosso principal alvo é reduzir ao máximo a entrada de drogas nas unidades prisionais da Papuda. Os entorpecentes provocam instabilidade dentro do sistema e vamos evitar isso”, disse.

Cardoso explicou que, ao longo de 2018, também foram realizadas buscas periódicas de celulares em todas as cadeias do DF. No período, não foi localizado nenhum aparelho nos estabelecimentos penais de regime fechado.

A população pode ajudar por meio da realização de denúncias anônimas pelo site da Sesipe (www.sesipe.ssp.df.gov.br), na opção Denúncia Anônima Online.

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