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Nas primeiras horas da manhã desta quinta-feira (17/5), a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou operação contra o tráfico de uma droga letal usada como anestésico em animais de grande porte. Batizada de K Nove, a ação tem como alvo um grupo de veterinários com acesso livre à substância, conhecida como cetamina.

Ao todo, 11 mandados de busca e apreensão foram cumpridos em quatro clínicas e nas residências dos suspeitos. Dois veterinários, do Lago Oeste e de Taguatinga, acabaram presos em flagrante por tráfico de drogas. Um empresário do ramo de pet shop também foi detido, em Taguatinga. Na casa dele, a polícia encontrou R$ 40 mil em espécie. Durante a operação foram apreendidas 60 ampolas de cetamina. Estão presos o empresário João Filho Neto Sousa Costa e os veterinários Jader da Cruz Fayad e Gustavo Ferreira Santiago.

Investigações conduzidas pela 1ª Delegacia de Polícia (Asa Sul) apontaram que os profissionais forneciam a solução líquida do medicamento para usuários. As apurações começaram após a PCDF ter registrado a morte por overdose de um médico anestesista, em abril de 2017. A vítima seria viciada em anestésicos. O homem fazia pós-graduação em uma faculdade da Asa Sul, para mudar de ramo e tentar escapar do vício.

Os mandados de busca estão sendo cumpridos na Asa Norte, Asa Sul, Guará, Lago Oeste, Núcleo Bandeirante, Riacho Fundo e Taguatinga. Integrantes do Conselho Regional de Medicina Veterinária do DF (CRMV) e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária participaram da operação.

Segundo Rafael Silva de Souza, do CRV, a venda irregular da cetamina é gravíssima: “É preciso apurar em quais circunstâncias esses medicamentos eram adquiridos e repassados a usuários de drogas”. Os alvos da operação não apresentaram documentos fiscais comprovando a compra do produto nem as receitas que deveriam ficar retidas nas clínicas após o uso.

Divulgação/PCDF

Caixa de cetamina encontrada pelos policiais

 

Entorpecente ganha espaço
De acordo com o delegado Paulo Fecury, da 1ª DP, a cetamina está sendo cada vez mais utilizada e comercializada nas festas de música eletrônica.

É uma droga muito perigosa, especialmente por ser de uso controlado e voltada para animais de grande porte. Uma pequena dose já deixa o usuário totalmente viciado. Ainda existe o risco de overdose, pois é altamente concentrada"
Paulo Fecury, delegado

A substância era vendida por veterinários por meio de WhatsApp e ligações telefônicas. De acordo com as apurações, compradores iam até as clínicas e pet shops para buscar a droga. “Também existem pessoas que faziam as entregas”, completou Fecury. Por ser de uso controlado, ela só pode ser adquirida com receita – por isso a facilidade dos profissionais de veterinária em ter acesso à cetamina.

Special K
A mistura mortal do sedativo com drogas sintéticas foi batizada de Special K pelos usuários. A substância passou a ser figurinha fácil em festas de música eletrônica e consumida em larga escala pelo público no DF.

Os efeitos variam de leve sedação e amnésia a um profundo estado de transe que pode levar à insuficiência respiratória, ao coma e até a morte.

Como se trata de um anestésico, a droga impede o usuário de sentir dores, fazendo com que o indivíduo cause danos físicos a si próprio. Ela dá a sensação de intensificar as cores e os sons. Os efeitos da cetamina são normalmente mais fortes na primeira hora, mas podem durar até seis.

 

 

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