Morte de médico: PCDF analisa imagens de câmeras de segurança

Os agentes também aguardam o resultado dos laudos periciais para complementar o inquérito

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atualizado 03/12/2019 5:56

Imagens de câmeras de segurança da quadra 315 Sul, onde o médico endocrinologista Luiz Augusto Rodrigues (foto em destaque), 45 anos, morreu ao ser atingido por um tiro na cabeça, estão nas mãos da polícia e são analisadas por investigadores da 1ª Delegacia de Polícia (Asa Sul). Os agentes também aguardam o resultado dos laudos periciais para complementar o inquérito.

Os investigadores colheram as primeiras gravações no dia da morte, na quinta-feira (28/11/2019). O disparo foi feito por um soldado da Polícia Militar durante abordagem. O policial não teve o nome divulgado. Após o fato, a corporação informou que o PM foi afastado das ruas. A PMDF também instaurou um inquérito policial militar para apurar a conduta do soldado.

De acordo com informações preliminares, os militares viram dois homens em atitude suspeita. Eles estavam em frente ao Teatro dos Bancários, perto de uma caminhonete de Luiz.

Os policiais deram voz de abordagem e, segundo os relatos da corporação, um dos homens sacou uma arma e apontou para os PMs. Um soldado reagiu e fez um disparo que acertou o médico. A vítima estava desarmada. O homem que estava com o endocrinologista é o policial militar reformado Ringre Pirese, que portava uma arma calibre .38.

O tiro que atingiu Luiz Augusto saiu de uma carabina, da Imbel, calibre 5.56. O Corpo de Bombeiros foi acionado e constatou a morte no local. Segundo os socorristas, o homem foi atingido na cabeça. O soldado se apresentou na 1ª DP e, por isso, não foi preso em flagrante.

Por meio de nota, a Polícia Militar afirmou que o tiro foi dado “diante do risco iminente”. Afirmou ainda que “os policiais não tiveram alternativa e efetuaram dois disparos, que atingiram um dos homens”.

Vídeo
Uma gravação obtida pelo Metrópoles mostra o policial Ringre Pires, pedindo desculpas e dizendo que estava protegendo o médico, que era amigo dele. Visivelmente embriagado, diz que recebia dinheiro para fazer escolta de Luiz.

“Entre nós aqui, eu tomei uma e eu estava protegendo ele. O doutor Luiz, ele me paga para proteger ele (sic). Me desculpa. Perdão, então”, disse o sargento, ao ser perguntado por que apontou a arma para a viatura.

Depois, ele questiona se os policiais estão filmando a ação e afirma: “Cara, não, vocês estão filmando? Eu não apontei arma para a viatura. Cara, vocês estão querendo queimar a gente, né?”, falou o sargento.

Assista ao vídeo na íntegra:

Contradição
Segundos depois, ele volta atrás sobre ser pago pelo médico para fazer a segurança. “Ele não me paga, não. É meu amigo. Vê como é que ele está”. Após esse momento, o homem para de ser filmado e o vídeo termina.

De acordo com o advogado do policial reformado, o cliente admite que encostou arma contra o peito após ver “um carro em atitude suspeita”. Ele também fala que o cliente relatou que havia bebido cerveja e uísque.

“Ele nega terminantemente isso. Por que um policial, sargento reformado, com mais de 30 anos de experiência, apontaria a arma para os próprios colegas de farda? Não tem motivo. Ele não estava ali praticando nenhum crime, não tinha por que fazer isso”, afirma Pedro Júlio Melo Coelho.

Segundo testemunhas, antes da morte, Luiz Augusto Rodrigues assistia ao jogo do Flamengo contra o Ceará, pelo Campeonato Brasileiro. Estava no Bar e Restaurante Cabana.

 

 

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