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Segurança

Massacre no DF: jovem planejava usar bomba igual à de ataque em Boston

Policiais apreenderam, na casa onde Henrique morava com o avô, no Lago Norte, substâncias iguais às utilizadas em atentado de 2013 nos EUA

Repórter de Segurança03/03/2020 05:25, atualizado 04/03/2020 11:18
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PCDF/Divulgação
Massacre no DF: jovem planejava usar bomba igual à de ataque em Boston

Um atentado terrorista ocorrido nos Estados Unidos e que repercutiu em todo o mundo pode ter servido de inspiração para o  brasiliense Henrique Almeida Soares, 19 anos, planejar o ataque evitado pela Polícia Civil do Distrito Federal no sábado (29/02/2020). Ele queria detonar explosivos em um show de funk no Setor Comercial Sul (SCS) no fim de semana passado.

Os investigadores da Delegacia de Repressão a Crimes Cibernéticos (DRCC) suspeitam que o rapaz, preso preventivamente, tenha colhido detalhes sobre as bombas usadas no atentado à Maratona de Boston, detonadas em 15 de abril de 2013. Na ocasião, os explosivos foram acondicionados em panelas de pressão e explodiram, deixando três mortos e 264 feridos.

As suspeitas dos policiais se respaldam nas substâncias encontradas na residência onde Henrique morava com o avô, no Lago Norte. Cinco quilos de nitrato de amônio somados a pregos e outras substâncias colocados em uma panela de pressão serviriam para formar uma bomba com alto poder destrutivo, chamada “Anfo” – acrônimo do inglês Ammonium Nitrate / Fuel Oil.

Trata-se de um explosivo produzido pela mistura de hidrocarbonetos líquidos fáceis de encontrar no comércio e em postos de combustíveis. Dois artefatos semelhantes foram usados no atentado à Maratona de Boston. Eles estavam em panelas de pressão repletas de pregos e outros pedaços de metal. Com a detonação, esses materiais tornam-se projéteis, como balas de arma de fogo, lançados em várias direções.

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Material apreendido pela PCDF
Homem planejava um massacre
Jovem era morador do Lago Norte
Ele queria detonar explosivos em um show de funk, no Setor Comercial Sul (SCS)
A polícia apreendeu cinco quilos de nitrato de amônio e um quilo de nitrato de potássio
Desenhos feitos pelo suspeito mostram pessoas mortas
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Desenhos feitos pelo suspeito mostram pessoas mortas

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Material apreendido pela PCDF
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Material apreendido pela PCDF

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Homem planejava um massacre
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Homem planejava um massacre

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Jovem era morador do Lago Norte
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Jovem era morador do Lago Norte

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Ele queria detonar explosivos em um show de funk, no Setor Comercial Sul (SCS)
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Ele queria detonar explosivos em um show de funk, no Setor Comercial Sul (SCS)

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A polícia apreendeu cinco quilos de nitrato de amônio e um quilo de nitrato de potássio
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A polícia apreendeu cinco quilos de nitrato de amônio e um quilo de nitrato de potássio

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O material era suficiente para derrubar uma casa
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O material era suficiente para derrubar uma casa

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O suspeito foi preso em flagrante por agentes e delegados da Delegacia de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC)
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O suspeito foi preso em flagrante por agentes e delegados da Delegacia de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC)

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Jovem tem 19 anos
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Jovem tem 19 anos

O suspeito não tinha passagem pela polícia
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O suspeito não tinha passagem pela polícia

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Ele disse que ia usar carro-bomba
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Ele disse que ia usar carro-bomba

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Na casa dele, a polícia apreendeu cinco quilos de nitrato de amônio e um quilo de nitrato de potássio. “O material era suficiente para derrubar uma casa. Ele tinha muito poder de fogo”, destacou o chefe da DRCC, Giancarlos Zuliani Júnior.

A DRCC já pediu autorização da Justiça para ter acesso aos dados armazenados no telefone celular e no computador do rapaz. O principal objetivo é identificar se Henrique usava perfis falsos em redes sociais para manter conversas envolvendo o planejamento de ataques, tutoriais para a confecção de bombas e outras atividades relacionadas a ações terroristas.

Os investigadores querem saber se Henrique tinha ligações ou participava de grupos extremistas. A polícia também vai analisar uma série de desenhos e anotações feitas pelo suspeito que estavam guardados no quarto dele. Quase todas as ilustrações faziam menção a mortes, incitação ao ódio, disparos de arma de fogo e esfaqueamento de pessoas.

Preso em flagrante

Henrique Almeida Soares foi preso em flagrante pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) no sábado. Na residência do jovem, os investigadores encontraram bombas e livros com incitação ao ódio, além de máscaras e dinheiro em espécie. Ele passou por audiência de custódia no fim de semana e ficará preso preventivamente.

A motivação do ataque ainda é um mistério, mas o rapaz já havia detonado pelo menos um artefato no passado, quando perdeu a falange de um dedo.

Veja vídeo de explosivos encontrados na casa dele:

Segundo o delegado Dário Taciano de Freitas Júnior, a empresa Yahoo! enviou o alerta do possível ataque, na sexta-feira (28/02/2020), a partir de postagem na internet. “Ele disse que faria um massacre histórico em um show de rap e funk com adolescentes, que ele chama de vagabundos, descolados e drogados”, relatou o investigador.

Com autorização de busca e apreensão da Justiça em mãos, os agentes foram até o endereço do jovem. O Departamento de Operações Especiais (DOE) participou da diligência. No local, foram encontrados artefatos, explosivos e substâncias aptas à preparação de algum tipo de bomba. A polícia também achou muito dinheiro em espécie.

Veja o material apreendido com o suspeito:

Réu primário

O suspeito não tem passagem criminal. O rapaz será, a princípio, indiciado pelo Estatuto do Desarmamento, com pena de 3 a 6 anos de prisão. O acusado foi encaminhado para o Departamento de Polícia Especializada (DPE).

Em publicação na internet, Henrique anunciou que seria protagonista de uma tragédia no Distrito Federal: “Vou fazer um massacre histórico num showzinho de rap/funk/trap cheio de adolescentes vagabundos, descolados e drogados. Com meus conhecimentos em química e acesso a armas ilegais poderei fazer algo esplêndido”, destacou.

Vizinhos

Com a prisão de Henrique, vizinhos do jovem, no Lago Norte, se dizem surpresos e assustados com o caso. Uma moradora, que não quis se identificar, contou que, apesar de não conhecer o rapaz, sabia que ele morava na casa do avô, professor de arquitetura na Universidade de Brasília (UnB).

“Não podemos julgar o que aconteceu. Não sabemos se ele está doente. Esse rapaz morava com o avô, que é professor de arquitetura da UnB, e nunca o vi na rua. No dia, eu estava voltando para casa e me assustei com o número de policiais e bombeiros. Só descobri o que tinha acontecido depois, pela mídia”, acrescentou.

Ainda segundo a mulher, no dia da prisão de Henrique, o burburinho foi grande no grupo de WhatsApp dos moradores da rua. “Os vizinhos mandaram muitas mensagens julgando ele e a família. Depois, outros abafaram a discussão e não se falou mais nada”, completou.