“Gangue do Rolex” deu prejuízo de R$ 1,2 milhão a vítimas no DF

Criminosos escolhiam vítimas no Aeroporto de Brasília e em restaurantes do Lago Sul. Elas eram monitoradas por binóculos

atualizado 17/01/2020 15:12

Especializada em roubos de relógios importados e de luxo, a quadrilha desarticulada por policiais da Divisão de Repressão a Sequestros (DRS) deixou prejuízo mínimo estimado em R$ 1,2 milhão a vítimas no DF. Foram pelo menos 15 assaltos na capital do país atribuídos à “gangue do Rolex”.

Articulados e perigosos, os bandidos costumavam escolher os alvos no Aeroporto Internacional de Brasília e em restaurantes do Lago Sul.

Investigadores ouvidos pelo Metrópoles detalharam a forma de agir do trio, que foi preso na manhã dessa quinta-feira (16/01/2020), no Lago Sul. Moradores de Taboão da Serra e Embu das Artes, na Grande São Paulo, os criminosos alugavam carros de alto padrão nos municípios paulistas, geralmente em nome de parentes, e ficavam hospedados em Valparaíso de Goiás (GO), no Entorno do Distrito Federal.

“Os carros deviam passar despercebidos nas regiões onde eles buscavam as vítimas”, ressaltou o delegado-chefe da DRS, Leandro Ritt. O ponto de partida do grupo era o aeroporto de Brasília. Os bandidos chegavam ao terminal ainda pela manhã. Dois permaneciam no veículo e, utilizando binóculo, observavam os passageiros.

Durante as investigações, os policiais perceberam outro comportamento do bando. “Vinham para Brasília sempre às sextas- feiras, mas roubavam no meio da semana também. Depois que eles assaltaram o médico [nessa quarta-feira, 15/01/2020], a gente passou a monitorar. Sabíamos que continuariam na cidade e cometeriam outros crimes. Conseguimos fazer o flagrante no Lago Sul”, destacou Ritt.

Disfarce
Os critérios adotados pelos bandidos para escolher as vítimas eram o carro e as roupas que elas usavam. Enquanto a dupla fazia a triagem à distância, o terceiro integrante aguardava em uma moto na saída do terminal, próximo aos postos de combustíveis. O local facilitava a identificação e o acompanhante ao veículo dos empresários.

Para não chamar atenção, até a roupa usada pelos criminosos era pensada. O motociclista costumava trajar colete semelhante aos utilizados pelos funcionários do aeroporto. Após receber informações da dupla, ele seguia as vítimas. Segundo as investigações, os suspeitos cometiam uma média de dois roubos por dia.

Quando a empreitada no aeroporto não dava certo, eles mudavam de local. Seguiam para restaurantes no Lago Sul, onde observavam os clientes.

De acordo com os policiais, em um dos casos, a vítima percebeu que estava sendo seguida e procurou refúgio em uma guarita. O assaltante invadiu o local, rendeu o vigilante e roubou o relógio dela.

O mesmo aconteceu em uma garagem privativa, em lojas e shoppings da cidade, além das casas dos empresários.

Das cerca de 15 ações, só em duas os criminosos roubaram réplicas ou relógios de menor valor. Uma das peças roubadas, modelo Audemars Piguet, está avaliada em R$ 180 mil. No entanto, a média de preços dos acessórios levados variava entre R$ 50 mil e R$ 60 mil. Com a revenda, esse montante reduzia em 25%. O lucro dos bandidos em cada viagem feita a Brasília era de, no mínimo, R$ 30 mil.

Um outro ponto que chamou atenção dos investigadores é que uma única pessoa ficava responsável por cometer o assalto. Comportamento que não é característico nesse tipo de crime, ainda de acordo com a polícia.

A periculosidade desse suspeito foi comprovada durante a abordagem policial que resultou na prisão do grupo, nessa quinta-feira (16/01/2020). O motociclista chegou a sacar a arma para os agentes e foi baleado na perna. A ação ocorreu no Deck do Lago Sul. O homem está internado, sob custódia, no Hospital de Base do DF (HBDF).

Audiência de custódia
O trio seguirá preso por tempo indeterminado. A decisão é da Terceira Vara Criminal de Brasília e foi publicada após a audiência de custódia de Celso Rodrigues da Silva Junior, Leandro de Almeida Araújo e Valcreides Silva de Oliveira, na tarde desta sexta-feira (17/01/2019).

A juíza Flavia Pinheiro Brandão Oliveira destacou a extensa ficha criminal dos suspeitos. “Um dos custodiados ostenta condenação definitiva pela prática de dois roubos em São Paulo, estando em cumprimento de pena em regime aberto e já voltou a delinquir. Outro tem condenação definitiva por tráfico, uso de documento falso e dois roubos. Tudo isso conduz à inevitável conclusão de que, em liberdade, encontrarão estímulos à prática de novas infrações penais”, destacou.

Alguns crimes foram registradas por câmeras de segurança. Confira:

 

 

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