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Festa de encerramento do semestre da Universidade de Brasília (UnB), organizada por alunos da instituição na comercial da 408 Norte, terminou com três pessoas esfaqueadas, muita pancadaria, arrastões, furtos e roubos, sem falar na indignação de moradores e comerciantes. Por volta das 22h dessa quinta-feira (6/12), a Polícia Militar foi chamada para intervir no tumulto.

Quando os militares chegaram ao local, o clima estava tenso. Pessoas jogaram garrafas e outros objetos nos policiais, que responderam com balas de borracha e gás lacrimogêneo. O evento reuniu cerca de 1,5 mil pessoas. De acordo com a corporação, criminosos se misturam aos jovens para roubar e furtar, o que aumenta a probabilidade de confusão em função do alto consumo de bebidas alcoólicas.

Segundo o Corpo de Bombeiros, uma pessoa foi levada para o Instituto Hospital de Base (IHB), vítima de espancamento e facada nas costas. O adolescente de 17 anos sofreu vários golpes na cabeça e foi transportado consciente, estável e orientado. Outras duas vítimas não precisaram ser levadas ao hospital, já que os cortes foram superficiais. O autor das facadas segue foragido. A PMDF prendeu dois suspeitos de praticarem furtos durante o evento.

Divulgação/PMDF

PMDF foi acionada por moradores e comerciantes

 

Com a confusão na quadra, alguns comerciantes se assustaram com o comportamento dos festeiros e fecharam as portas dos estabelecimentos. A festa organizada pelos universitários ocorre tradicionalmente no início e no fim do semestre. A divulgação é feita pelas redes sociais e qualquer pessoa pode participar.

O tumulto é investigado pela 5ª Delegacia de Polícia (Área Central). Um homem de 21 anos foi preso em uma parada da 209 Norte com sete celulares. De acordo com a PM, os aparelhos teriam sido furtados na festa.

Moradores e comerciantes ficam indignados com os problemas causados pelos eventos. “Assim que fiquei sabendo da festa, fechei mais cedo. Prefiro ficar sem vender do que amargar um prejuízo por ter o meu estabelecimento destruído”, disse Francisco Arruda, 45, gerente de bar.

“Não tem como dormir, estacionar o carro… As pessoas fazem até sexo debaixo das árvores. É um inferno”, reclama Joana Medeiros, 36, moradora da 408 Norte.

Fora da Universidade
Procurada pela reportagem, a Universidade de Brasília esclarece não ter qualquer relação com o evento. “A UnB lamenta os incidentes e se solidariza com as vítimas, moradores e comerciantes”, disse a instituição em nota.

Representante dos estudantes no Conserlho Universitário da UnB, João Marcelo Marques Cunha lembra que o evento não ocorreu nas dependências da universidade e que os envolvidos na confusão não são integrantes da comunidade estudantil.

“Lamentavelmente, associa-se indevidamente os estudantes da UnB ao consumo desenfreado de bebida alcoólica, uso e tráfico de drogas, “pancadaria, arrastões, furtos e roubos”, como se esse fosse traço típico do nosso comportamento”, destacou ao Metrópoles.

De acordo com ele, “o estudante da UnB, por regra, é um jovem que luta por lugar ao sol pelo próprio esforço, sem depender de apadrinhamento de nenhuma natureza”.

Veja como estava a quadra antes da confusão:

 

Outros casos
Em agosto, um crime semelhante ocorreu na mesma quadra. Na ocasião, uma briga de bar terminou com um homem esfaqueado e o agressor ferido após ser golpeado com uma garrafa de vidro na cabeça.

A confusão teria sido motivada por uma desavença antiga entre os dois, conforme informou a Polícia Militar à época. Quando a equipe da PMDF localizou o autor das facadas, na 608 Norte, ele estava a ponto de ser linchado por pessoas que presenciaram o crime.

Durante a abordagem, o homem ainda tentou esfaquear um soldado da corporação, mas foi imobilizado e desarmado com técnicas de defesa pessoal.

Já em agosto de 2017, um jovem de 19 anos foi espancado após a festa Calourada, promovida no mesmo local. O Corpo de Bombeiros transportou a vítima para o Hospital Regional da Asa Norte (Hran).

Região perigosa
O lugar onde ocorreu o esfaqueamento nessa quinta (6) fica a poucos metros do prédio em que a servidora do Ministério da Cultura Maria Vanessa Esteves, 55, foi covardemente assassinada com uma facada nas costas na noite de 8 de agosto do ano passado.

À época, o Metrópoles mostrou que comerciantes estavam preocupados com a ação de bandidos na quadra. Eles agem a qualquer hora do dia, armados, ameaçam as vítimas, arrombam os cadeados das grades e entram pelo subsolo das lojas. A tática evita flagrantes de câmeras de segurança das ruas e não chama atenção da polícia e de populares.

Doze horas antes de Maria Vanessa ser morta à facada, o salão de beleza Luiz Cabeleireiro, na 407 Norte, foi alvo de criminosos. De acordo com o dono, Luiz Silva Gonzaga Filho, 49, por volta do meio-dia, dois homens entraram armados no estabelecimento. Os bandidos renderam o proprietário e duas funcionárias. A ação foi rápida.

Outro comerciante da 408 contou, em um grupo de WhatsApp, que foi alvo de uma tentativa de assalto um dia antes da morte de Maria Vanessa.