DF: delegacia dará R$ 10 mil a quem ajudar na prisão de foragidos

Com base no decreto do GDF que autoriza recompensa, a 6ª DP (Paranoá) oferecerá grande quantia a quem ajudar na captura de dois foragidos

Rafaela Felicciano/MetrópolesRafaela Felicciano/Metrópoles

atualizado 28/10/2019 17:57

Foram protocolados, na última sexta-feira (25/10/2019), os dois primeiros pedidos de instauração de recompensa para a captura de foragidos no Distrito Federal. Registradas pela 6ª DP (Paranoá), por meio da delegada-chefe da unidade policial, Jane Klébia, as solicitações preveem premiação de R$ 10 mil a qualquer pessoa que ajudar na captura de José Carlos Pereira de Sousa, acusado de matar três pessoas em um bar do Paranoá, ou Alessandro Guerreira Barros, suspeito de assassinar um motorista de aplicativo no Itapoã.

De acordo com a delegada, colocar gratificação em dinheiro para ajudar na solução desses casos será um estímulo a mais para que a população colabore com o trabalho investigativo da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF). “De vez em quando, recebemos informações de que alguém viu em algum lugar, mas não conseguimos confirmar. Achamos que, com o dinheiro, as pessoas vão se sentir ainda mais encorajadas”, explica.

Jane Klébia ressalta ainda que o anonimato continua como principal aliado de quem tiver uma denúncia a fazer. “Nada é divulgado. Às vezes, a população fica com um receio de informar, mas não procede”, destaca.

A titular da 6ª DP diz que outros casos podem ser incluídos, a depender da repercussão desses relacionados a José Carlos e Alessandro Barros. “Esses dois a gente considerou como prontos para entrar nesse sistema, pois, além de o inquérito já estar concluído e o mandado de prisão ter sido expedido, sabemos que é possível alcançá-los”, frisou.

Relembre os casos

Procurado há quase três anos, José Carlos Pereira de Sousa, 38 anos, conhecido como Zé Galinha, é acusado de matar três pessoas em um bar que funcionava no Conjunto C da Quadra 19 no Paranoá. Segundo diligências policiais, o homem tinha a intenção de assassinar Wesley Vitorino, com 24 anos à época, por, supostamente, o desafeto ter assediado a namorada do criminoso em ocasião anterior.

Quando chegou ao estabelecimento, de moto, na noite de 05/11/2016, Zé Galinha deu vários tiros com o objetivo de acertar Wesley, que correu para o banheiro. O proprietário do bar, Clenio Carlos de Almeida, 36, tentou impedir a ação, mas foi atingido por disparos. Uma adolescente de 16 anos, que estava grávida de oito meses, também foi alvejada antes de Wesley ser executado.

Zé Galinha portava duas pistolas e fugiu a pé do local, deixando o veículo estacionado próximo ao cenário do crime.

Já Alessandro Guerreira Barros, 27, é o principal suspeito de tirar a vida de Felype Anderson de Sousa, 22, motorista de aplicativo que morreu após ser atingido por quatro tiros de arma de fogo na noite de 11/04/2019, no Itapoã.

Conforme relatos de testemunhas, a discussão teria começado quando o veículo do autor dos disparos bateu no carro da vítima, que estacionava o seu automóvel. Exaltados, os dois trocaram empurrões e Alessandro teria sacado a arma e atirado.

A sobrinha do suspeito, uma adolescente de 16 anos, estava no carro dele no momento do crime e deu sua versão à polícia. Disse que Felype estava fazendo baliza para estacionar na via, momento em que Alessandro tentou passar e acabou atingindo a lateral do veículo da vítima. Relatou ainda que o tio parou um pouco mais à frente para ver se tinha danificado a lateria do outro automóvel, quando Felype reagiu de forma bem alterada.

Ainda de acordo com a garota, Alessandro não xingou a vítima, só dizia: “Calma, você vai me bater?”. Felype teria empurrado o suspeito do crime, após chamá-lo de ”comédia”. Em seguida, virou de costas e seguiu em direção ao seu carro. Nesse instante, Alessandro sacou uma arma de fogo que trazia consigo na cintura e efetuou os disparos no outro condutor, que caiu no chão.

Entenda o sistema de recompensas

A recompensa será paga a qualquer pessoa física que preste informações precisas que resultem na solução de delitos e na localização de foragidos ou procurados com mandado de prisão. A denúncia também pode servir para identificar bens móveis ou imóveis pertencentes a membros de organizações criminosas ou envolvidos com lavagem de dinheiro.

O decreto, que saiu no Diário Oficial do Distrito Federal (DODF) no último dia 15, lista os crimes que podem ser objeto de denúncias recompensadas: hediondos e equiparados; cometidos com violência ou grave ameaça; contra a administração pública; lavagem de dinheiro; e praticados por associação ou organização criminosa.

O valor da recompensa é determinado pelo secretário de Segurança Pública (SSP/DF), de ofício ou mediante solicitação do diretor-geral da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), a partir da solicitação dos delegados. O valor estipulado no decreto varia entre R$ 1 mil e R$ 50 mil, mas abre brecha para prêmio maior se houver possibilidade de recuperar bens e valores mais importantes.

Os pagamentos serão provenientes do Fundo de Segurança Pública do Distrito Federal (FUSPDF), criado por lei distrital no fim do ano passado (nº 6.242, de 20/12/2018). Ele deve servir para aquisição de bens e serviços, construção, reforma e modernização de prédios, tecnologia e sistemas de informação, inteligência, investigação e policiamento. O texto já previa, em seu artigo 6, o pagamento do serviço de recebimento de denúncias e a premiação em dinheiro para informações que levem à elucidação de crimes.

Últimas notícias