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Segurança

"Demônio da Tasmânia" é acusado de estuprar jovem no DF

A vítima reconheceu o criminoso após ver as publicações na imprensa sobre a prisão de Luiz Santos, suspeito de furto, roubo e estelionato

Mirelle Pinheiro12/02/2020 11:10, atualizado 12/02/2020 18:45
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“Demônio da Tasmânia” é acusado de estuprar jovem no DF
“Demônio da Tasmânia” é acusado de estuprar jovem no DF

Após a divulgação da prisão do estelionatário Luiz Augusto dos Santos (foto principal), 24 anos, conhecido como “Demônio da Tasmânia”, no começo deste ano, outras vítimas reconheceram o homem como autor de crimes de extorsão e estupro. Uma jovem de 23 anos procurou a Polícia Civil para denunciar que teria sido abusada sexualmente dentro de um veículo antigo, cor vinho, de duas portas. O caso ocorreu em Santa Maria e é investigado pela 33ª Delegacia de Polícia.

A vítima relata que viu os noticiários em 31 de janeiro, dia em que o homem foi preso preventivamente pela 5ª Delegacia de Polícia (área central). Ela não foi encaminhada ao Instituto de Medicina Legal (IML) porque o crime teria ocorrido em 29 de outubro do ano passado. Aos policiais, a vítima detalhou que foi levada, por volta das 21h30, para uma região de mato alto e sem iluminação em Santa Maria.

Conforme revelou o Metrópoles, Luiz Santos é suspeito de fazer, ao menos, outras 100 vítimas no Distrito Federal e em Goiás. Ele entrava em contato com anunciantes de motos por meio de site de vendas e redes sociais. Mostrava interesse em comprar os veículos e, durante os encontros, acabava roubando as motocicletas.

Histórico de crimes
Além de ser acusado de extorquir as vítimas com ameaças de morte e roubar motos se passando por comprador, o homem teria mantido relações sexuais com mulheres fingindo ser fazendeiro e herdeiro de uma suposta herança de R$ 400 mil.

Nessa modalidade de crime, o “Demônio da Tasmânia” abordava jovens e adolescentes por meio das redes sociais oferecendo um “negócio” duvidoso. Ele dizia ser primo de um homem, supostamente rico, e que teria direito a uma herança de R$ 400 mil. Sugeria que as mulheres seduzissem o primo, tivessem relações sexuais sem preservativos, engravidassem e dessem o “golpe da barriga”.

Uma das condições impostas pelo suspeito era que a relação teria que ser filmada para comprovar o ato. No entanto, o suposto primo não existia, e quem ia aos encontros era o próprio Luiz Augusto. Em posse dos vídeos íntimos, passava a chantagear e extorquir as mulheres para que as imagens não fossem divulgadas. Há suspeita de que ao menos 30 mulheres foram enganadas e vítimas do homem. A Polícia Civil investiga o fato.

Veja mensagem enviada por Luiz a uma das vítimas:

Golpes

Uma mulher de 35 anos, mãe de três crianças, mudou completamente a rotina após o último Natal. Ivone* começou a receber mensagens no celular contendo vídeos de tortura e ameaças. O homem alegava que a moradora de Samambaia havia feito uma “casinha” [armadilha] para matá-lo e que, agora, se vingaria.

A história gerou, inicialmente, um estranhamento na mulher, que não tinha relação com a suposta situação. No entanto, as sucessivas mensagens e videochamadas – nas quais o autor ostentava armas – fizeram Ivone temer pela segurança da família.

“Ele dizia que tentaram matá-lo e que, antes de atirar, mostraram a minha foto e disseram que eu era a responsável. Como ele sobreviveu, decidiu se vingar. Ele me enviou a foto de uma arma com três balas. Disse que uma era minha e as outras, para os meus filhos”, lembra.

No caso de Ivone, ele mandou vídeos de pessoas sendo torturadas, homicídios e armas. “Dizia que ele tinha feito aquilo e que arrancaria a cabeça dos meus filhos caso eu não pagasse R$ 500”, contou. Mesmo desconfiada de que poderia se tratar de um golpe, Ivone ficou aterrorizada.

“Suspeitava de estelionato, mas como poderia ter certeza? Ele me ligava todos os dias com uma ameaça cada vez pior. Dizia que sabia onde eu morava, onde os meus filhos estudavam e que iria nos matar. Comecei a ter crises de pânico. Não saía mais de casa. Como eu não sabia como era o rosto dele, todo mundo que aparecia no meu portão eu achava que poderia tentar algo contra a minha vida”, detalhou a vítima.

Confira ameaças feitas pelo “Demônio da Tasmânia”:

O caso foi registrado na Polícia Civil e teve início uma investigação. Os policiais da 5ª DP conseguiram fazer uma relação entre os 100 casos de extorsão, furto e ameaça que teriam como autor o mesmo indivíduo.

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16 imagens
Mulher está com medo
Até os filhos dela foram ameaçados
Ameaças feitas ao amigo da vítima
Criminoso publicava ameaças em seu status do WhatsApp
Conversa com o amigo da vítima
Mensagens recebidas por vítima com ameaças
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Mensagens recebidas por vítima com ameaças

Andre Borges/Esp. Metrópoles
Mulher está com medo
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Mulher está com medo

Andre Borges/Esp. Metrópoles
Até os filhos dela foram ameaçados
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Até os filhos dela foram ameaçados

Andre Borges/Esp. Metrópoles
Ameaças feitas ao amigo da vítima
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Ameaças feitas ao amigo da vítima

Criminoso publicava ameaças em seu status do WhatsApp
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Criminoso publicava ameaças em seu status do WhatsApp

Conversa com o amigo da vítima
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Conversa com o amigo da vítima

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Luiz Augusto dos Santos
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Luiz Augusto dos Santos

Ameaça recebida pela vítima
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Ameaça recebida pela vítima

Delegado Ricardo Oliveira, da 5ª DP
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Delegado Ricardo Oliveira, da 5ª DP

PCDF/Divulgação
Golpe da moto

Também em dezembro do ano passado, Luiz Augusto fez outras vítimas. Uma delas é Pedro*. Ao Metrópoles, ele relatou ter acompanhado um amigo do filho na venda de uma moto. O combinado era encontrar o suposto comprador perto de um supermercado de Santa Maria.

“O anúncio estava em R$ 2 mil, mas ele disse que, se levássemos a moto, poderia pagar até mais. Ao chegar lá, o rapaz conversou, disse que tinha chegado ao DF recentemente e precisava da moto para trabalhar. Pediu para dar uma volta e testar”, detalhou a vítima.

O anunciante subiu na garupa da moto e, durante a segunda volta, o criminoso derrubou o jovem e fugiu. “Em seguida, passou a enviar vídeos de pessoas sendo esquartejadas e dizia que a voz que aparecia no vídeo era a dele e faria o mesmo com a gente, caso registrássemos ocorrência”, contou.

O criminoso fez videochamada, mostrou uma arma e disse que tinha o endereço da família. “No desespero, cheguei a parar uma viatura da PM no meio da pista e mostrei as mensagens. Fui orientado a registrar ocorrência e assim o fiz. Semanas depois, o agente me ligou dizendo que a moto tinha sido localizada em Valparaíso”, disse Pedro.

O que ele não esperava era que a moto fosse localizada com uma nova vítima do estelionatário. Ao saber que a placa do veículo estava com restrição, Luiz Augusto marcou de encontrar outro vendedor e pediu para testar a nova moto. Como garantia, deixou a motocicleta roubada com o anunciante e fugiu.

*Nomes fictícios. As identidades das vítimas foram preservada por questões de segurança